David Hasselhoff, tesouro nacional dos EUA | Judão

Um MERGULHO na vida do pai postiço do Senhor das Estrelas, do chefe escroto do Adam Sandler, do mais eficiente salva-vidas de Malibu AND dono do KITT :D

“Quando eu o conheci, ele estava emergindo da água, tinha acabado de cumprimentar o Rock, então olhou diretamente nos meus olhos, super bronzeado, super bonitão, e só, em toda sua glória, ficou lá e disse: ‘Zac, como vai você?’. Foi um dos momentos mais legais de toda a minha vida, tipo conhecer um herói. Foi incrível”.

As palavras acima foram proferidas por Zac Efron, um dos homões da porra da atualidade, em entrevista concedida a Jimmy Kimmel sobre um homão da porra da ETERNIDADE: o ator, cantor, produtor, empresário e homem mais assistido na história da televisão segundo o Guiness, David Hasselhoff.

Imortalizado como o protagonista de séries fundamentais à cultura pop, The Hoff sacramentou-se como uma espécie de tesouro nacional extra-oficial dos EUA ao encarar seu legado oitentista AND noventista com muito bom-humor e determinação.

Nascido em Baltimore, Maryland, no dia 7 de Julho de 1952, David Michael Hasselhoff não puxou o lado artístico de seus pais. Filho de uma dona de casa e de um executivo, foi no colégio que o cara se apaixonou pelas artes dramáticas, depois de atuar numa montagem escolar de Peter Pan, aos 7 anos.

Determinado a tornar-se um grande nome da Broadway, Hoff seguiu sua vida escolar preenchendo absolutamente todos os requisitos que um estudante de sucesso pode querer, nos EUA. Formou-se em 1970 no Lyons Township High School de La Grande, em Illinois, tendo sido membro do time de oradores, presidente do coral, capitão do time de vôlei AND participado de diversas peças de teatro. De lá, passou um tempo estudando na Oakland University, até começar a cursar artes dramáticas na California Institute of the Arts – onde se formou ator, em 1973.

A carreira começou a engrenar lá pra metade dos anos 70, com seu primeiro papel na televisão, na SOAP OPERA The Young and the Restless. Paralelamente, o cara decidiu também investir numa carreira musical, lançando-se como cantor de, especialmente, covers. Sua primeira grande chance de brilhar veio um pouco depois, em 1982, com um convite do então presidente da NBC, Brandon Tartikoff.

O chefão queria David para uma nova série de ficção científica, idealizada pelo produtor de O Homem de 6 Milhões de Dólares e Magnum P.I., Glen A. Larson. Era a história de um combatente do crime modernoso, com um mullet invejável, e seu carro futurista, munido de uma inteligência artificial inacreditável. Sim, tou falando de Super Máquina.

À frente de Super Máquina, The Hoff aprendeu a dirigir tão bem quanto um dublê o Pontiac Trans-Am adaptado da produção. Ele estrelou quatro temporadas (de 82 a 86) e fincou seu nome, de vez, no imaginário popular. Graças à série, passou a fazer frequentes aparições especiais (como em Arnold, interpretando ele mesmo, mas ao lado da própria super máquina, KITT), e até teve a chance de revisitar seu personagem nos Anos 90, no filme-para-TV Super Máquina 2000.

Entre muitas coisas bacanas que ele conta em uma entrevista de 2015 ao canal theAFICIONAUTO, fica a sua visão daquilo que fez da série um sucesso: “Era um programa positivo, girava em torno de salvar vidas, não tirar vidas, e era divertido porque Michael tinha muita emoção, KITT não sabia o que era emoção, era completamente lógico e quase como um papagaio, então essa [dinâmica] era a beleza do programa, de que um homem pode fazer a diferença”.

Passado o auge de sua fama com Super Máquina (que ainda rendeu um People’s Choice Awards de Melhor Ator), entretanto, Hoff passou pelo seu primeiro momento de ostracismo na carreira, relegado apenas a participações menores em algumas séries e filmes. Foi nesse período que sua popularidade na Alemanha e Áustria começou a ganhar destaque, principalmente por sua atuação musical.

Com uma ascendência mista entre alemã, inglesa e irlandesa — além do nome chamativo — o cara já vinha agradando o público por lá com trabalhos anteriores, quando lançou seu álbum Looking for Freedom, em 1989. Munido duma mensagem certeira para um povo dividido por um grande muro, o título tornou-se número 1 nas paradas alemãs, conquistando tripla platina em vendas na Europa e proporcionando ao Hoff a oportunidade de apresentar-se de forma MESSIÂNICA em frente ao Muro de Berlim, apenas alguns dias antes de sua queda.

Sim, a música de David Hasselhoff ajudou a derrubar o Muro de Berlim. Ou quase. ;)

Também em 1989, o cara passou a integrar o elenco daquela que seria a série a enfim sacramentar sua imagem como ANÁLOGA à história da TV mundial: Baywatch ou, como dizem por aqui, S.O.S. Malibu, uma das mais longevas e bem-sucedidas das história da TV (mesmo que boa parte de seu público estivesse interessado em QUALQUER COISA, menos a trama) e ficou no ar por 11 anos, até seu último episódio, em 2001.

Estima-se que o programa tenha movimentado mais de 1 bilhão de espectadores em pelo menos 140 países, além de ter elevado o patrimônio de Hasselhoff para mais de US$ 100 milhões e embalado aí sua INCURSÃO na Calçada da Fama de Hollywood.

Mas não foi nada fácil, como contamos aqui. :)

Isso poderia ser mais que o suficiente para o Hoff aproveitar os anos pós-auge de sua vida tranquilamente, mas não para quem ainda tinha sonhos a serem realizados. Em 2000, por exemplo, os planos de estrelar na Broadway se concretizaram com a montagem musical de O Médico e o Monstro, protagonizada pelo cara. Gosto é gosto, mas por mais que o Henry Jekyll de Hassselhoff possa não ser lá muito impressionante, você há de concordar que o Hyde, PUTAQUEPARIU! :D

Aliás, também no teatro, o cara chegou a protagonizar Chicago (aquele que virou filme OSCARIZADAÇO com Richard Gere e Catherine Zeta-Jones) durante três meses, em Londres.

Do cancelamento de Baywatch até hoje, porém, The Hoff passou a capitalizar numa nova abordagem à sua própria imagem, tranformada em algo maior que a vida pelas suas séries oitentistas e noventistas e, enfim, extrapolada AINDA MAIS pela internet. Não à toa, seu personagem mais famoso passou a ser ele mesmo, em participações hilárias em filmes como Com a Bola Toda, Eurotrip, ou até Guardiões da Galáxia Vol. 2, ENTRE OUTROS – além dos papeis cômicos como outros personagens, como o chefe escroto de Click. Isso, pra não falar nas participações em programas de TV como America’s Got Talent, Dancing with the Stars ou seu próprio reality show familiar, The Hasselhoffs.

Entre as muitas outras conquistas aleatórias do Hoff, figuram em destaque interpretar Nick Fury em um horrível filme para a TV de 1998; seu Roast, no Comedy Central; ser a primeira celebridade baixável como personagem para o game Pain, do PlayStation; ter apresentado o WWE Raw em 2010; vivido o Capitão Gancho duas vezes na Broadway (e sob a alcunha de Hoff the Hook, RISOS); além, claro, seus papeis de destaque nos filmes mais recentes da saga Sharknado.

Provavelmente a epítome de toda essa zoeira com ele mesmo, um programa de TV satírico que vê Hasselhoff ir à Inglaterra tentar um resgate à sua carreira (e chamado Hoff the Record), já conta com duas temporadas. Nunca vi, mas, pelo trailer, parece digno de atenção. ;)

Agora, se o LULz totalmente dominou a carreira do cara como ator, o que seria da sua carreira musical? Na realidade, nada muito diferente. Não que Hoff tenha se preocupado em ser um cantor sério em algum ponto da vida (como seu cover de Hooked on a Feeling, revivido pelas interwebs, prova), mas é só dar play no clipe de True Survivor, música tema do genial Kung Fury, que fica óbvio o intuito de se divertir (e NOS divertir) em primeiro lugar.

“Sabe, eu acho que se alguém quer compartilhar qualquer informação sobre David Hasselhoff, está tudo bem por mim. Seja boa ou ruim, só compartilhe, porque eu aguentei muita besteira pelo nome Hasselhoff e eu não o mudei”, disse o cara sobre sua própriam MEMETIZAÇÃO, em 2014. “E é a forma que eu comecei minha carreira musical, eu e meu pai compramos um Trans-Am e o colocamos no palco. Pensamos: se ninguém quiser me ver, vai querer ver o carro. E eu transformei isso em 40 discos de ouro e platina”, completou.

Hoje, aparentemente de boaça com a vida e curtindo sua nova imagem enquanto ícone Pop da zoeira online, The Hoff ainda superou alguns problemas pessoais complicados, de divórcios litigiosos (um deles com a disputa da guarda de duas filhas, depois conferida ao ator) e o alcoolismo. Vive com as duas jovens, cinco cachorros e outros bichos no sul da California — de onde sai ocasionalmente para causar boas risadas em vídeos, filmes e séries.

Se há algo que podemos aprender com David Hasselhoff, não é muito diferente do que o grande Adam West, que nos deixou recentemente, também deixou claro: abraçar o humor e aceitá-lo como parte da diversão pode ser o caminho mais certeiro para tornar-se uma lenda. Que o diga esta memorável cena do magnífico longa-metragem conhecido como Bob Esponja: O Filme.

E lembre-se! Em tempos difíceis... WE ARE GROOT!