A cultura pop nos ajuda na tarefa de ensinar sobre empatia. Mas será que só isso basta? | JUDAO.com.br

Caçador é sentenciado a assistir Bambi mensalmente depois de ser condenado por caça ilegal de cervos

“Todo final de dia, um grupo de crianças com idades a partir dos 3 anos se reúne na escola para falar de coisa séria: seus sentimentos. É a chamada Roda do Coração, momento em que os pequenos têm a oportunidade de relatar acontecimentos que ‘deixaram o coração feliz ou triste’. Com a troca de experiências, eles são estimulados a se colocar no lugar do outro e a entender as atitudes de cada um.”

Esse é o trecho inicial dessa matéria do Estadão, que fala sobre como ensinar empatia desde a infância. Esse não é só um sentimento bonitinho de se ter: é essencial pra que a gente viva numa sociedade melhor e não saia fazendo merda por aí – mais do que já fazemos normalmente. E uma ferramenta poderosa pra aprendermos sobre O OUTRO é a cultura pop. Cinema, programas de TV, quadrinhos e tantas outras coisas muitas vezes têm momentos tristes envolvendo racismo, desequilíbrio de classes, sexismo, homofobia e outros enormes problemas sociais pra que JUSTAMENTE possamos imaginar o que se passa na vida daqueles que são diferentes de nós.

E, talvez por isso, um juiz americano sentenciou um caçador ilegal de cervos a assistir à Bambi uma vez por mês durante um ano lá em Missouri, EUA. As sessões do filme fazem parte de seu período de um ano de reclusão que, segundo o Springfield News-Leader, ele ganhou por ter sido responsável por “um dos maiores casos de caça ilegal de cervos na história do estado”. O cara, David Berry Jr., ia atrás dos cervos por colecionar suas cabeças. Ele fazia o abate, levava o que interessava e o corpo do animal ficava pra trás, apodrecendo. E o negócio tá na família: seu pai e seu irmão também foram presos por caça ilegal em agosto deste ano, além de um oooutro irmão seu ter sido pego recentemente tentando atrair a atenção de cervos.

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A notícia é curiosa e diz uma ou duas coisas sobre como nos relacionamos com os produtos culturais que consumimos. Mas, sendo honesta, não sei exatamente quanto que isso pode mudar a cabeça de um adulto já formado e CRENTE que a vida dos cervos vale pouca coisa. Mas é claro que existe ali uma tentativa de tentar apelar pra alguma HUMANIDADE.

Caaaaso você não se lembre (SÉRIO?), a mãe do Bambi é assassinada por caçadores no início do filme, deixando o filhote vagando sozinho na floresta. O objetivo, provavelmente, é lembrá-lo constantemente de que bichinhos sofrem e precisam uns do outros, assim como nós. Mas até que ponto ESSE cara pode aprender isso com Bambi? Ser de uma família violenta com costumes pouco sensíveis talvez seja maior do que as lições de uma animação. Por melhor que seja uma obra e sua mensagem, nada supera um tratamento psicológico DE VERDADE pra tentar sanar um problema desses.

Afinal, como garantir que um homem que mata de maneira desenfreada não vai ficar, na real, torcendo pro caçador, né? Pois é. ¯\_(ツ)_/¯