Início da nova Doctor não poderia ser mais maravilhoso | JUDAO.com.br

A 13ª encarnação do personagem britânico mais amado começa sua nova era com o pé direito

Quando Steven Moffat anunciou que seu tempo como showrunner de Doctor Who havia acabado, foi um choque para muitos fãs que não conseguiam ver o futuro da série sem ele. Em seus dez anos assumindo esse papel, Moffat criou histórias fantásticas e conseguiu introduzir com sucesso a tradicional série britânica nos EUA. Apesar do inegável êxito ao modernizar as histórias do Senhor do Tempo, Moffat nunca seria responsável por apresentar ao mundo a primeira Doutora.

Reconhecida pelo Guinness como a série de ficção científica televisiva mais longa do mundo e como a “mais bem sucedida” série de ficção científica de todos os tempos – desculpa, Star Trek -, Doctor Who nasceu em 1963 e o personagem vem sendo idolatrado por gerações. Como bem sabemos, idolatria atrai resistência quando qualquer nova ideia é introduzida. Mas que bom que existe Chris Chibnall, o novo showrunner da série.

Pela primeira vez em 55 anos, o Doctor está sendo interpretado por uma mulher e é impossível não ver a importância dessa mudança tanto para os fãs da série, quanto para a cultura pop. Em meio ao necessário movimento por igualdade de gênero e igualdade racial no entretenimento, é importantíssimo que um personagem reconhecidamente masculino seja assumido pela atriz Jodie Whittaker. E ela não decepcionou no primeiro episódio da 11ª temporada, porque o mais importante no personagem é a preservação da sua essência, não do seu gênero.

Chibnall e Wittaker conseguiram responder com classe às críticas iniciais dessa escolha. “Há esse momento, quando você tem certeza que está prestes a morrer. E então você nasceu. É aterrorizante.” A 13ª Doctor descreve a sensação de ser uma estranha dentro de si, dividida entre a sombra de quem já foi e o novo chamado de quem ela pode – e precisa – ser.

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Mas, logo em seguida, como uma boa Doctor, ela retira dos seus ombros o peso de sua própria frase, quando lembra para si – e para o público – que o mundo está em jogo e seu papel é mais importante do que quem o interpreta. “Quando as pessoas precisam de ajuda, nunca me recuso.”

Nesse primeiro episódio, The Woman Who Fell to Earth, que o JUDAO.com.br já assistiu, a Doctor de Whittaker destrói uma fronteira invisível que tradicionalmente existe na ficção científica. As histórias do gênero normalmente colocam as mulheres em papéis mais científicos, oferecendo dons tecnológicos ou até mesmo sobrenaturais para “justificar” sua presença ali. A proteção de suas integridades físicas ficam a cargo das figuras masculinas da história.

Só que a especialidade do Doctor nunca foi o combate físico, preferindo ganhar dos seus inimigos com pura inteligência. E, apesar de ser alienígena, a melhor característica do personagem é ser extremamente humano, e isso se mantém muito vivo no início dessa nova era.

Como em todos os episódios de regeneração, existe uma confusão óbvia em entender seu próprio corpo e lembrar de detalhes importantes sobre quem é. Conhecemos novos companions, novos inimigos – que são incríveis! – e sequências de ação empolgantes e convincentes. Assim como todos os outros, a 13ª Doctor de Whittaker tem sua própria personalidade, mas também carrega resquícios do seu passado e não é difícil encontrar a esperança de 10º Doctor de David Tennant e a excitação do 11º Doctor de Matt Smith. Sua interpretação é borbulhante, brincalhona e extremamente carinhosa, seguindo o caminho completamente oposto do 12º Doctor de Capaldi. Mas mesmo assim, suas reflexões e os focos de maturidade no episódio também lembram bastante o Doctor anterior.

Enquanto o 12º Doctor era mais reflexivo e a série era mais focada em um roteiro consistente recheado de discursos e análises do personagem, Whittaker parece uma mistura entre bons diálogos e ótima ação. Ela é ousada e esperançosa – outra diferença em relação à Capaldi -, mas também tem seus momentos de esquisitice. Talvez por conta da regeneração recente, a 13ª Doctor pareça mais alienígena que o último Doctor.

Consciente da importância dessa mudança, Chibnall conseguiu transformar o momento em que Whittaker diz a tradicional frase “I’m a Doctor” em algo extremamente emocional, mas sem apelar para o excesso de melodrama. A cena tem o tom certo para emocionar quem esperou por esse momento por tanto tempo. O episódio ainda rendeu outros momentos extremamente emocionais envolvendo seus novos amigos – palavras da Doctor – e também ao nos mostrar que essa temporada seguirá um caminho mais obscuro do que as temporadas anteriores.

Sim, esse ainda é o primeiro episódio e a série pode decair consideravelmente até o final da temporada, mas começou mostrando que novas histórias serão contadas, mas uma nova pessoa incrível nos contará.

Sempre digo que o meu Doctor Who favorito sempre é quem está atuando naquele momento, mas agora tenho um orgulho maior em poder dizer isso. ;)

Além da Doctor, Chibnall também apresenta três excelentes – e diferentes! – companions: Ryan Sinclair (Tosin Cole), um jovem de 19 anos que sofre de dispraxia, um transtorno de desenvolvimento infantil caracterizado por dificuldades motoras; seu avô Graham, e seu amiga e jovem policial Yasmin Khan (Mandi Gill). Como todos os Doctors anteriores já nos ensinaram, o Senhor do Tempo precisa de companions que o lembrem o que é importante e esse primeiro episódio já conseguiu fazer esse papel.

Com a responsabilidade de introduzir a Doctor e criar novas e intrigantes histórias, a BBC mudou o formato dos episódios dessa nova temporada. Enquanto a última de Capaldi teve 14 episódios, a 11ª terá dez episódios, o primeiro com 65 minutos e os outros nove com 50 minutos, além do tradicional especial de Natal. Essa mudança de formato foi uma ótima decisão, porque o novo showrunner pode introduzir com calma novas histórias para esse universo já estabelecido.

Sempre digo que o meu Doctor Who favorito sempre é quem está atuando naquele momento, mas agora tenho um orgulho maior em poder dizer isso. ;)