DC examinando seus 80 Anos de branquidão | JUDAO.com.br

Nova minissérie em quadrinhos The Other History of the DC Universe, escrita pelo premiado roteirista John Ridley, será uma reinterpretação da saga da editora não com foco em superpoderes, mas sim em “ter coragem de ser quem você é”

Vai fazer uns três anos que rola o papo de que John Ridley, roteirista premiado com o Oscar por seu trabalho em 12 Anos de Escravidão, tá desenvolvendo uma série de TV pra Marvel. O tal projeto secreto deveria ser, segundo o próprio Ridley, algo “único” dentro de tudo que já vimos no MCU.

Teve quem arriscasse que ia ser o spin-off de Agents of SHIELD, o tal do Most Wanted, que nunca saiu do piloto; teve quem colocasse as fichas na série (?) dos Inumanos mas ODIN SEJA LOUVADO QUE NÃO FOI; mas, ainda que não se tenha qualquer ideia do status desta bagaça, os últimos rumores davam conta de seria algo envolvendo a Miss Marvel (o que seria uma notícia LINDA, aliás).

Só que... nada ainda. E o segredo continua. Se é que vai virar algo, aliás.

Mas o ponto aqui é: enquanto a parceria com a Marvel na TV não sai, Ridley vai aprofundando cada vez mais seus laços com a DC no papel de roteirista de quadrinhos. Tudo começou com The American Way, minissérie com um teor altamente político, publicada em 8 edições via selo Wildstorm. Na trama, ambientada nos anos 60, o governo americano era responsável por um grupo de super-humanos chamados Civil Defense Corps, a principal linha de defesa contra invasões alienígenas, cientistas malucos querendo dominar o mundo e, claro, comunistas.

Porém, as coisas mudam bastante quando surge um novo integrante pro time, chamado New American. A grande treta da história? Ele é negro.

Este foi Ridley chacoalhando um pouco as coisas usando apenas um bando de novos heróis e em uma linha secundária de gibis. Mas agora ele ganhou a chance de mexer com a linha principal da DC, mexendo na caixa de brinquedos pra valer e revirando a mitologia da editora com a recém-anunciada The Other History of the DC Universe.

A ideia, essencialmente, é analisar os acontecimentos-chave da história da DC sob a perspectiva de heróis vindos de minorias. Ou seja: como diabos é esta coisa de ser super-herói se você não é apenas um clássico homem branco cis?

“Eu não poderia estar mais entusiasmado com a oportunidade de escavar o cânone do Universo DC através de uma grande variedade de personagens que ganharam com toda a justiça os seus lugares na mesa”, explica Ridley, em comunicado oficial. “Estou muito impressionado com o compromisso da DC de tornar a sua história tão reverente e urgente quanto ela já é naturalmente atraente e divertida para todos os seus muitos fãs”. Pois é. Uma medida bastante corajosa (que o comunicado define como uma história “que não é sobre salvar o mundo, mas sobre ter a força para ser simplesmente quem você é”), diferente dos passos que uma c e r t a concorrente resolveu dar recentemente, né?

Os personagens confirmados até o momento são Vixen, Supergirl, Katana (aquela mesma, do Esquadrão Suicida), o mago Extraño, o lanterna verde John Stewart e a policial de Gotham City Renee Montoya, entre outros. Quem conhece o mínimo do Universo DC sabe que este grupo inclui não apenas mulheres, mas também negros, latinos, orientais, gays... Em resumo, o pacote completo que enlouqueceria o conservador babaca padrão.

Ridley afirmou ainda que ele pretende se focar na vida de quem está por trás do uniforme e sua luta para encarar os desafios do mundo real. Se a gente usar a própria Montoya como exemplo, uma das protagonistas da fantástica série Gotham City Contra o Crime (Gotham Central, em inglês), escrita por Ed Brubaker e Greg Rucka para mostrar uma visão do crime em Gotham sem a presença do Batman, dá pra sacar que histórias que oferecem olhares diferentes sobre o Olimpo de deuses superpoderosos e multicoloridos da DC têm um baita potencial pra dar certo.

“Eu acho que tinha uns 10 anos de idade quando cheguei em casa, puxei um monte de gibis da sacola e lá no meio estava o Raio Negro”, contou Ridley, ao longo do painel The Many Shades of Heroism: DC Heroes Through The African American Lens, que rolou neste final de semana como parte do evento DC In D.C., em Washington.

“Era um personagem que se parecia comigo! Talvez muitos de vocês não tenham este sentimento de tirar algo da sacola e ficar impressionados com isso. Mas eu vivi tempo suficiente pra chegar numa época onde eu não tiro a surpresa da sacola, mas a vejo sendo apresentada pra todo mundo como parte do entretenimento mainstream”.

É “representatividade” que chama, né? Então.

The Other History of the DC Universe deve ser lançado no inverno americano de 2018 — considere aí, portanto, o final deste ano. O artista responsável pelas artes ainda será divulgado.