Damon Lindelof diz que série de Watchmen pode não ser adaptação direta... UFA! | JUDAO.com.br

E ainda sobrou um recado bem do divertido pro Alan Moore, vejam vocês :)

Olha só, não é por nada não, mas a gente tem aqui a ligeira impressão de que o Damon Lindelof é leitor do JUDAO.com.br.

Por aqui, seguimos uma ideia que acabou virando texto, batizado de “Esqueça os Quadrinhos“, que é parte do nosso CANON e invariavelmente trazemos de volta apenas para que as pessoas relembrem a mensagem principal, que reproduzimos pra facilitar: “as HQs, fora do seu universo, servem como a base das boas ideias, do celeiro de novidades – e de inspiração para as outras mídias. Apenas isso. Esqueça o que está nos gibis. Abra a cabeça. Assista ao filme, curta as séries. A história pode ser diferente, mas o importante é encontrar o personagem que você tanto gosta ali. Você pode acabar se surpreendendo”.

Em resumo: gibi é gibi, cinema é cinema, série é série. ACEITA ISSO.

Lindelof, garoto esperto que tá cuidando da adaptação de Watchmen pra HBO, também sacou isso. E num papo com o podcast Bookish with Sonya Walger, já quis deixar bem clara qual vai ser a pegada da sua versão pra obra SEMINAL de Alan Moore e Dave Gibbons. “Você já viu Fargo? Eu não chamaria a versão de Noah Hawley pra TV de uma ‘adaptação’, porque o filme existe dentro de um mundo e tudo que aconteceu em Fargo, o filme, precede a série. Ah, eles acham uma sacola de dinheiro na primeira temporada, você já pensa ‘isso veio do filme’. Mas Noah está trazendo coisas de outras áreas do cânone dos irmãos Coen, evocando coisas como O Grande Lebowski, mas ainda tem suas próprias coisas”.

Ele ainda aproveitou, então, pra fazer um jogo de palavras aqui, brincando com o fato amplamente conhecido de que Moore está cagando e andando para as adaptações de suas obras e ainda abre mão da sua parte dos direitos em prol do artista que trabalhou com ele em cada projeto. “Sim, todo mundo sabe disso. Então, estou brincando com a semântica aqui: eu não estou adaptando Watchmen”.

Se for EFETIVAMENTE levada a cabo, esta notícia é simplesmente maravilhosa.

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Porque, desde que me entendo por gente, este papo de que Watchmen poderia se tornar uma minissérie na HBO (ou, bom, qualquer outro canal com liberdade o suficiente) é o sonho molhado de 10 entre 10 fãs da obra original, muito mais do que uma megalomaníaca adaptação cinematográfica. O gibi original em 12 edições é cheio de desdobramentos, nuances, camadas, que precisariam de tempo para serem transfiguradas adequadamente. Mas, cá entre nós: precisa REALMENTE ser algo ao pé da letra? Não, né? Porque isso vai rigorosamente contra a ideia de que seria muito legal um canal como a HBO, com a LIBERDADE CRIATIVA que permite, cuidando da adaptação. Se é pra fazer idêntico ao gibi, liberdade pra quê, né?

E tem outra: a versão do Zack Snyder para os cinemas já tentou, ainda que em cerca de 2/3 da trama e com um resultado final que é bastante questionável e ainda divide opiniões até hoje, fazer esta coisa de trazer diretamente dos quadrinhos pros frames do cinema. Se é pra continuar mexendo neste vespeiro que é Watchmen, que seja tendo a chance de fazer algo NOVO aí dentro, não? Principalmente em uma mitologia tão rica em histórias paralelas? Contos do Cargueiro Negro? Talvez os capítulos de Sob o Capuz, do Coruja original?

Lá atrás, em 2015, quando surgiram os primeiros indícios de que o Snyder tava começando as conversas com a HBO, a gente chegou inclusive a falar aqui de Antes de Watchmen, as minisséries cronologicamente pré-obra Moore/Gibbons, publicadas em 2012 e com a participação de gente do calibre de Darwyn Cooke, Amanda Conner, Brian Azzarello, J. Michael Straczynski... Talvez aí esteja também uma boa fonte de inspiração?

“Precisava disso? Vimos o que aconteceu quando resolveram revisitar O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, não é?”, disse eu mesmo, quando as minis foram anunciadas. “Porque certas histórias foram criadas para ter começo, meio e fim. Simples assim”. Não que minha opinião seja TÃO diferente assim hoje. Mas quando fui LER as minis, percebi que, de alguma forma, eles não estavam ali para tentar recontar a história de Moore — e sim criar suas próprias histórias. Algumas funcionaram. E muito bem, aliás, preciso dizer. Outras não. Mas a vida é assim, né?

Talvez mostrar os acontecimentos de Watchmen sob o ponto de vista de alguém que não é um justiceiro uniformizado, meio que mudando o olhar e colocando Comediante, Dr. Manhattan e toda a galera meio que de pano de fundo? Um político, talvez? Ou então brincar com um grupo paralelo de vigilantes? Ou ainda com os vilões?

A caixinha de brinquedos tá aí. Basta não querer repetir sempre as mesmas brincadeiras de sempre.