Ir pro espaço fez bem a Call of Duty: Infinite Warfare | Judão

Ainda que siga uma mesma fórmula e seus clichês, é divertido caminhar por Titan ou ter de se esconder na sombra de um asteroide que, por acaso, está perto DEMAIS do sol

Vamos assumir aqui a dificuldade que é lançar TODO ANO uma nova versão de um jogo. Não a parte prática do lançamento, que o pessoal já deve estar mais do que acostumado e faz sem problemas, mas sim a coisa de precisar inovar tecnologicamente e, o que mais importa aqui, em termos de história.

No cinema, coisas assim costumam dar errado (só ver o que aconteceu de Homem de Ferro 2 pra Homem de Ferro 3, por exemplo). Nos joguinhos também, mas é muito mais fácil desencanar quando se trata de uma franquia tão bem estabelecida quanto FIFA ou Call of Duty. Galera vai jogar — xingando pra caralho ou não.

Nos últimos anos, Call of Duty conseguiu, ainda que AOS TRANCOS E BARRANCOS, se renovar em uma ou outra coisa. Mas acredito que Call of Duty: Infinite Warfare seja o melhor momento da franquia pós-Modern Warfare II em termos de campanha. A razão é simples: ainda que siga a mesma fórmula básica, ter o ESPAÇO SIDERAL como cenário dá um respiro e tanto.

Ainda que siga a mesma fórmula básica, ter o ESPAÇO SIDERAL como cenário dá um respiro e tanto

A coisa toda do militarismo continua, essa franquia se chama CALL OF DUTY, mas a história dessa vez é um pouco mais emocionante — além de surpreendente, se levarmos em consideração as repetições estruturais nos últimos anos. Os clichês são os mesmos, também: num futuro distante, os humanos esgotaram os recursos da Terra e partiram pra outros planetas e asteroides pra buscar tais recursos de volta pra cá.

Mas, um grupo de MARCIANOS (humanos, mas marcianos, ou fanboys de Marte, enfim), extremistas e olha só, militares, querem acabar com a Terra porque sim. Eles são liderados por Kit Harington — que no jogo, assim como em Game of Thrones, tem expressão de absolutamente nada e, na versão dublada, consegue ser superado pela voz que, em games, são sempre complicadas — enquanto você busca não só a defesa da United Nations Space Alliance, mas também a eventual vingança contra o vilão.

Agora, porém, a história não é exatamente linear. Você até pode enfrentar as missões principais uma seguida da outra, mas num esquema meio Destiny, você pode escolher missões extras próximas a diversos planetas — até mesmo no pequeno Plutão. :)

São dois tipos de missões, além das principais: de NAVINHA e de BUSCA E APREENSÃO. Na primeira você entra na nave do nosso herói e sai dando uns tiros em outras naves, e na segunda você entra em outras naves pra resgatar civis ou informação.

Sim, são essencialmente as mesmas, sempre. Mas algo nelas faz com que o jogador casual se divirta.

Ethan, QUE HOMEM!

Ethan, QUE HOMEM!

O grande acerto de Infinite Warfare, porém, é conhecido como E3N, Robô-1 ou simplesmente Ethan — um androide, ainda protótipo, que acompanha o nosso herói o tempo todo, física ou remotamente. É um personagem realmente cativante, responsável pelos principais momentos de emoção do jogo (ou pelo de mais emoção, pelo menos).

O problema acaba ficando com a dublagem em português que, claramente, é feita em pedaços, sem que o dublador saiba exatamente o que tá acontecendo. Em alguns momentos, o tom do que se via não encaixava com aquilo que se ouvia, mas nada que irrite a ponto de trocar a língua do console (Xbox One, nesse caso) pra ouvir o original.

Não cheguei perto do multiplayer de Infinite Warfare porque sou desses que prefere se divertir na frente de um videogame, não se frustrar. Se você é desses também, que jogam na dificuldade “normal” e ainda assim sofrem um pouco, pode ser uma boa perdida pra um ou dois dias de jogatina.

Só não sei, no fim das contas, se vale o preço...