Fútil e Inútil realmente vale a pena ser assistido | Judão

Sabe aquele filme cujo trailer o Netflix não para de te mostrar? Então. Não deixa ele se perder não.

Há alguns anos eu escreveria aqui algo como “com certeza você já viu o nome National Lampoon antes do título de algum filme que você assistiu na sua infância”, ainda mais baseado na idade da maioria dos leitores do JUDAO.com.br, mas de repente me bateu a possibilidade de que pessoas nunca sequer tenham assistido a um filme desses.

National Lampoon’s Vacation, mais conhecido por aqui como Férias Frustradas (e suas sequências de Natal e na Europa) talvez seja o melhor exemplo, mas são dezenas de outras produções lançadas nos cinemas, na TV e direto em vídeo. Mas o que a foda é National Lampoon?

É maaaais ou menos como um Monty Python da vida, mas eu diria que é realmente parecido com o que o Casseta & Planeta fez por aqui e, depois, em menor escala, os Sobrinhos do Ataíde: uma galera que se conheceu na faculdade fazendo humor (no caso, a revista Harvard Lampoon) e percebeu que talvez fosse interessante continuar fazendo isso depois de devidamente formados — não importando o tempo que demorasse pra isso acontecer.

Surgia assim, em Abril de 1970, a revista National Lampoon, que deu origem a programas de rádio, shows e filmes. Não rolou um programa de TV, mas alguém percebeu que aquilo poderia dar certo e, se não fosse a National Lampoon, não teríamos o Saturday Night Live, nem Bill Murray e Chevy Chase.

Essa, pelo menos, é a história legal e resumida. Uma narrativa mais completa, interessante e, sinceramente, chocante, está em Fútil & Inútil, aquele filme com o Will Forte que, agora sim, eu tenho certeza que você acabou vendo o trailer quando ficou de bobeira uns 10 segundos no Netflix.

Maioria de homens, todos brancos. :)

O filme, que em momento algum relativiza ou passa qualquer pano pra todos os problemas que a revista (e o mundo em que ela existia) tinha, conta a história de como a publicação chegou às bancas e mudou a maneira de se fazer comédia de massa através da vida extremamente problemática de Doug Kenny, um cara que viveu a década de 70 da maneira que se espera que alguém tenha vivido aqueles anos, mas com uma diferença que mudaria tudo: a tal da depressão.

Fútil & Inútil não se aprofunda nisso, mas retrata muito bem — acredite, a parte de não conseguir mais funcionar é real e machuca fisicamente, especialmente quando você sabe que você PRECISA fazer coisas — e, especialmente, de uma maneira que deixaria Doug Kenny orgulhoso.

E como eu sei disso, sendo que não conhecia o cara até assistir a esse filme?

Bom, é aí que a parte chocante da história aparece. Porque, pra quem já conhece tudo e só quer ver a história sendo contada, temos um filme. Pra quem sabe só a importância do National Lampoon pra história da cultura pop, mas nunca conheceu a história de como surgiu, bom... Bate. Bate forte. E de uma maneira emocionante e, óbvio, engraçada — e a frase que é dita pelo Harold Ramis no final do filme resume bem a ideia, especialmente porque foi, de fato, dita. :)

Num serviço de streaming que nos entrega algumas obras (no outro sentido, é bom deixar claro) como Bright e Mudo, faz bem encontrar um filme leve, divertido e que pode surpreender de alguma maneira, além de contar um capítulo importante da história da cultura pop.

Assiste lá. Fútil & Inútil é um filme que, sem querer, é importante pra caralho. Mais ou menos como aconteceu com o National Lampoon. :)