Boa parte dos haters de Os Últimos Jedi são contas-robô | JUDAO.com.br

Um estudo confirmou que metade daquele pseudo-estrago causado por haters preconceituosos veio de bots russos e trolls querendo espalhar ódio.

Quem acompanha política pela internet sabe que existem algumas ferramentas MUITO sacanas pra aumentar a popularidade de um candidato e espalhar pensamentos quaisquer pra que um objetivo seja alcançado. Especialmente populares, contas-robô em redes sociais são criadas pra fazer volume e agir como pessoas comuns que confiam em uma pessoa em específico ou uma ideia.

O negócio é tão problemático que a Dona CIA investiga a fundo a origem desses perfis e já concluiu, entre outras coisas, que contas russas falsas ajudaram a espalhar notícias falsas sobre vacinas, armamento e tiveram uma PUTA influência na eleição de Donald Trump em 2016. Bots são uma arma política e podem ser usados pra muitas coisas, INCLUSIVE pra ajudar a espalhar ódio por um produto cultural que esteja ~incomodadndo demais.

Lembra de toda a confusão envolvendo Star Wars: Os Últimos Jedi? Machismo de um lado, xenofobia do outro e todos o tipo de MERDA que a gente pode ver por aí. Muito se disse sobre as protagonistas serem um ato “forçado” de inclusão, que agora a saga estava ESTRAGADA e que até o Luke Skywalker tava ruim. Mas acontece que um estudo da Universidade da Carolina do Sul chegou à conclusão de que aproximadamente 50,9% dos tweets negativos sobre o longa vinham de CONTAS FAKES russas.

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O pesquisador Morten Bay analisou especificamente mensagens enviadas ao diretor Rian Johnson durante os sete meses que seguiram o lançamento de Os Últimos Jedi. Tirando publicações repetidas e outras irrelevantes, ele ficou com 967 delas. 206 tweets diziam coisas negativas sobre o filme ooou o trabalho do diretor e, analisando a linguagem, origem e endereços de IP, 44 contas foram identificadas como fake, entre robôs e trolls.

Intitulada como Armando o Ódio: Os Últimos Jedi e a politização estratégica da cultura pop por meio de manipulação em mídias sociais, a pesquisa enfim pôde comprovar que aquela história de que “a maioria dos fãs não gostou do filme porque ele é ruim pipipipopopó” é GROSELHA. Bay ainda escreve que isso seria uma ferramenta pra “usar o debate para propagar mensagens de apoio às causas da extrema direita e a discriminação por gênero, raça e orientação sexual”. E ó que curioso: a maioria dos usuários que mandaram esse ódio todo, reais e falsos, se identificavam como homens. ¯\_(ツ)_/¯

Rian Johnson se pronunciou em seu Twitter sobre os resultados. Pra ele, aquilo não servia pra provar que o filme era bom ou ruim: “Tive várias conversas ótimas com grandes fãs, online e ao vivo, que curtiram ou criticaram muitas coisas. É pra isso que eles existem. Isso [a pesquisa] é sobre grupos violentos que geram esse assédio.”

A gente já tá CARECA de falar que produtos de cultura pop não podem ser dissociados de política. Quando conservadores sentem-se ameaçados por mulheres e pessoas não-brancas protagonizando QUALQUER COISA, a reação é sempre cheia de truculência e raiva. Cheia de medo de perder um lugar de privilégio e poder que, até pouco tempo, parecia INTOCÁVEL. E a utilização desse tipo de trapaça é um sinal VERMELHO sobre a honestidade e ética desse grupinho aí. Mas é aquela coisa que a Pitty disse há um tempo, né: “Eu não volto pra cozinha, nem o negro pra senzala, nem o gay pro armário. o choro é livre (e nós também)”. ;)