Comic con da periferia de São Paulo quer democratizar, popularizar e estimular o consumo de arte | JUDAO.com.br

Evento, que está com uma campanha de crowdfunding pra ser financiado, deve acontecer 2019 na Zona Sul da cidade

Eventos de quadrinhos sempre são lugares maravilhosos pra se estar. FIQ, Fest Comix, o Artist’s Alley da Comic Con Experience, todos existem pra que artistas sejam conhecidos, vendam suas obras e troquem experiências com o público. Mas a gente sabe bem que, cada vez mais, esse é um público que tem um poder aquisitivo alto. Ingressos custam algumas centenas de reais, comer é caro, comprar lá dentro também. E isso, como é de se esperar, acaba excluindo gente DEMAIS. A maioria, inclusive.

Nesta semana, no entanto, um projeto interessantíssimo começou a ser bastante comentado no twitter: PerifaCon. Criado por Andreza Delgado, Mateus Ramos, Pedro Brandão, Danilo Rodrigo, Giovanna de Oliveira Coelho, Josivaldo Filho, Igor Nogueira, Pedro Okuyama e Matheus Polito, o projeto é descrito como “a Comic Con da periferia”, e apareceu também com um projeto de financiamento coletivo. O JUDAO.com.br, então, resolveu conversar com um dos idealizadores pra saber melhor sobre o projeto – e te mostrar porque é MUITO importante apoiá-lo.

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Tudo começou numa conversa entre Matheus Polito, que é estudante de História na UNESP, e seu amigo sem H Mateus Ramos. Eles estavam em uma festa e pensavam, juntos, em coisas que gostariam de fazer pelo Capão Redondo, lugar onde moram em São Paulo. “Começamos a sonhar com uma editora de selo de periferia, entre outras coisas. Eu soltei a ideia de fazer um evento de sebo, chamar uma galerinha e colar para vender quadrinhos velhos e isso evoluiu para um evento com palestras e uma feira, coisa que não rola por aqui.”, disse. “Cheguei em casa na pilha, mandei mensagem para uns amigos e a gente começou a se articular.”

O projeto tem uma meta de R$2000, recompensas fodonas e a ideia de que tenha entrada gratuita pra TODO mundo poder aproveitar. “A periferia não tem muito contato com quadrinhos”, conta Matheus. “Quando tem é com uma leitura mais razoável, como Turma da Mônica e alguns super heróis, o que acaba estigmatizando essa mídia. Tem uma galera que consegue sair da bolha, mas é realmente pouca gente”. Ou seja: a PerifaCon nasce pra democratizar e espalhar a ideia de que HQs nem sempre são coisa de criança.

Segundo Matheus, o interesse pela cultura pop naquela região é bem grande, mas o jeito é pegar um dia mais barato dos cinemas ou contar com as coberturas online: “As pessoas assistem à Os Vingadores, Aquaman, acompanham as notícias da CCXP e a vinda de vários atores e autores famosos. E quem consegue ir, desfruta feliz! Quem não consegue, fica esperando o canal que segue no YouTube lançar um vídeo falando como foi o evento.”

Mas e o artistas periféricos? Polito garante que a marginalização deles é, além de um problema sério, um combustível pra que a PerifaCon exista. “Os trabalhos sobre periferia ou de pessoas daqui dificilmente são divulgados. No máximo temos o Ferréz, que é bem conhecido. Temos também a galera que fez Servos dos Servos, mas não é lá uma produção muito grande não. Por isso queremos incentivar a produção levantando a bandeira de que toda história merece ser contada”.

No final das contas, Matheus percebe na aceitação das pessoas uma chance de fazer algo MUITO necessário acontecer. Até a publicação desse texto, eles já tinham arrecadado 72% de sua meta. “Eu espero que seja algo incrível. Começou tudo modestamente, eu achava que seria apenas uma feira com uma ou duas palestras. Como fomos recebidos pelo público só mostra o quanto o que estamos fazendo é importante. É um marco. Estou muito empolgado para o que está por vir.”

A gente também empolgou DEMAIS! E, ó: pra você ajudar, é só entrar em AQUI, dar uma olhada nas recompensas e fazer sua contribuição. Caso não tenha essa grana, espalhe a ideia!

Nos vemos todos na PerifaCon 2019! ;)

Foto: ONG Ação Geral Para a Cidadania