O Mundo de Greg: imaginação e aventuras não deveriam ser só para algumas pessoas | Judão

Idealizadores da nova animação original Cartoon Network falaram ao JUDAO.com.br sobre a criação da série, fãs nocivos e a diversidade em desenhos animados. <3

As animações originais do Cartoon Network são uma parte BEM divertida e querida da cultura pop. As Meninas Superpoderosas, Samurai Jack, A Vaca e o Frango, Eu Sou o Máximo, Johnny Bravo, O Laboratório de Dexter... É uma porrada de títulos incríveis que fazem parte da memória de muita gente. E, desde 2010, com a estreia de Hora da Aventura na programação do canal, essas produções ganharam uma nova cara e começaram a construir novas memórias pra muitas outras gentes.

Esta “nova cara” não é nova apenas pelo jeito novo de se desenhar, mas também porque a pitada nonsense do Cartoon ganhou ainda MUITO mais presença. O humor foi ganhando tons mais modernos e hoje impera na programação um tipo de conteúdo cheio de personagens peculiares e maneiras bem diversas de se contar histórias, como Steven Universo, Ursos Sem Curso, Titio Avô, Apenas Um Show, Clarêncio, O Incrível Mundo de Gumball e váááários outros, INCLUINDO o Brasileiro Irmão do Jorel.

Aí temos O Mundo de Greg, o mais novo integrante desse time, que conta as histórias de Greg, Kátia e JP, três melhores amigos que se aventuram explorando uma parte selvagem de um bosque — e seus criadores, Matt Burnett e Ben Levin, conversaram com o JUDAO.com.br a respeito dos detalhes da criação desse projeto.

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Matt e Ben já haviam trabalhado juntos antes: os dois foram roteiristas do BOMBADÍSSIMO Steven Universo por 5 anos. Com essa experiência toda (e três indicações ao Emmy na conta), havia chegado a hora de criarem algo próprio juntos. E para achar o tom certo de humor para O Mundo de Greg, eles confiam primeiro naquilo que os faz rir. “Gostamos de criar coisas que são engraçadas, esquisitas e que nos divirtam”, disse Ben. “Isso funciona justamente porque somos muito fãs do Cartoon Network e crescemos com o canal. Então, gostamos de lembrar daquilo que nos fazia rir e tentamos modernizar isso para que continue assim”, completa o parceiro.

Eles estão cientes, também, de que não bastam SÓ piadinhas para fazer algo interessante. “a diversidade em Steven Universo é muito inspiradora. Nos mostrou muito sobre como é importante para as pessoas se identificarem com personagens e nós queríamos muito trazer isso para o nosso próprio programa”, afirmou Levin. “Tentamos criar um grupo diverso de crianças. Uma das coisas que queremos com O Mundo de Greg é empoderar crianças e inspirá-las a serem criativas e espertas. É sobre imaginação e aventuras, e não achamos que essas coisas deveriam ser exclusivas para apenas um grupo de pessoas”.

Não achamos que imaginação e aventuras deveriam ser exclusivas para apenas um grupo de pessoas

Aliás, o grupo que cria O Mundo de Greg junto com os dois é, segundo eles, bem heterogêneo também. “Trabalhamos com uma equipe composta por pessoas muito diferentes. Eles mostram direções apropriadas da história e nos dizem o que querem ver ali”, conta Ben.

Mas, mesmo assim, sabemos que produzir conteúdo ultimamente anda bem complicado. A crescente toxicidade de grupos de fãs que radicalizam tudo dificulta BASTANTE experimentar histórias e rumos de personagens. E por terem vivido coisas muito complicadas com o constante assédio de alguns admiradores mais ~fervorosos de Steven Universo que fizeram até com que a roteirista Lauren Zuke apagasse seu Twitter e se demitisse, os dois parecem estar BEM atentos a esse tipo de manifestação.

Matt diz que o objetivo não é bloquear comentários dos espectadores, mas sim filtrá-los. “Nós já sabemos olhar e pensar ‘isso é realmente algo a se considerar!’. É bem fácil, como um criador, perceber quando algum comentário é tóxico. E como produtores, é preciso ignorá-los e só seguir em frente com suas ideias”.

No final das contas, O Mundo de Greg é uma obra criada com muito carinho. Os dois têm memórias muito boas de quando brincavam perto de bosques e riachos e isso é totalmente levado para a série. Ben, por exemplo, diz que muitas coisas foram legais durante a criação do programa, como colocar ali uma parte da própria infância e achar essa equipe cheia de histórias e experiências divertidas para compartilhar. “Trabalhar com eles é muito bom e nós somos muito unidos”. E Matt completa, felizão: “Todos adicionam tanto! Colocamos indivíduos que admiramos e respeitamos nesse projeto e eles nos ajudaram a rever e repensar vários detalhes e fizeram o processo ser animador e sempre muito interessante. Ter colaboradores e ouvir ideias inesperadas que você jamais teria é a graça de se fazer algo assim!”.

O clima leve e apaixonado de Levin e Burnett realmente é cativante. E se eles transparecem TANTA química e amizade durante uma entrevista, imagina o que fizeram com essa série? Aqui ANIMOU! :D