Eita que a Marvel cancelou o Visão da Chelsea Cain antes do lançamento! | JUDAO.com.br

De acordo com relatos de bastidores, a editora teria “planos diferentes” para o personagem e sua filha. MAS GENTE, isso é gibi, cacete. Não é desculpa, vai?

A gente já tinha falado aqui e não custa repetir, pra ver se vocês entendem e tomam a atitude de ler: a série limitada que Tom King escreveu com o Visão como protagonista é não só um dos materiais mais maravilhosos produzidos pela Marvel nos últimos anos como, arrisco dizer, um dos roteiros mais incríveis produzidos pela indústria americana de gibis nos últimos anos.

Mas aí King foi pra DC, onde começou a produzir coisas incríveis por lá também como o Senhor Milagre, e este maravilhoso conceito da “família artificial” criada pelo sintozoide dos Vingadores ficou em animação suspensa. Até Julho deste ano, quando o retorno da série, uma espécie de continuação direta em seis edições, foi anunciado na San Diego Comic-Con.

Quer saber o mais legal? A minissérie seria escrita por ninguém menos do que Chelsea Cain, a ótima roteirista das histórias-solo da Harpia (e que infelizmente foi envolvida num verdadeiro mar de bosta graças a um grupo ainda mais bosta de “fãs”), em seu retorno às páginas da Marvel depois de um afastamento de dois anos de um mercado que ela mesma batizou acertadamente de “uma ação judicial em grupo esperando pra acontecer”. Dona de bons diálogos, Cain dividiria o roteiro com o maridão, o crítico de cinema Marc Mohan (Oregonian), e contaria com a linda arte de Aud Koch, do especial 1923 da franquia The Wicked + The Divine.

Pois é, usei os verbos todos no passado mesmo. Porque antes mesmo da PRIMEIRA edição ser lançada, pimba, olha aí a Marvel cancelando a parada como se nunca tivesse existido. Sim, sim, isso mesmo, o Visão da Chelsea Cain não vai mais acontecer. FUÉN.

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“Eu estou incrivelmente orgulhosa dos 4 números que finalizados até agora”, disse a roteirista, no Twitter. “Foram dois anos de trabalho. E eles refletem um esforço tremendo de um time incrivelmente talentoso. Me mata saber que a gente não pode compartilhá-los... Me perdoe, Viv”, finaliza ela, em referência à filha adolescente do Visão. A Casa das Ideias ainda não se manifestou oficialmente a respeito e, se o fizer, atualizaremos este texto.

Os caras do Bleeding Cool, no entanto, apuraram internamente dentro da editora e descobriram que o cancelamento se deu porque a Marvel teria “outros planos” para o Visão e Viv, numa direção diferente que entraria em conflito com a trama de Chelsea Cain. Tudo indica ainda que os criadores foram integralmente pagos por seu trabalho até o momento e não apenas a empresa estaria muito grata como consideraria lançar o material em algum momento mais pra frente, ainda sem definição.

“Quando o Visão decidiu tentar viver uma vida ‘normal’, ele construiu uma esposa, um filho e uma filha. Uma família – apenas para ver tudo isso desmoronar”, explica a sinopse oficial do gibi número 1 da série. “Agora tudo que restou foram Viv, sua filha aprendendo a ser rebelde, e Sparky, o cachorro-robô da família. Mas o que significa ser rebelde para uma inteligência artificial? E pode um pai sintozoide cuidar desta coisa de ser pai solteiro?”. E no fim, vinha a promessa: “um novo olhar sobre a família Visão que novamente vai fazer ficar todo mundo falando a respeito”.

Tá, vamos lá. Juro que entendo esta coisa de “parte da cronologia”. O atual roteirista do gibi dos Campeões, Jim Zub, por exemplo, tá usando parte desta “mitologia” toda no gibi dos heróis adolescentes e de cuja equipe a Viv faz parte. Com referências diretas à obra de King, tanto no visual tipicamente paizão do Visão — que agora não é mais integrante tempo integral dos Vingadores, ainda mais depois de ser reconstruído pós destruição nas mãos de um Hulk descontrolado — quanto nos flashbacks da garota-robô, ele leva uma nova personagem (Amka Aliya, a Snowguard, uma inuit, integrante da nação indígena esquimó que habita as regiões árticas do Canadá) pra morar na casa da hoje pequena família robótica, enfim. Portanto, SIM, a trama escrita por Tom King é total e absolutamente CANÔNICA.

Além disso, em Champions #22, o Visão deixa no ar, em diálogo com a Dra. Toni Ho, que seus sistemas estão falhando depois do “episódio” com o Gigante Esmeralda. Quando a cientista retruca dizendo que ele pode ser inteiramente consertado, o herói solta: “eu sei, mas não vou deixar desta vez. (...) A vida é preciosa porque é finita. E eu também deveria ser finito. Devo dar a mim mesmo a chance de morrer e deixar minha cria herdar as responsabilidades da vida adulta”. EITA.

Mas bom, calma, “entender” não quer dizer que eu concorde. Por que, sejamos honestos aqui, com todo respeito ao trampo do Zub: uma nova integrante na família, a morte do patriarca? ISSO é a cronologia que a Marvel tá querendo proteger?

Aliás, “cronologia”.... PFFF. Se a gente já sabe que, em MUITAS ocasiões, tanto Marvel quanto DC já deram aquela belíssima HAGADA pra suas respectivas continuidades, essa coisa toda tem dado uma preguiça enorme. Tudo que eu quero é ver uma boa história sendo contada e, às vezes, ela existe por conta própria, começo, meio e fim. Este Visão poderia ser somente uma boa história, sem esta louca necessidade de se conectar com um universo interligado maior e mais amplo. Mete um selo “o que aconteceria se...?” e tá lindo, pô.

Colocar um trabalho destes na rua, ainda mais escrito por quem tá sendo escrito, não só é necessário nos dias de hoje como seria um recado DAQUELES pros imbecis do ComicsGate. Mas sabe como uma atitude destas soa? Ah, exatamente: mais uma vez, como a Marvel querendo ficar tranquilinha em cima do muro.

Enquanto você pensa nisso, aproveita que o segundo encadernado capa dura da fase de Tom King à frente do Visão, batizado de Eu Também Serei Salvo Pelo Amor e que reúne as edições de 7 a 12 da revista, já tá disponível pra pré-venda aqui no Brasil, com entrega prevista pra outubro. Vale MUITO a pena.