Cancelamento de The Get Down mostra que nem tudo dá certo pro Netflix | Judão

Baz Luhrman confirmou o fim da série no serviço de streaming depois da sua (complicada) primeira temporada. Sense8 também não voltará.

Talvez essa notícia seja mais surpreendente por ser um cancelamento de uma série do Netflix do que o fato de um seriado ter chegado a um fim teoricamente prematuro, mas é isso: The Get Down não vai ter uma segunda temporada produzida pelo serviço de streaming.

Criação de Baz Luhrman, The Get Down não teve um caminho minimamente tranquilo até estrear, em Agosto do ano passado. Com episódios que, dizem, chegaram a custar US$16 Milhões cada um (um episódio do último ano de Game of Thrones custou US$10 Milhões, por exemplo, e qualquer coisa acima de US$6 Milhões já é considerado MUITO caro) e diversos problemas de produção, a primeira temporada acabou dividida em duas partes pra que não atrasasse ainda mais seu lançamento.

Na primeira parte, Baz Luhrman se dedicou completamente à série, servindo como showrunner, além de diretor e roteirista. Já na segunda, que estreou no mês passado, acabou se distanciando um pouco do trampo — o que, aliás, pode ser a principal razão pra que a segunda temporada não seja produzida.

Na época do lançamento da segunda parte, Luhrman disse ao Vulture que a abertura da nova temporada já até tinha sido desenvolvida. “A Sony e o Netflix estão bem focados numa segunda temporada. Não houve questões sobre isso. Eles realmente querem. O problema é, e essa é a verdade: eu nunca me vi como showrunner. Eu nem sabia o que isso era. Nós tentamos encontrar a pessoa certa pra esse trabalho, pessoas que fazem isso, e alguns eram ótimos, com boas credenciais. Mas não tava rolando. Em algum ponto, a Sony perguntou se eu poderia me envolver mais centralmente, e eu fiz. Fiz tudo o que podia pra manter a série andando criativamente pra frente e mantendo os padrões no alto”

“Quando me chamaram para ficar no centro de The Get Down e ajudar a realizar a série, eu tive de abandonar um compromisso de direção de filme por pelo menos dois anos” disse, em um post no seu Facebook, o diretor. “Essa exclusividade se tornou, compreensivelmente, um ponto importante para a Sony e Netflix, que foram parceiros e apoiadores do show. Me mata que eu não possa me dividir em dois e estar disponível (...) mas a simples verdade é: eu faço filmes e, quando se trabalha em um filme, você não pode fazer mais nada da sua vida”.

Nelson George, Grandmaster Flash e Baz Luhrman em evento de lançamento de The Get Down em Londres

Enquanto atores já se entregaram às maravilhas das histórias contadas em telinhas, ainda é muito complicado que cineastas se dediquem a elas — especialmente pessoas como Baz Luhrman, que gostam de oferecer um espetáculo, às vezes exagerado, pros olhos da galera. Deixam de importar audiência e grana, valendo a realização profissional, artística... É compreensível. ¯\_(ツ)_/¯

Não significa, porém, que esse seja o fim de The Get Down. Primeiro porque, no mesmo post no Facebook, Luhrman sugeriu um show, um CONCERTO, que chegaria aos palcos no ano que vem; segundo porque VAI QUE alguma rede de TV ou outro serviço de streaming se interessa pela ideia, independente do tamanho da participação de Baz Luhrman?

Seria no mínimo irônico. Mas é o que dá quando se resolve jogar um jogo antigo, que faz com que séries sejam canceladas, independente da DEIXA para a continuação ou não. Um jogo em que, as vezes, é preciso admitir que não deu certo, o que pode ser bastante difícil com o tanto de gente que acredita que “original Netflix” seja sinônimo de qualidade.

Atualizado!

Em 01 de Junho, a empresa de Los Gatos também anunciou o cancelamento de Sense8, outro dos seus grandes investimentos que, apesar do sucesso no Brasil, nunca chegou a fazer tanto barulho assim ao redor do Mundo. A diferença é que, pelo que vimos na primeira e ESPECIALMENTE na segunda temporada, a decisão faz sentido.

Ps.: Bloodline, outra série cancelada pelo serviço (na lista estão Hemlock Grove, Lilyhammer e Marco Polo), também tinha — ou tem, já que a terceira temporada estreia nessa sexta, 26 — episódios caros, custando em torno de US$7 Milhões cada, além de ser uma parceria com a Sony. Coincidência?