Warner tocou o foda-se: David Ayer vai dirigir Margot Robbie em Gotham City Sirens | Judão

Ninguém dentro daquela Caixa d’Água parece estar muito preocupado com a qualidade dos seus filmes de super-herói… Ou vilãs. :P

Ainda que não seja o filme solo que tantos comentam há tempos, a Arlequina da Margot Robbie vai seguir seu caminho longe do Esquadrão Suicida, no qual era a única mulher, embarcando numa espécie de Esquadrão Suicida só com mulheres: Gotham City Sirens ou, como foram chamadas pela Panini no Brasil, as Sereias de Gotham, vai virar filme.

De acordo com a reportagem do THR, Margot Robbie será produtora executiva, enquanto David Ayer, responsável por Esquadrão Suicida, vai dirigir e produzir o filme que, baseado num tweet seu, tá fazendo muita gente dizer que Hera Venenosa e Mulher-Gato já estão confirmadas... Como se isso fosse realmente surpreendente. ;)

Gotham City Sirens é uma HQ criada por Paul Dini (que tem no currículo sucessos como Batman: The Animated Series, Freakazoid! e a série de games Arkham) em 2009. Na época, Bruce Wayne era considerado morto e Dick Grayson havia assumido o manto de Batman.

O que Dini fez foi colocar a Hera para salvar Selina Kyle de um vilão. Com a Gata ainda com limitações físicas por conta de um arco anterior, ela vai passar um tempo no esconderijo de Pamela Isley – anteriormente do Charada, e que agora ela divide com a Arlequina. Selina então tem a ideia das três atuarem juntas, como uma equipe, protegendo uma à outra. A partir daí, por 26 edições, o gibi constrói o relacionamento dessas três personagens, sempre com diferenças e semelhanças entre elas.

Não era algo inédito para Dini: além dele ser cocriador da Arlequina, é dele o roteiro de Harley and Ivy, o episódio da série animada do Homem-Morcego dos anos 1990 que, pela primeira vez, coloca Harley e Pamela como amigas, tirando a Arlequina da sombra do Coringa.

Sereias de Gotham nunca foi, particularmente, uma revista campeã de vendas. Em agosto de 2011, exatamente antes do cancelamento e do reboot da DC, o título ocupava apenas o 117º lugar entre os mais vendidos. Ainda assim, era algo interessante de se ver na linha da editora na época, principalmente porque havia menos gibis estrelados por mulheres.

Gotham City Sirens

Nos quadrinhos, também, as personagens tem muito de QUEER, uma palavra que não tem tradução exata em português com esse significado, mas que quer dizer que elas não são exatamente lésbicas ou bissexuais, mas “podem ser”. Seria uma oportunidade interessante se isso fosse explorado, no filme. Mesmo que não fosse, o fato de se focar no relacionamento das meninas já seria legal.

A questão é: conseguiremos isso com David Ayer, o diretor de Esquadrão Suicida?

Aliás, a questão pode ser até um pouco mais abrangente, se a gente considerar que Esquadrão Suicida é um filme que acompanhou Batman VS. Superman entre os desastres do DC Extended Universe em 2016. Será que ninguém parou pra pensar nisso? Será mesmo que entregar a direção desse filme ao mesmo NÚCLEO é a melhor coisa a se fazer?

Gotham City SirensQuando chamou jornalistas pra mostrar o que tava fazendo com Liga da Justiça, Zack Snyder e a Warner pareciam ter entendido o que aconteceu, assumindo erros e mostrando vontade de mudança. Até mesmo o fato de o Zack Snyder ir dirigir outra coisa antes de voltar a esse universo já mostrava uma necessidade de respiro...

Agora isso.

Mulher-Maravilha, dirigido por uma mulher, estreia no ano que vem. Poderiam parar pra respirar, pensar, olhar pra possibilidade de um filme com vilãs DEPOIS de uma heroína. A impressão que passa é que a Warner simplesmente quer usar esses personagens. Simplesmente quer colocar o máximo possível no cinema e ganhar dinheiro, nada além disso.

Porque, convenhamos, dinheiro vai ganhar. Mas será que isso é o suficiente? Não dá pra equilibrar um pouco as coisas?

Gotham City Sirens não tem nenhum tipo de data e ainda depende do filme que David Ayer tá dirigindo pro Netflix pra começar a ser produzido, mas desde já não cheira nada bem. Vamos ver no que dá.