Duran Duran fez no Lollapalooza um dos shows da minha vida | Judão

Cabeça da trindade do New Romantic dos Anos 80, Duran Duran recheou de hits um dos melhores shows do Lollapalooza Brasil 2017

Da trindade de bandas oitentistas do New Romantic, a Duran Duran é sem dúvida a mais bem-sucedida, dando uma lavada em matéria de número de hits nas igualmente sensacionais A-Ha e Tears for Fears. Por isso, pra quem viveu o boom dos caras há mais de três décadas ou, como eu, é um jovem tiozão que cresceu ouvindo Alpha FM e Antena 1 ao lado do pai, era deles um dos shows OBRIGATÓRIOS deste Lollapalooza Brasil 2017.

E que BAITA show!

Depois dum atraso de sete minutos, o grupo britânico subiu ao palco como Clint Eastwood no terceiro ato de Os Indomáveis, ignorando a idade avançada e atirando antes de perguntar. Diferente de outras grandes atrações, como Metallica, os caras resolveram não deixar seus maiores sucessos para meio e fim do show, e já coeçaram a brindar o grande público que se reunia no palco Ônix com The Wild Boys, Hungry Like the Wolf e, para muitos, a melhor música-tema da história da saga 007, A View to a Kill.

“Meu nome é Bon. Simon Le Bon”, se apresentaria após mais algumas músicas, em mais uma alusão à obra de Ian Flemming, o vocalista do grupo. Mas se a música da Duran Duran embalou um filme protagonizado por Roger Moore em 1985, no palco os caras tavam mais pertos dum Daniel Craig: disparando golpes e tiros certeiros nos corações dos fãs que assistiam ao show.

Das 13 músicas que tocaram, oito foram hits da Era de Ouro do grupo que levaram o público à loucura instantaneamente. Quando se arriscaram nas produções mais recentes – como a divertidíssima Pressure Off, do elogiado último álbum de estúdio da banda, Paper Gods – a energia do público não foi abalada. Eram palmas sincronizadas, gente cantando junto e praticamente ninguém com a bunda no chão. Até mesmo quem estava ali só pra esperar o show seguinte, do fenômeno pop The Weeknd, entrou na brincadeira.

Porque, sim, tinha muita gente cumprindo tabela na plateia. Ok que boa parte era composta por adolescentes, que traziam consigo ao menos um fã dos britânicos – normalmente seu pai ou sua mãe –, mas boa parte dos XÓVENES mais próximos à grade não estava ali pelo Duran Duran. E tá tudo bem. Num “Let’s get groovy” gritado por Le Bon no palco, tava todo mundo dançando e se divertindo, foda-se a idade, ao som do baixo pulsante de Notorious.

A produção do show era simples e bonita, com um telão gigantesco que mostrava clipes variados – alguns mais artísticos, outros simples reproduções de vídeos da banda, e até um trecho da clássica abertura dos filmes de James Bond (que me fez vibrar loucamente, confesso) – e teve direito a algumas ESTRIPULIAS, como chuva de papel picado no meio da apresentação. Divertidíssimo. Mas o grande trunfo dos caras continua sendo a boa música.

Duetando com uma das duas sensacionais backing vocals, Le Bon mandou ver na mais famosa “música sobre sexo” do grupo, Come Undone. Com Ordinary World, veio o grande momento do show: quando a maravilhosa Céu surgiu pra cantar junto do vocalista inglês alguns dos mais marcantes versos da música. Ok, ela não mandou lá tão bem – nervosa provavelmente pelo improviso do dueto, ela perdeu sua deixa – mas ter ali no palco a banda que eu mais queria ver e a artista que eu mais curti ouvir no festival todo foi INCRÍVEL.

Foi naquele momento que o show se tornou, pra mim, MAIS que um show. E eu posso ou não posso ter deixado escorrer umas lágrimas de alegria.

Só não dá pra dizer que tudo foi perfeito porque a banda acabou estourando o tempo de apresentação e, por isso, encurtando a lista de músicas. A outra grande balada do grupo, Save a Prayer, foi preterida para que o encerramento rolasse com a maravilhosamente dançante (e implicitamente brasileira) Rio. Uma pena. Mas tá valendo.

Ao som de Rio, Bolas gigantes de vôlei caíram sobre o público, que ria, dançava e dava uma de Ana Moser com uma alegria imensa. Mais uma vez, papel picado pra todo lado. E a certeza, pelo menos minha, de que se encerrava um dos shows da minha vida.