Enfim, 13 Reasons Why resolveu assumir suas responsabilidades | JUDAO.com.br

Segunda temporada estreou com um vídeo antes de todos os episódios que informa dos gatilhos da história, além de fornecer um site com dados e contatos de órgaos de ajuda e prevenção em vários países, INCLUINDO o Brasil

13 Reasons Why estreou ano passado no Netflix fazendo um estardalhaço. Tornou-se aquele tipo de série que é maratonada por muita gente (que depois vai te perguntar “COMO QUE VOCÊ NÃO VIU AINDA?”) e ganhou BASTANTE notoriedade. Depois de alguns dias da estreia, no entanto, algumas pessoas começaram a alertar sobre cenas explícitas de estupro e uma sequência em que a protagonista tira a própria vida na reta final da temporada e sobre como isso poderia ser um gatilho IMENSO para aqueles que são sensíveis a esse tipo de conteúdo.

Os dias que se seguiram foram de notícias e entrevistas com profissionais da saúde mental que criticaram duramente a ABSURDA irresponsabilidade da obra. O psiquiatra Luis Fernando Tófoli falou ao Diário de Pernambuco e, entre outras coisas, destacou que “o principal erro da série é, de longe, mostrar o suicídio de Hannah.” E adicionou: “Chega a ser absurdo que os autores ignorem completamente o que indicam explicitamente as recomendações da Sociedade Americana para Prevenção do Suicídio, que foram publicadas após a morte do ator Robin Williams.”

Um outro dado relevante: 4 meses após a estreia, busca por termos como “se matar”, “suicídio indolor”, “ideação suicida” e “prevenção ao suicídio” aumentaram em 19% de acordo com um estudo conduzido por John W. Ayres, cientista comportamental.

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

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Bem, depois desse belo desastre, a segunda temporada de 13 Reasons Why estreou nessa sexta (18) com um comunicado de gatilho lido seriamente por seus atores protagonistas. O texto fala sobre como seus criadores têm vontade de abordar assuntos difíceis como abuso sexual, saúde mental e o ato de tirar a própria vida para que um diálogo saudável se estabeleça. Seguem explicando, então, que talvez assistir aos episódios não seja saudável para alguns espectadores. “Se você mesmo está sofrendo com algumas dessas questões, esse seriado pode não ser certo pra você, ou talvez você deva assisti-lo com um adulto de confiança ao lado.” No final, frisam a necessidade de buscar ajuda, divulgando telefones e o site 13reasonswhy.info, que traz dados e contatos de órgãos de ajuda e prevenção de vários países, incluindo o Brasil.

O vídeo foi adicionado também aos episódios da primeira temporada e cada episódio, agora, termina com uma mensagem que reforça a importância de buscar auxílio e traz, novamente, o endereço do site criado para reunir maneiras de amparo.

É preciso ressaltar que isso NÃO escusa os erros cometidos pelos produtores da obra. Mas é, sim, uma maneira válida de tentar remediar e amparar aqueles que foram expostos a um conteúdo perigoso sem o menor tipo de aviso.

Por fim, caso você precise de ajuda psicológica, existem algumas maneiras de consegui-la: o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Clique CVV para ir ao site, ou ligue 141 (ligação paga) ou 188 (gratuita no estado do RS).

O Helpline também oferece ajuda profissional gratuita por e-mail ou chat e mantém sigilo absoluto. Clique aqui para ir ao site.

Procure também um psicólogo e/ou psiquiatra. Sabemos que o negócio não é $imple$, mas existem diversos profissionais que realizam atendimento gratuito ou a preços populares, especialmente em universidades. Um amigo querido ou familiar confiável para desabafar também pode te ajudar. Falar sobre isso é muito difícil, eu sei. Mas é extremamente importante.

E SE POR ACASO você for produtor de conteúdo, seja ele qual for, eis aqui a cartilha do Ministério da Saúde para tratar sobre suicídio de maneira responsável.