Dois filmes pra te ajudar a entender a discussão sobre armamentos nos EUA | Judão

E um, só prá constar, pra não te deixar esquecer o que é que tá acontecendo no Brasil nesse exato momento momento

Na semana passada, no 6o ataque armado a uma escola nos EUA de 2018 com vítimas (sim, sexto fucking ataque com vítimas em ESCOLAS só NESSE FUCKING ANO), dezessete pessoas foram mortas, entre estudantes e professores. A narrativa seguia o caminho comum que essas histórias seguem, com a internet pedindo PELO MENOS controle na venda de armas, os políticos dizendo que “bom, não é bem assim” e aquela galera imbecil vomitando aqueles chorumes de que armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas, não sei o que.

Como bem disse o John Oliver no primeiro Last Week Tonight dessa temporada, a diferença dessa vez é que os sobreviventes do ataque — portanto, crianças e adolescentes em sua maioria, pessoas que têm a real possibilidade de mudar o mundo em que vivemos — não se calaram. Aliás, não só não se calaram como estão falando pra caralho, colocando esse pessoal contra a parede, dia após dia.

O Trump até recebeu alguns estudantes na Casa Branca e escreveu num papel que ele deveria dizer “I hear you”. 👍

Tudo isso tá fazendo com que essa história não acabe e siga esquecida como a enorme maioria das outras e, por isso mesmo, gostaria de recomendar dois filmes muito interessantes que explicam MUITO do que tá acontecendo: Obrigado por Fumar e Armas na Mesa (ou, pra quem preferir, Miss Sloane).

Nenhum dos dois é baseado em histórias reais, mas não surpreenderia se fossem — especialmente pelo absurdo das situações. Ambos são bastante focados no quanto indústrias nocivas às pessoas gastam, de dinheiro e palavras, pra desacreditar ideias ÓBVIAS como “cigarro causa câncer de pulmão”. Obrigado por Fumar é em um tom mais de sátira, aquele humor que te faz rir de nervoso, especialmente pelo fato de você estar rindo em primeiro lugar.

Miss Sloane, por sua vez, é um filme muito mais sério, drama mesmo. Não tem nada de engraçado e em momento algum tenta se parecer com sátira... Mas envolve também empresa de lobby tentando mostrar que as armas são inofensivas — ou, no caso, tentando derrubar um projeto de lei que aumentaria os “background checks” de quem comprasse armas.

Por tentar se focar nas mulheres, Elizabeth Sloane (Jessica Chastain) não aceita a proposta do representante dos fabricantes de armas (que, se você quiser fazer um paralelo ainda maior com a vida real, seria a tal da NRA) e acaba indo trabalhar na firma de lobby rival, que tenta APROVAR a tal lei.

Aqui, independente do lado, você acaba sentindo um nojo enorme pelo que os tais lobistas acabam fazendo. Mas, acima de tudo, sente uma repulsa inigualável por quem usa desse EXPEDIENTE pra tentar vender mais armas.

E então que o nosso presidente vampirão decretou intervenção militar no Rio de Janeiro. Eu me lembro de, quando o impeachment foi confirmado, ter postado no twitter aquele GIF de Star Wars: A Vingança dos Sith da Senadora Amidala dizendo que “é assim que a liberdade morre... com aplauso barulhento”.

Pois bem. Se você prestou um mínimo de atenção em Star Wars (a saga inteira, no caso), talvez não esteja se surpreendendo com o que tá acontecendo, ainda mais se trocar “aplauso” por “panela”. No máximo tá faltando uma Aliança Rebelde, mas parece que tá todo mundo anestesiado, tentando não acreditar... Pode ser tarde demais? Pode. Deve ser. Mas ficaí a dica cultural, só pra ninguém dizer que tou falando de outro País e esquecendo do Nosso.