HQs pra ler ANTES de ver o filme do Shazam!, de acordo com o diretor do filme | JUDAO.com.br

No Twitter, David F. Sandberg sugere a um seguidor aquele que seria um bom ponto de partida pro personagem — o que já parece um indício do caminho que a produção deve seguir

Quem acompanha o JUDAO.com.br, temporada depois de temporada, já tá mais do que acostumado a ver a gente falando aqui sobre gibis pra se ler DEPOIS que cê assiste a um filme baseado em uma história em quadrinhos. É um tipo de matéria que se tornou um verdadeiro clássico destes que vos escrevem, pelo qual somos cobrados por TRANSEUNTES que nos param na rua pedindo, uma coisa louca.

Esta semana, no entanto, um diretor de cinema foi no caminho inverso e deu a dica, pra um de seus seguidores no Twitter, de uma HQ a ser lida ANTES do filme, pra entrar no clima. Um filme, no caso, que o tal do diretor nem começou a rodar ainda — segundo consta, os trabalhos começam só no início do ano que vem, lá no agora ampliado Pinewood Toronto Studios.

Tamos falando de David F. Sandberg, que atende pela ALCUNHA de @ponysmasher e que depois do HYPADO Quando as Luzes se Apagam, será responsável pela versão cinematográfica do Shazam!, outrora conhecido como Capitão Marvel (um nome que creio que você entende bem por qual razão foi abandonado, ainda mais agora).

“Não sou o maior leitor do Shazam! mas tô na pilha pelo filme”, admite o fã Kayleigh Wallace. “Que título você me recomenda pra começar?”. E aí que o David mandou o lindíssimo encadernado Shazam!: A Celebration of 75 Years, lançado lá fora em 2015 pra celebrar os (AH VÁ!) 75 anos do herói, com histórias que iam desde a sua primeira aparição, na Whiz Comics #2 de 1940 publicada pela Fawcett Comics, até tramas escritas por Geoff Johns, na época em que sua origem foi revisada e adaptada, entre 2012 e 2013.

Sandberg foi espertão, claro, e apostou no certo, jogou garantido e mandou ver numa coletânea com mais de 20 histórias, em sua maioria clássicas. Maaaaaaaas... se você souber ler as entrelinhas, muito do que tem ali tem um tipo de CLIMA que, se for influenciar de fato o trabalho do cineasta, vai nos entregar talvez o filme mais leve, solto, divertido e cheio de humor dos DC Filmes até agora.

Criado pelo desenhista CC Beck e pelo roteirista Bill Parker, basicamente o tal mortal mais poderoso da Terra é Billy Batson, um garoto órfão, originalmente com 12 anos de idade (isso variou bastante ao longo dos anos), que morava na rua. O moleque acaba sendo encontrado por um misterioso mago que vive num lugar ainda mais misterioso nas estações abandonadas do metrô e ganha a chance de se tornar seu sucessor na luta contra o mal. Ao pronunciar a sigla SHAZAM, ele ganha a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio, tudo num corpo de adulto bonitão e de queixo quadrado. Nascia aí um verdadeiro sucesso de vendas, que chegou inclusive a ECLIPSAR uns tais Batman e Superman.

Obviamente que viria aí o processo da Detective Comics (aka National Comics Publications, National Periodical Publications e mais tarde DC Comics), alegando que o Shazam era uma cópia descarada do Superman. A parada foi pros tribunais depois de sete anos, primeiro dando a vitória pra Fawcett, depois pra National/DC e enfim tirando o personagem de circulação como parte de um acordo em 1953. No meio do caminho, surgiria até um certo Marvelman/Miracleman, que se transformava falando “Kimota!”, mas isso é outra história.

Nos anos 60, com o revival dos super-heróis na Era de Prata, Carmine Infantino quis trazer o Shazam de volta, licenciou o dito cujo e, BOOM!, a família de heróis da Distinta Concorrência ganhava mais um integrante.

“Família” era mesmo a palavra-chave dos gibis do homem com o trovão amarelo no peito. Além de Mary Marvel e do Capitão Marvel Jr., versões adolescentes do herói que não envelheciam ao invocar a palavra mágica, um de seus melhores amigos era Tawky Tawny — que, bom, era nada menos do que um tigre falante — isso, um tigre que andava por aí de chapéu, paletó listrado e bengala, JURO. Além disso, seus grandes inimigos eram o cientista maluco conhecido como Doutor Silvana (no original, apenas Sivana) e o Sr. Cérebro. Este era um caso à parte: uma espécie de lagarta verde de óculos que falava com os seres humanos usando um amplificador de voz, JURO DE NOVO.

A galhofa estava o tempo todo presente aqui, sem se levar tão a sério quanto os seus pares na época. O Shazam não combatia ameaças MUNDANAS como ladrões de banco: o lance de suas histórias era o esquisito, o bizarro, o que ninguém podia imaginar. A estratégia acabou de alguma forma replicada no serial P&B de 1941, Adventures of Captain Marvel, uma das primeiríssimas adaptações de super-heróis EVER exibida nas matinês cinematográficas, e ainda na série de TV live-action exibida entre os anos de 1974 e 1977 na CBS, na qual o nosso intrépido herói viaja pelo país em um trailer, parando para confraternizar com os locais e combater o crime de cidade em cidade.

O clima pode estar todo por aí, fato. Mas se você prestar bastante atenção no elenco escalado até agora e nos respectivos personagens que viverão, no entanto, vai sacar que em termos de TRAMA, muito provavelmente este Shazam deve ser muito mais inspirado na versão dos Novos 52, ainda atualmente a versão cronológica com a qual a DC vem trabalhando (e que, veja só, é apresentada no final do encadernado que o Sandberg indicou). Já sabemos que Asher Angel (o Jonah da série adolescente Andi Mack) será o Billy, que se transforma no Shazam vivido por Zachary Levi. Pois bem.

No gibi, Billy tem 15 anos e, um rebelde/arrogante por natureza, fica mudando de lar adotivo o tempo todo. Até que ele cai numa casa com CINCO irmãos, todos também órfãos recentemente adotados. Destes cinco, pelo menos quatro já tão escalados (Jack Dylan Grazer como Freddy Freeman, Ian Chen como Eugene Choi, Jovan Armand como Pedro Peña e Grace Fulton como Mary Bromfield). Faltaria apenas a pequena e empolgadíssima Darla Dudley. Esta semana, já foi confirmado até o nome de Cooper Andrews — o Jerry de The Walking Dead — como o pai adotivo da casa onde eles todos moram. Ou seja... ;)

A grande diferença aqui é que, depois de ser escolhido pelo grande mago moribundo, temos DE FATO um adolescente empolgadíssimo por ter a chance de se transformar num adulto fortão e cheio de poderes (a ponto de dar um apavoro nos valentões da escola e ainda tentar descolar uma grana com suas novas habilidades) e que descobre que pode compartilhar suas habilidades com os cinco irmãos de quem vai, eventualmente, aprender a gostar. Com eles e com o Tawny, um tigre do zoológico local. Que não fala, não usa chapéu e nem paletó.

Seu primeiro grande desafio enquanto super-herói? É justamente quando o Doutor Silvana (que, segundo consta, será vivido no filme pelo Mark Strong – o que configura uma escolha SENSACIONAL) libera de sua TUMBA um guerreiro ancestral místico chamado... Adão Negro. Aquele mesmo papel para o qual já tem um certo ator escolhido tem um tempão.

Respondendo às perguntas dos fãs no Reddit, David F. Sandberg já tinha dado uma resposta substancialmente interessante sobre o caminho que quer seguir — e, por mais que seja um tanto genérica, parece caminhar em direção ao que Johns fez lá atrás. “Este projeto fala sobre a realização de sonhos. Porque é isso: que garoto não quer ser o Superman? Este é um garoto que basicamente CONSEGUE se transformar no Superman”.

Se, conforme Liga da Justiça estabeleceu nesse universo, o mundo todo não só conhecia como reverenciava o Homem de Aço, chorando copiosamente a sua morte, dá pra dizer que um de seus fãs era um moleque de nome Billy Batson? ;)

Shazam! tem estreia prevista pra Abril de 2019.