E não é que Annabelle 3: De Volta Para Casa é MUITO bom? | JUDAO.com.br

E digo mais: é o melhor filme do Conjuringverse desde Invocação do Mal!!!!!

Nunca imaginei que um dia iria gostar e escrever um review positivo de um filme da Annabelle. E não só isso, mas também achar a terceira incursão da boneca do Capiroto o MELHOR filme do malfadado Conjuringverse de James Wan desde Invocação do Mal. Tamos falando do ÚNICO filme aceitável da franquia, que hoje compreende sete produções, entre os três da Anninha, dois das desventuras paranormal do casal Ed e Lorraine Warren, e as bombas A Freira e A Maldição da Chorona.

Mas a verdade precisa ser dita: Annabelle 3: De Volta Para Casa é um filme MUITO BOM, contrariando todas as expectativas e todo o ranço com a fórmula esquemática do terror mainstream pipocão de Hollywood perpetuado por Wan e sua gangue. Para você ter uma ideia, o primeiro JUMPSCARE vai acontecer depois de UMA HORA de projeção. Pasme!

E não é só isso, os primeiros 20 minutos de prólogo, continuação direta do início do primeiro Invocação do Mal, logo após os Warren levaram a boneca para sua casa, é das melhores coisas já feitas nesse universo expandido e conectado. Muito por conta da presença de Patrick Wilson e Vera Farmiga como o casal, com seu carisma e química incríveis, nos brindando com uma cena assustadora em frente a um cemitério e o benzimento da boneca e seu receptáculo de vidro onde está confinada até hoje, até encerrar com a explicação sobre Annabelle ser o artefato mais malévolo da coleção dos demonologistas, seguida da fonte serifada do título em vermelho sangue que lembra as produções de horror dos anos 70.

Então segue em uma excelente construção de atmosfera, lúgubre, meio deprê, cheio de dramas humanos, fotografia escura e uso pontual de aparições e encostos surgindo nos cantos das penumbras – cartilha da casa mal-assombrada seguida com louvor – e, principalmente, a construção do trio de personagens, algo completamente ignorado nos demais filmes nos quais apela diretamente ao PULO SUSTO a todo momento. Aqui, até o alívio cômico desnecessário, com mil diabos, funciona!

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E continua: a motivação de Danielle, amiga de Mary Ellen, a babá que irá cuidar da pequena Judy Warren em uma noite que Ed e Lorraine passaram fora de casa, pra adentrar no quarto proibido do casal paranormal, não é simplesmente mórbida curiosidade e querer apenas fuçar nas coisas malditas e ser a trevosa rebelde. Há todo um pano de fundo, dos mais emotivos.

Claro, nem tudo são rosas. Ainda há uma ou outra farofada na melhor tradição do Conjuringverse, com seus sustos programados, CGI duvidoso, aquele Cão do Inferno tosco e desnecessário e, principalmente, um confronto final com uma superexposição do MOCHILA DE CRIANÇA que até destoa de todo o resto do filme. Mas não é algo que me incomodou ou emputeceu. O resultado final tem um saldo surpreendentemente climático e sóbrio, conduzido com uma mão pesada (no melhor sentido da palavra) pelo diretor Gary Dauberman – aliás, sua estreia na direção após escrever os dois capítulos de It: A Coisa, os dois filmes anteriores da série e o execrável A Freira.

Até a trilha sonora do Joseph Bishara — parceiro de Wan desde Sobrenatural — que geralmente é sempre igual, com aquele violino choroso genérico, órgão pesado, aumentos repentinos de timbres para acompanhar o susto, é contida, tenebrosa e principalmente com grandes momentos de silêncio e introspecção.

Não, não fui abduzido pela Warner e outro ~crítico escreveu esse review em meu lugar, logo eu, dos mais confessos detratores do universo de Invocação do Mal e seus derivados formulaicos que prestam um desserviço ao gênero. Inclusive, escrevi na crítica de A Maldição da Chorona AQUI MESMO que para Annabelle 3 seria só dar CTRL C + CTRL V no texto, e apostava dinheiros que iria seguir a mesma cartilha preguiçosa.

Errei rude, graças ao Cramulhão!

Annabelle 3: De Volta Para Casa é tudo que os fãs estavam esperando desde Invocação do Mal, após seis anos de sofrimento e uma penca de filmes pífios do Conjuringverse. Um honestíssimo filme de terror comercial acima da média, que se mostrou uma grata surpresa e merece o parabéns a todos os envolvidos.