De High School Musical às comédias adultas: como Zac Efron reinventou sua carreira | Judão

O ator de Baywatch enfrentou as drogas e se tornou um dos atores de comédia mais carismáticos da atualidade

Vamos ser sinceros. Com a velocidade que a Casa do Mickey lança(va) novos talentos – a mesma em que eles vão sumindo por aí – não tinha muito como a gente TELEGRAFAR a jornada dum tal Zac Efron, depois que ele estourou como Troy, lá no ano de 2006, o mocinho de High School Musical. O garoto virou um sex symbol adolescente instantâneo, lançou tendência de cabelo escorrido com franjinha num mundo pré-Justin Bieber e ENCAPOU milhões de Caprichos e Atrevidas pelo mundo. Mas... e depois que os pelos começassem a aparecer na cara? Hoje, mais de 10 anos depois daqueles agudos de Breaking Free ao lado duma Vanessa Hudgens JOVERINA, nós sabemos.

Com olhos azuis penetrantes e um corpo que parece obra de Michelangelo, Zac Efron poderia ser qualquer coisa que quisesse em Hollywood a partir do status de Sex Symbol para TODAS AS IDADES que esse kit confere – só que, graças a uns percalços da vida e uma invejável capacidade de rir de si mesmo, o cara reinventou-se como um dos melhores e mais rentáveis jovens atores de comédia de Hollywood.

Tudo começou em 2014, seis anos depois do estrondoso lançamento de High School Musical 3, o último e mais lucrativo título da franquia. Após incursões em papeis dramáticos ora bem-sucedidos (como em Eu e Orson Welles), ora massacrados pela crítica (como A Morte e Vida de Charlie), Efron vivia um período conturbado com o que, viria a revelar, era um vício em álcool e drogas.

“Eu estava bebendo muito, muito mesmo. Nunca é uma coisa só. Quer dizer, você tem 20 anos, solteiro, vivendo em Hollywood, sabe? Tudo é dado a você”, ele contou ao Hollywood Reporter, naquele ano.

Eu não voltaria atrás em nada; precisava aprender o que aprendi. Mas foi uma jornada interessante, pra dizer o mínimo

Depois de um tempo na reabilitação, um acidente caseiro que arrebentou seu maxilar (posteriormente fixado com cabos cirúrgicos), e até uma luta contra um mendigo, de madrugada, em Skid Row (segundo ele, para proteger um amigo que teria ido discutir com o morador de rua), a maré da carreira de Efron começou a mudar com a chegada de Vizinhos às salas de cinema do mundo todo. Antagonizando Seth Rogen e Rose Byrne como um líder de fraternidade insanamente divertido e impressionantemente GOSTÁVEL, Efron apresentou uma faceta cômica praticamente inédita ao mundo (se você desconsiderar o infeliz Namoro ou Liberdade) e rapidamente provou-se eficiente em promover aquilo que os estúdios mais curtem: a diver$$$ão do público.

“Seu personagem testou incrivelmente bem, e a coisa mais comum que ouvimos do público é o quanto ele o ama nesse novo tipo de papel”, disse Peter Cramer, presidente de produção da Universal Pictures, também ao Hollywood Reporter, antes do lançamento do filme. E é real! O personagem de Efron vai do “vilão” a um dos favoritos do público rapidamente (além de ser a melhor coisa da sequência, mas logo falamos disso). Para melhorar, segundo Seth Rogen, o ator foi essencial na hora de moldar a história do filme como um todo. “Uma coisa que ele foi bastante vocal sobre, que foi bem inteligente, foi fazer um filme que não fosse só crítico à vida na fraternidade — foi algo definitivo para o filme”, explicou o barbudão.

Com pouco mais de US$ 18 milhões de orçamento, Vizinhos superou os US$ 270 milhões de bilheteria. Mais importante que isso, recebeu críticas predominantemente positivas — e quase sempre direcionadas a Efron.

Zac Efron em Vizinhos

De lá pra cá, se não agradou sempre a crítica, o ator parece ter encontrado um ponto cativo para agradar ao público em geral — algo que, na época de High School Musical, parecia difícil. Depois dum retorno moderado com o drama millennial Música, Amigos e Festa, o cara emendou uma trinca de ouro das comédias adultas recentes, capaz de dar inveja a muito Ben Stiller e Adam Sandler de outrora: Tirando o Atraso, Vizinhos 2 e Os Caça-Noivas. Se no primeiro Robert De Niro é o destaque (mais por estar jogando a carreira no caralho do que qualquer coisa) e, no último, fica difícil competir com Aubrey Plaza e Anna Kendrick, em Vizinhos 2 é Efron que brilha, injetando vida e coração no filme, da sua primeira à última cena.

Tudo isso é fruto de uma cobinação de coisas: o timing preciso do cara pra piadas; a fisicalidade invejável, que permite toda sorte de humor físico possível; e a rotina insana em que, desde aquele período complicado pós-Disney, Efron se inseriu. Trata-se dum regime frénetico de alimentação saudável, exercícios constantes, muito sono (o cara começa a se preparar pra dormir às 21h), terapia e constante atuação nos Alcoólatras Anônimos – tudo fundamental para que ele combata a ansiedade de que diz sofrer pesadamente AND mantenha-se totalmente focado nessa nova fase profissional.

“Encontrei estrutura. Isso me levou a um equilíbrio de opostos: você tira da vida aquilo que você coloca. Me dei conta que me ver pelos olhos dos outros não é viver. Eu não estava sendo eu mesmo. Muitos dos meus hobbies estavam voando pela janela”, disse o cara à ELLE, em 2015.

Atualmente um aventureiro frenético (na mesma entrevista citada acima, ele diz ter se segurado num tubarão durante 10 ou 15 segundos, durante uma viagem de férias o_O), eis que surgiu Baywatch na sua carreira, com o personagem de um campeão olímpico desgraçado que acaba virando salva-vidas. Para quem vinha aumentando a lista de estrelas com quem trabalhou nos últimos anos, um projeto desses com The Rock não poderia ser mais perfeito, não? :D

Munido também duma voz pra lá de competente (embora muita gente ainda tire um sarro por sua cantoria ter sido mixada no primeiro High School Musical — questão de tom entre composição e alcance vocal, ele afirma), além de seus talentos cômicos, o próximo grande projeto de Efron deve levá-lo, mais uma vez, para fora dessa que revelou-se uma baita zona de conforto AND sucesso. Com Hugh Jackman, ele estrelará o promissor musical The Greatest Showman, um épico musical de estilo clássico, previsto para chegar no cinemas em dezembro deste ano.

No mesmo período, estará provavelmente mergulhado nas gravações de Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile, longa no qual dará vida ao serial killer estadunidense Ted Bundy, naquele que deverá ser seu papel mais interessante e desafiador na carreira até o momento — e o mais distante de algo cômico possível.

Se antes não tínhamos como saber qual seria o futuro de Efron depois de deixar o abrigo das orelhas do Mickey, hoje já é possível ter uma noção: parece incrível, repleto de deleites pro cara AND pra gente, que fica do lado de cá da tela assistindo o RAPEIZE e torcendo para que ele revele ainda mais facetas de sucesso.

Se deu certo com o Ryan Gosling... :D