A Fox 2000 morreu, mas passa bem | JUDAO.com.br

Quando tava todo mundo mudando de casa e deixando eles pra trás, o time foi lá e encontrou uma nova casa ;)

Graças aos Deuses do Cinema, não demorou muito para a equipe por trás da Fox 2000 encontrar uma casa nova. Depois que a Disney começou a organizar as caixas que vieram com o caminhão de mudança e surpreendentemente (ou não...) fechou o estúdio após a compra da 21st Century Fox, Elizabeth Gabler e sua equipe estão se mudando para a rival Sony Pictures Entertainment.

Apesar de outros estúdios demonstrarem interesse na Fox 2000, um acordo plurianual para a criação de filmes com base em materiais literários foi confirmado pela Sony e a HarperCollins Publishers, uma gigante do mercado editorial. O novo estúdio irá desenvolver e produzir filmes baseados em livros, mas não estarão limitados apenas ao catálogo da HarperCollins, o que é uma ótima notícia.

Segundo informações divulgadas pela Variety, a Sony financiou esse empreendimento ainda sem nome principalmente para ter Gabler, reconhecida por ser uma ponte entre Hollywood e o efervescente mundo editorial de Nova York. Sem o nome Fox 2000, essa nova empresa terá como base os próprios estúdios da Sony — e Gabler trabalhará diretamente com o presidente da Sony Pictures Motion Picture Group, Tom Rothman, e com o CEO da HarperCollins, Brian Murray.

Em um comunicado oficial, a executiva falou sobre o acordo e afirmou a importância de trabalhar com a HarperCollins: “Nós sempre sentimos que a HarperCollins é parte de nossa família e agora é uma honra e um privilégio criar uma parceria real com Brian Murray e sua incrível equipe global”, disse, completando que Rothman é “mentor, amigo e inspiração” e que ela e sua equipe estão “profundamente gratos pela oportunidade de fazer parte da poderosa Sony Pictures Entertainment”.

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Além de uma bela estrutura de produção e distribuição, a escolha pela Sony teve mais um motivo.

Apesar de Gabler ter ponderado entre dois dos seus ex-chefes na Fox – Jim Gianopulos na Paramount e Rothman na Sony -, uma pessoa que acompanhou as negociações contou que um fator importante para a escolha foi a Viacom, proprietária da Paramount, estar envolvida em uma recombinação com a CBS Corporation nas próximas semanas. Um acordo com a Paramount impossibilitaria o contrato com a HarperCollins, já que a editora Simon & Schuster é uma divisão da CBS Corporation. Um acordo diretamente com HarperCollins é muito mais vantajoso do que “apenas” fazer parte da mesma corporação.

Outro fator bastante interessante para Gabler é que o novo estúdio poderá fazer filmes para distribuidores terceirizados, caso a Sony opte por não distribuí-lo tradicionalmente. Isso significa que a ex-Fox 2000 poderá desenvolver adaptações literárias para cinema, televisão e, claro, serviços de streaming como o Netflix.

Segundo o The New York Times, a ideia da união veio de Murray, que enfatizou as chances dos autores da editora verem suas produções transformadas em outros materiais. “Achamos que poderíamos ter um papel maior como facilitadores, aumentando as chances de que os autores da HarperCollins pudessem ver suas obras transformadas em adaptações atraentes”, declarou em nota oficial.

Foi uma certa surpresa quando a Disney decidiu encerrar as operações da Fox 2000, principalmente após uma sinalização inicial de que o estúdio seria mantido. Acostumada a lidar com enormes e lucrativas marcas, a Disney acreditava que as produções de Gabler eram muito caras e tinham um histórico de bilheteria irregular. Apesar da decisão de desistir da oportunidade de oferecer histórias diferentes ser horrorosa, a companhia multinacional do Mickey resolveu manter seu foco nas franquias que rendem belas fortunas.

Com uma mentalidade diferente, a Sony disse que o foco de Gabler será em adaptações com orçamentos modestos de novos livros, complementando as produções de grande orçamento, as principais fontes de renda do estúdio. “Amamos nossos super-heróis, mas uma nova propriedade intelectual também é muito importante e, ao longo da história de Hollywood, a propriedade intelectual literária sempre floresceu”, disse Rothman em entrevista ao jornal.

É fantástico ver um grande estúdio ainda preocupado em contar novas e diferentes histórias, fugindo um pouco dos grande blockbusters que Hollywood tanto gosta de fazer. Em uma nova casa, espera-se que Gabler chegue com pelo menos meia dúzia de projetos embaixo do braço. Ainda em 2019, a Disney lançará Meu Amigo Enzo, um filme completinho que ela e sua equipe deixaram para trás — curiosamente, aliás, o livro escrito por Garth Stein foi publicado pela HarperCollins, que faz parte da News Corp, empresa da família Murdoch.

Perde a Disney, mas quem ganha é o cinema.