Dumbo é doce como a boa e velha Disney | JUDAO.com.br

A melhor direção de Tim Burton em muuuuitos anos

Sempre que vejo um filme que tem como foco o público infantil, penso em como meu primo Gabriel, de oito anos, se sentiria vendo essa história. Ele sempre é extremamente sincero nas suas emoções e não se preocupa em rir, chorar e falar abertamente sobre o que gostou ou não gostou. Foi assim que eu assisti à Dumbo, novo live action da Disney.

Dirigido por Tim Burton, Dumbo é uma reimaginação do clássico do Disney lançado em 1942, baseado em uma história escrita por Helen Aberson e Harold Pearl e ilustrada por Helen Durney. Sendo uma reimaginação, e como não poderia deixar de ser, o novo Dumbo segue um caminho completamente diferente da animação original, apesar de abordar a mesma temática — um elefante bebê que só quer estar com a mãe.

Focando bastante nos humanos, Dumbo começa com o dono de circo Max Medici (Danny DeVito) convidando seu ex-astro Holt Farrier (Colin Farrell) e seus filhos Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins) para cuidar de um elefante recém-nascido, que teoricamente seria o filhote mais bonito do mundo e se tornaria um trunfo para o circo, mas acaba sendo ridicularizado por suas enormes orelhas. Mas quando descobrem que Dumbo — apelido pejorativo que vem de “Dumb” ou algo como burro, em português — sabe voar, o circo retorna ao estrelato e atrai a atenção do bem sucedido empreendedor V.A. Vandevere (Michael Keaton), que consegue um acordo para conseguir o peculiar elefante em seu novo e gigantesco empreendimento: o Dreamland, uma espécie de parque da Disney focado apenas em atrações de circo. Com uma nova companheira de voo chamada Colette Marchant (Eva Green), Dumbo só tem o desejo de reencontrar sua mãe, que acabou sendo vendida pelo circo.

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Dumbo é uma produção extremamente caprichosa estrelada por um elefante inteiramente feito em CGI, mas que carrega um enorme coração. Diferente da tristeza enraizada na versão original, a versão em live action conduz uma história muito bonita sobre relações familiares, tanto de Dumbo com sua mãe, quanto das crianças Farrier com seu pai, um recente combatente na Segunda Guerra Mundial.

Bastante focado em manter a atenção e ganhar o coração do público infantil, Dumbo conta uma história muito simples e sem grande profundidade nos personagens. E também é um conto muito doce e emocionante, caso você esteja disposto à isso. Diferente de A Bela e A Fera, apenas um live action com a narrativa original do início ao fim, Dumbo tem liberdades criativas muito necessárias, principalmente porque a história é focada no ponto de vista dos humanos, constantemente decidindo o destino do personagem principal. Essa perspectiva de todos os personagens humanos acaba expandindo a história e nos aproximando mais deles do que necessariamente de Dumbo e seus grandes olhos chorosos. Essa foi uma boa sacada, porque um personagem que não fala e é feito inteiramente em CGI dificilmente manteria a narrativa interessante e o foco do público com apenas seu olhar.

Com a maior parte da carga dramática nas costas dos humanos, os atores ganharam espaço para explorar seus personagens e brilharem – destaque para Michael Keaton e Danny DeVito, ambos aparentando se divertir com seus personagens e entregam atuações bem acima dos outros atores.

Mas a mudança mais importante e significativa está na clara mensagem pró direitos dos animais embutida no roteiro escrito por Ehren Kruger e na direção de Burton — sua melhor em anos, depois de fracassos como O Lar das Crianças Peculiares, Sombras da Noite e o equivocado Alice no País das Maravilhas, sobrando apenas o stop motion Frankenweenie pra se salvar em sua filmografia recente –, não deixando dúvidas que estamos em outros tempos e animais encarcerados não são diversão para humanos.

Dumbo é uma mistura de diversão e emoção que fará adultos saírem com o sorriso no rosto e crianças chorarem com a doçura de um elefante que só quer estar com a mãe. Já aguardo ansiosamente os comentários do Gabriel sobre esse filme.