Ação da EasyGo não tem autorização da Pokémon Company | Judão

Empresa responsável pelo serviço de transporte particular acredita que “detentora dos direitos do jogo beneficiará da publicidade gratuita”

No início desse ano, o Jedi’s Burger & Grill, lanchonete que tinha nome, decoração e nome dos lanches relacionados a Star Wars, se viu obrigado a mudar de nome, passando a Jeti’s Burger & Grill. A razão foi bem simples: a LucasFilm notificou judicialmente os responsáveis para que retirassem tudo o que tivesse ligação com a saga criada por George Lucas, simplesmente porque eles não tinham a chamada LICENÇA.

Licenciamento é essa coisa em que duas empresas se unem pra ganhar um dinheiro. Só como exemplo: a Mattel produz bonecos e outros brinquedos, certo? Elas só produzem bonecos e outros brinquedos da Marvel, por exemplo, porque obtém a licença. É um acordo bom pra todo mundo: a Mattel vende seus brinquedos, a Marvel divulga seus filmes, séries e quadrinhos. E os dois ganham dinheiro nessa história.

Na última quinta-feira (28), a Easy, responsável pelo EasyTaxi e, mais recentemente, o EasyGo (que nada mais é do que o Uber deles), anunciou que uma “divertida ação acontecerá em São Paulo de sexta a domingo (29/07-31/07) com todos os carros privados do EasyGo”. A ação: “motoristas se transformam em Pokémons e usuários serão presenteados com descontos”. Serão 30 Pokémons (“inclusive os lendários!”) e, quanto mais raros forem, maior o voucher.

Envolve ainda postar print da tela em rede social pra validar o desconto, enfim.

Com o lançamento de Pokémon Go no Brasil cada vez mais próximo — o site MMO Server Status chegou a afirmar que seria nesse domingo — questionamos a Easy pra saber se essa seria a primeira ação oficial da Pokémon Company em relação ao lançamento do jogo por aqui, o que inclusive confirmaria o lançamento nesse fim de semana. Para a nossa surpresa, descobrimos que, assim como aconteceu com os hambúrgueres Jedi, não se trata de uma parceria ou licenciamento.

Além dos nomes, Easy usa também artes e dá a entender que a ação é uma parceria

Além dos nomes, Easy usa também artes e dá a entender que a ação é uma parceria

“A Easy é uma empresa que atua em toda a América Latina e, assim como outras empresas, estamos promovendo um novo produto que está sendo lançado e que é de conhecimento geral da sociedade” afirmou a Easy em comunicado oficial ao JUDÃO. “Com esta campanha acreditamos que a detentora dos direitos do jogo beneficiará da publicidade gratuita promovida pela Easy”.

Desde o seu lançamento, Pokémon Go vem quebrando recordes atrás de recordes. Mais instalado que o Tinder, prestes a ter mais usuários ativos que o Twitter, mais usado que WhatsApp, Instagram, Snapchat e Messenger, forçou um painel no Hall H da Comic-Con e vive entrando nos trending topics do Brasil, com a galera maluca querendo o lançamento por aqui — sem contar o pessoal da Vila Olímpica, o que fez até o prefeito do Rio pedir pra que o jogo seja lançado.

“Para usar a marca Pokémon eles têm que obter uma autorização que no mundo da propriedade intelectual é a licença” afirmou a advogada Lilian Pimentel, ao JUDÃO. “Segundo a declaração que eles dão, apenas ‘acreditam’ que a detentora dos direitos vai aceitar isso. Ou seja, eles correm um risco muito grande de serem notificados a: cessar o uso dessa promoção, ou ter que pagar a licença”.

Segundo ela, porém, não necessariamente a ação da Easy é errada. “Qualquer empresa tem suas atividades de risco, mas é antiético porque sabem que estarão usando marca alheia em proveito próprio. E a publicidade, seja gratuita ou onerosa, é um acordo bilateral.”

Entramos em contato com a Nintendo of America, que registrou a marca Poémon Go no Brasil no ano passado, pra saber qual a posição da empresa diante do caso mas, até a publicação desta matéria, não recebemos uma resposta. Se e quando ela chegar, atualizaremos esta matéria ou publicaremos uma nova.