Casais da cultura pop que nunca deveriam ter acontecido | Judão

O Dia dos Namorados passou por nós e aí fomos lembrar de uns casais dos filmes, séries, quadrinhos e a porra toda que, sério, JAMAIS deveriam ter existido

A internet virou essa corrida maluca por posição relevante na sua timeline, numa tentativa de que as coisas sejam lidas fora dali, o que muito raramente acontece, infelizmente.

Foi-se o tempo em que as pessoas escolhiam ler sites e blogs e sabiam exatamente quem (e por que) estava falando... Mas a gente do JUDAO.com.br não desiste e (quase) toda semana apareceremos por aqui respondendo, da maneira mais pessoal possível, alguma pergunta relacionada à cultura pop, adicionando as respostas ao nosso CANON. Assim você se lembra que somos pessoas, como você, e passa a nos conhecer um pouco melhor. :)

Na edição desta semana, aproveitando que rolou o Dia dos Namorados no nosso país tropical, JUDAO.com.br resolvemos definir...
Quais são os casais da cultura pop que nunca deveriam ter acontecido

As respostas tão aí embaixo. Divirta-se! :D

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

| Norman Osborn & Gwen Stacy por Thiago Cardim
Tá bom, hoje mais velho e mais maduro, eu sei que a desastrosa passagem de um cara como J. Michael Straczynski pelo título do Homem-Aranha foi muito como aquela coisa de filme de produtor, quando o sujeito da grana manda mais que o diretor, que perde totalmente a autonomia criativa e praticamente só assina a parada. Neste caso, todos os envolvidos já deixaram claro que JMS teve muito pouco a fazer (e se orgulhar) dos desmandos de Joe Quesada e intrépida trupe.

Mas, ainda assim, e sabendo que é até injusto da minha parte, mesmo depois de ler a ótima Poder Supremo e aquela excelente passagem dele pelo título do Thor, me dá até uma dorzinha no estômago quando alguém coloca o nome do criador de Babylon 5 na mesma frase que “gibi”.

Porque lembro daquela cagada toda dos poderes totêmicos e do Morlun — que até começou bem, mas que só passou a ter alguma graça quando o Dan Slott o escrachou de vez em Aranhaverso. Mas, principalmente, porque lembro que Norman Osborn e Gwen Stacy tiveram um caso secreto. Sim, sim, isso aconteceu. É canon. Eles transaram. Gwen ficou grávida. Eles tiveram não um, mas DOIS filhos, Gabriel e Sarah. Que Gwen, arrependida, queria levar para que Peter cuidasse como se fosse o pai. Norman ficou pistola. E isso teria sido também um dos motivos para que o Sr.Osborn matasse a garota naquela história clássica que você bem sabe qual é...

Retcon do tipo mais escroto, rude, que descaracteriza os personagens e resolve te dizer “tudo que você sabia sobre aquela história clássica era uma mentira” sem entregar alguma coisa mais relevante em troca, uma mudança que realmente valha a pena engolir. É simplesmente o susto pelo susto, a surpresa pela surpresa. Straczynski até quis que ambos fossem filhos do Peter. Mas foi devidamente GONGADO pela direção.

No fim, o sangue modificado de Norman faz com que os gêmeos cresçam de 2 a 3 vezes mais rápido do que qualquer outro ser humano e, criados em segredo pelo Duende Verde, eles odeiam o Peter, aparecem na sua vida, acontece até um lance de Duende Cinza no meio do caminho… Tudo uma grande e fedorenta bosta. Que, sejamos BEM justos agora, Straczynski sugeriu que fosse apagada da cronologia quando Mefisto estalou os dedinhos em Um Novo Dia. Mas nem isso o Quesada deixou. PORRA.

De fato, #Normen nem foi tanto culpa do Straczynski. Mas ainda assim...

| Ross Geller & Rachel Green por Beatriz Fiorotto
A gente já viu algumas vezes por aí sobre como Friends envelheceu mal. Mas esse casal não era um problema só por ter um vai e vem cansativo e uma narrativa besta. O fato é que Ross NÃO era um cara legal. Ele tinha uma insegurança imensa e, ao mesmo tempo, um ego do tamanho do universo.

Isso fazia com que o cara tivesse ataques de ciúmes bizarros contra colegas de empresa da Rachel, chegando ao ponto de INVADIR seu local de trabalho ~em nome do amor. Tentou impedi-la de se tatuar, de usar certas roupas, empatou a mudança dela para Paris e seu trabalho na Gucci. Essa coisa forte da POSSE o acompanhou durante todas as 10 temporadas da série.

Agora, imagina o TANTO de meninas que cresceram assistindo a isso (tipo eu!), achando que a Rachel era meio chata, que não dava valor aos atos românticos do COITADINHO... E a quantidade de garotos que aprenderam a não respeitar o espaço das suas namoradas. Maluquice total em horário nobre e que reprisa até hoje.

Por mim, Rachel tinha ficado no avião mesmo e estaria agora vivendo coisas bem legais na França com sua filha e sem aquele encosto. :P

| Scarlett & Rhett por Júlia Gavillan
Curioso como determinadas histórias ganham novos significados quando crescemos e amadurecemos. Durante esse processo natural, muitos livros e filmes começaram a ser vistos com outros olhos por mim. A relação entre Scarlett e Rhett, em ...E o Vento Levou entra nessa categoria.

Existe uma quantidade ENORME de problemas nesse relacionamento, como o comportamento manipulador de Scarlett, sua constante crueldade e infidelidade, as ameaças de agressão de Rhett e um estupro.

Veja bem, Scarlett e Rhett são apontados como a maior história de amor de todos os tempos. É assustador como glamorizamos relações EXTREMAMENTE disfuncionais e apontamos “amores” impossíveis (Oi, Romeo e Julieta!) como algo romântico e um ideal de relacionamento. ...E o Vento Levou se passa em 1861 e é a adaptação de um livro escrito por Margaret Mitchell lançado em 1936, gente.

Podemos entender o contexto social onde a história foi contada e a época em que o livro foi escrito, mas DEVEMOS repensar a forma como enxergamos esse casal em 2018.