Diluir Grace and Frankie foi uma péssima ideia | JUDAO.com.br

Uma das séries mais diferentes e interessantes do Netflix voltou. Mas está parecendo um suco aguado demais.

Grace and Frankie é um seriado que comecei a assistir por ter me apaixonado pelo elenco. Jane Fonda, Lily Tomlin, Sam Waterston num papel super vulnerável e Martin Sheen de um jeito que nunca vi. Eu já mencionei Jane Fonda? Jane Fonda! Foi com eles que eu descobri que nunca tinha pensado no que faria quando a velhice chegasse.

Caaaaso você não se lembre da premissa original, pode ler a resenha da primeira temporada aqui mas, basicamente, Grace e Frankie sempre conviveram juntas por serem esposas de dois grandes advogados que, muitas décadas depois, resolveram contar que eram BEM MAIS QUE BONS AMIGOS há anos e que queriam finalmente viver sua história de amor. As duas se veem forçadas a conviver ainda mais depois de tudo e acabam criando um laço muito peculiar de amizade e companheirismo.

O mote desse novo capítulo, que chegou ao Netflix na última sexta (18) é simples: “foda-se”. É algo que elas repetem MUITO, mas essa coisa toda acaba ficando um pouco sem sentido lá pro meio, mas essa quinta temporada traz um outro assunto muito mais importante: brigas. Dedo na cara, bateção de porta, intromissão, o sentimento de precisar se defender de alguém. Fisicamente, emocionalmente, socialmente. As personagens não passam UM SÓ episódio sem se meter numa discussão SÉRIA, seja com um funcionário na prefeitura, seja em casa, com os filhos, a amiga ou o marido. É a vez em que mais vimos aquelas pessoas fazerem MERDA. Colocando carros na frente dos bois, sendo precipitadas, impulsivas, agindo e só pensando nas consequências quando tudo já foi pro vinagre. São levantadas ótimas questões ali, mas mesmo com TODO esse potencial de um novo tópico, as resoluções de conflito nunca foram tão… ruins.

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Tudo começa na doideira: os filhos das duas venderam a casa onde elas moravam e elas resolvem fazer uma ocupação e não sair de lá nem fodendo. É algo que começa bem, colocando ali mais uma vez a ideia de que pessoas com mais de 70 anos não estão doentes ou incapazes só por terem AQUELA idade. Acontece um novo questionamento sobre como nós pensamos em idosos e em mulheres idosas, tudo muito bom... mas com um final de conflito fraco. Feito pra ser cômico, mas ficou murcho perto das outras grandes respostas de problemas que já rolaram, como o arco em que Grace reencontra um amor antigo, Phil (Sam Elliot), ou quando Robert (Martin Sheen) tem um problema cardíaco muito sério.

Os filhos dos casais nunca foram tão decorativos. As histórias envolvendo esse núcleo são rasas e monótonas, com exceção de Brianna (June Diane Raphael) em um certo momento que envolve a mãe e a empresa. Até mesmo o Bud (Baron Vaughn), que vai SE CASAR na temporada, fica meio apagado, aparecendo de vez em quando e brilhando só uma ou duas vezes em momentos que tem a ver com os sogros.

Difícil decifrar ao certo o porquê de terem diluído TANTO as coisas. Existiam ali chances ótimas de aprofundamento, de discussões sobre relacionamentos diversos e quais são os critérios pra algo ser prioridade quando você não é jovem. A reflexão sobre o comportamento das duas – e de vários outros momentos problemáticos daria algo LINDO sobre família, amigos, amor e como cada um decide encarar isso. Mas dessa vez preferiram ficar mais no rasinho. Tem sim momentos bons, é claro, mas nada tão marcante como os episódios dos últimos quatro anos. :/

A série já foi renovada para sua sexta temporada. Ficamos torcendo pra que eles reencontrem aquele caminho que nos fazia rir e refletir bastante – ou que inventem um novo MUITO melhor.