Na 10a edição In-Edit Brasil, dez documentários sobre música pra você assistir durante os 10 dias do Festival | Judão

Fizemos uma curadoria pra você, que tá em (ou tá vindo para) São Paulo, poder programar os seus próximos dias com o melhor da 10ª Edição do evento

Este ano, a edição nacional do In-Edit, um hoje tradicional festival de cinema dedicado exclusivamente aos documentários musicais surgido em 2002 na cidade de Barcelona, completa exatos 10 anos.

E justamente pra celebrar a data, a gente mergulhou na programação do In-Edit Brasil 2018 e separou 10 destaques, um por dia até o final do evento, pra você poder curtir deliciosas e comoventes histórias gringas e brasileiras sobre punk, rap, metal e a porra toda. Sobre manos e minas que fazem a diferença com o seu som. E sobre tudo que está em torno da música que, afinal, nunca é SÓ uma mera canção.

Se você é de São Paulo (ou vai estar de passagem pela cidade), não perde tempo e se liga na agenda — começando a partir desta sexta-feira, dia 8.

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

| Headbanger Voice – A história da Rock Brigade
Dia 08 de Junho, às 19h30, no Matilha Cultural (R. Rêgo Freitas, 542)
Dirigido por Wladymir Cruz e Marcelo Colmenero

Tudo começou em 1981, como um fã-clube de fãs de metaaaaaaaaaaal, apenas pra sócios, uma galera que se encontrava pra conversar sobre suas bandas favoritas e trocar fitas cassete, muito antes do Spotify e do MP3 existirem. Aí a iniciativa virou fanzine e depois virou uma revista, que durante ANOS foi a mais importante publicação brasileira sobre rock pesado. Com as participações de Andreas Kisser, João Gordo, Márcio Baraldi, Ricardo Batalha e até da Tarja Turunen, ex-Nightwish.

| Meu Tio e o Joelho de Porco
Dia 09 de Junho, às 17h, no Spcine Olido (Av. São João, 473)
Dirigido por Rafael Terpins

O tio do diretor do filme, Tico Terpins, é mais do que aquele tiozinho gente boa mas meio esquisito que todo moleque curte ter na família. Ele também era roqueiro. E, no passado, foi vocalista/guitarrista de uma das bandas mais importantes e ao mesmo tempo subestimadas do rock paulistano setentista, um certo Joelho de Porco, expoente do punk nacional com uma pitada forte de bom humor. E aí que o Rafael resolve ir atrás das verdades e lendas sobre a banda.

| Chavela
Dia 10 de Junho, às 19h, no CCSP (Rua Vergueiro, 1000)
Dirigido por Catherine Gund e Daresha Kyi

Talvez você não saiba muito da vida de Isabel Vargas Lizano, cantora nascida na Costa Rica mas que se tornou lendária no México atendendo pelo nome de Chavela. Só que deveria. E esta é a sua chance de conhecer uma mulher de espírito indomável, que tocava o gênero popular mexicano que atende pelo nome de ranchera, que fez fama nas ruas, bebendo, fumando e andando com sua arma pra lá e pra cá, dona de uma voz áspera e cheia de atitude. Redescoberta por Pedro Almodóvar, ela se tornou um ícone depois dos 80 anos, quando também se assumiu lésbica. Mulherão da porra.

| Você Não Sabe Quem Eu Sou
Dia 11 de Junho, às 21h, no CineSesc (R. Augusta, 2075)
Dirigido por Alexandre Petillo, Rodrigo Cardoso e Rogério Corrêa

“Se eu tivesse uma banda, eu imitaria o Nasi”. É assim que começa o trailer deste documentário sobre o icônico vocalista do Ira! e cosplayer oficial de Wolverine véio. E, pô, faz um sentido do caramba. Qualquer adolescente aspirando ao cargo de líder de uma banda de rock se inspiraria num sujeito cheio de estilo, alternando ares de gente boa e encrenqueiro. Depoimentos de gente como André Barcinski, Edgard Scandurra, Ricardo Gaspa e até de um maluco aí cujo nome eu esqueci.

| Asfalto – 25 anos de Dead Fish
Dia 12 de Junho, às 19h, no Spcine Olido (Av. São João, 473)
Dirigido por Marcos Okura e Caio Rodriguez

Ex e atuais integrantes se juntam pra contar os bastidores de uma das maiores bandas de hardcore do Brasil, um bando de malucos que ralaram pra caralho saídos diretamente de Vitória, lá no Espírito Santo, pra conquistar o país, ainda que num flerte entre underground e mainstream que nunca se resolveu (e, bom, ainda bem. no fim). Mas sem perder a identidade e, principalmente, sem se dobrar, sempre cheios de opinião. Como tem que ser.

| The Allins
Dia 13 de Junho, às 17h, no Spcine Olido (Av. São João, 473)
Dirigido por Sami Saif

GG Allin foi um verdadeiro ícone punk — mas do tipo bem controverso, para o bem e para o mal. O cara gravou com gente pra caralho, era respeitado, mas quando subia no palco incorporava uma coisa que não tinha controle, uma força do caos que chegava a atacar as pessoas na plateia, numa mistura de coprofagia (SÉRIO) e automutilação. Sua vida cheia de excessos, com letras polêmicas e uma obsessão por serial killers, o levou a uma overdose de heroína. Mas este documentário não é sobre ele. É sobre sua família. E o que ficou de lembranças e cicatrizes para trás.

| Pesado – Que Som É Esse Que Vem de Pernambuco
Dia 14 de Junho, às 15h, no CCSP (Rua Vergueiro, 1000)
Dirigido por Leo Crivellare

Sempre que a gente fala de heavy metal no Brasil, acaba pensando em São Paulo ou, quando muito, nas cenas fortes de Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mas e se o mapa subir e a gente for lá pra Pernambuco? É esta análise que o cineasta faz da quebradeira cheia de fúria em uma terra tão multicultural quando a que fez surgir o manguebeat, por exemplo. E quer saber o mais legal? Enquanto tem uns cabeludos radicais que querem distância de suas raízes, tem outros que curtem o quanto a batida do forró pode deixar seu som ainda mais radical e intenso.

| As Mina na Batalha
Dia 15 de julho, às 19h30, no Matilha Cultural (R. Rêgo Freitas, 542)
Dirigido por Grazie Pacheco

Desde 2013, na praça da Igreja Matriz em São Bernardo do Campo, rola a Batalha da Matrix, um evento aberto, na rua, microfones abertos pros MCs batalharem. Mas em 15 de março de 2016, em comemoração ao Mês da Mulher, foram somente as minas que tomaram conta da parada — e este doc curta-metragem é o registro deste momento histórico, uma roda feminina que mostra o poder de uma mulherada foda da periferia, que não tem papas na língua e tá com o discurso afiadíssimo pra metralhar tudo ao seu redor com rimas certeiras.

| Queercore: How To Punk A Revolution
Dia 16 de julho, às 19h, na Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207)
Dirigido por Yony Leyser

Nos anos 80, dois jovens gays tavam muito putos com os rumos que o movimento militante LGBT tava tomando. Aí que, inconformados, Bruce LaBruce e GB Jones se inspiraram na rispidez e no do it yourself do punk e resolveram criar sua própria revolução. Surgia o Queercore, que se tornou um fenômeno global underground de música, mas também de zines, manifestos, festivais e, principalmente, de revolução.

| Stop Making Sense
Dia 17 de Junho, às 20h30, na Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207)
Dirigido por Jonathan Demme

A pequena cereja do bolo, um show ao vivo dos Talking Heads registrado por Jonathan Demme em 1983, ao longo de três noites no Hollywood’s Pantages Theater. Uma verdadeira loucura experimental com um visual DISRUPTIVO para a época — da iluminação ao terno de David Byrne que, por algum motivo, vai aumentando desproporcionalmente de tamanho ao longo da performance, a ponto de se tornar ridiculamente gigante. E, de alguma forma esquisita, tudo faz um baita sentido.