Criando um dos monstros mais assustadores da história do cinema | Judão

Trecho do making of de Aniquilação mostra como aquele urso horrendo surgiu

Você sabia que 22 de Maio é o Dia Internacional da Biodiversidade? Eu também não. Quer dizer, eu sei agora, assim como você, porque eu te informei e antes disso a National Geographic me informou. Mas é isso, foi Dia Internacional de Biodiversidade na última terça e eu tou aqui pra falar de Aniquilação, o melhor filme sobre biodiversidade já produzido.

Tá, não é um filme SOBRE biodiversidade, essa palavra significa literalmente “conjunto de todas as espécies de seres vivos existentes na biosfera” e, aí, bem... DE ALGUMA MANEIRA é disso o que o filme fala, certo?

O urso, por exemplo, que aparece lá pro meio do filme. Uma das criaturas mais assustadoras que eu já vi em uma obra de ficção é talvez a EPÍTOME do que o diretor Alex Garland quis mostrar com esse filme, toda aquela coisa de se tornar tudo uma única coisa, que muda e tenta, de alguma maneira, sobreviver.

É urso, tem crânio humano, grita de desespero como uma humana à beira da morte e mereceu todo um trecho dos extras do filme dedicado a ele — porque, sim, a gente infelizmente teve de assistir ao filme no Netflix, enquanto nos EUA o filme foi exibido nos cinemas e, agora, está disponível em formatos digitais e, semana que vem, sai em Blu-ray.

O vídeo, que tá aí embaixo, mostra um pouco do processo de criação do bicho, que começou com uma sessão de imagens de animais doentes (“foi um dia horrível no escritório”) e terminou com uma mistura de imagens geradas por computador e efeitos práticos, numa sequência que demorou cinco dias pra ser filmada.

Homerton, como foi chamado o urso por Andrew Whitehurst, supervisor de efeitos visuais do filme — uma homenagem / referência a Paddington, o urso mais legal do universo, também vinda de uma estação de trem de Londres, ainda que bem menos... bonita — não existe no livro de Jeff VanderMeer e apareceu no roteiro de Alex Garland como a “manifestação física da genética distorcida que causa doenças e formas estranhas dentro do Brilho”.

“A gente olhou praquilo e disse ‘é horrível, é muito muito visualmente impressionante e interessante, o que podemos fazer com aquilo?'”, questionou Whitehurst, quando começaram a juntar crânios humanos com o do urso. “O resto da criatura, em termos de fisionomia, parece muito com um urso, mas pra mostrar a ideia de doença — especialmente perto da face, o crânio, a carne — atrofiamos algumas partes. Nós demos alopecia e outras doenças de pele para que a criatura parecesse que estava sofrendo” contou o cara, em entrevista à EW.

SOFRÊNCIA, aliás, é uma palavra chave quando se fala do urso. “É um animal que não sabe exatamente o que se tornou e está claramente sofrendo, e essa parte da história é importante porque você não quer algo que seja somente uma máquina de matar: você quer uma criatura que estava numa situação em que foi colocada e que não consegue lidar com isso”.

FUCK ME eu amo esse filme.

Infelizmente, nem o Blu-ray nem a versão digital de Aniquilação deverão ser vendidas nas lojas Brasileiras e, mais infelizmente ainda, o Netflix não costuma disponibilizar extras de nada no seu catálogo, nem mesmo “produções originais”.

Se você tiver interesse, vai precisar dar seus pulos, comprando o filme em alguma loja gringa. Do iTunes à Paul Rabbit’s. É com você. Mas merece.

ps. Em termos evolutivos, se os ursos fossem nossos predadores a tempo suficiente, eles em teoria poderiam falar, como o acontece com o do filme. Que coisa, não?