Geração 12: a Turma da Mônica mangá PRA VALER | JUDAO.com.br

Mauricio de Sousa Produções anuncia novo selo e também o primeiro dos novos gibis da safra, que é muito mais mangá do que a Turma da Mônica Jovem já foi — não apenas na arte, mas também nos temas e na narrativa

Um mês atrás, na edição de número 164 do nosso ASTERISCO, a gente recebeu a Petra Leão, roteirista da Turma da Mônica Jovem, com quem batemos um papo incrível e que, lá pelas tantas, revelou que estava trabalhando num NOVO projeto pra galera da MSP. Mas era tudo top secret, não podia dar nenhum detalhe, enfim. Dada a empolgação da Petra, no entanto, bastava a gente ter cruzado um pouco as coisas com o que ela falou sobre o início da carreira e a experiência escrevendo... MANGÁS.

Há cerca de uma semana, Mauricio de Sousa em pessoa, na sua conta do Instagram, anunciou: não apenas a Panini criaria um novo selo para acomodar uma série inédita de gibis do seu estúdio, batizado de Mangá MSP, como também a primeira nova revista a sair por ele se chamaria Turma da Mônica Geração 12. “Uma nova linha de personagens criados com muito carinho e cuidados e apresentados de forma inédita”, explicou o decano quadrinista noutra postagem.

O que sabemos até o momento, portanto? O gibi sai só em julho, mas já dá pra sentir um GOSTINHO graças à edição número zero, disponível para download gratuito lá no site da Amazon.

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Se as crianças da versão tradicional do Bairro do Limoeiro têm lá seus 9 anos e a galera da Turma da Mônica Jovem gira em torno dos 16, digamos que esta turminha mangá fica no meio do caminho: eles terão 12 anos.

Um pouco da história o próprio Mauricio explica no editorial, ao contar que esta é “uma nova Turma da Mônica para um novo tempo”. Segundo ele, a ideia teria surgido quando o estúdio do brasileiro, que era muito amigo do mestre Osamu Tezuka (criador de Astro Boy), foi convidado para participar da coleção de revistas Tezuka Mix, publicadas no Japão em 2018 para comemorar os 90 anos que o quadrinista japonês faria se estivesse vivo.

O time da MSP fez as ilustrações na série A Noite da Princesa, história que juntava duas narrativas: o filme A Princesa e o Plebeu e o mangá A Princesa e o Cavaleiro.

Ainda, em 2012, nos gibis nacionais, a Turma da Mônica Jovem fez um crossover e encontrou com os personagens de Tezuka, incluindo Astro Boy, o leão branco Kimba e a própria Princesa Safiri, numa trama sobre a preservação da natureza. Mas estas colaborações parecem MESMO ter deixado Mauricio e a sua tropa com gostinho de quero mais.

Nesta tal Geração 12, a turma estuda no Instituto Astro de Exploração Espacial, um sonho de ninguém menos do que Astronauta Pereira, o próprio, cujo visual na história lembra aquele das Graphic MSP de Danilo Beyruth. Mas antes de vê-lo realizado, o herói desapareceu numa missão secreta muito importante. Assim sendo, a agência espacial brasileira da qual ele fazia parte, a BRASA, decidiu que a tal instituição especial para formar novos exploradores iria ser transformada em realidade, comandada pelo diretor Adão, um dos melhores amigos do Astronauta.

No elenco de protagonistas estão, claro, a Mônica, a Magali (que, como a sua contraparte da TMJ, também aprendeu a controlar um pouco a sua fome voraz), o Cascão (que, segundo consta, toma banho eventualmente mas ainda morre de medo de água), o Cebolinha (um dos melhores alunos do Instituto, que decorou o Manual do Explorador Intergaláctico e agora consegue evitar ao máximo a coisa de trocar o R pelo L) e a Milena. Sobre esta última, talvez você não esteja ligando o nome à pessoa, mas estamos falando da personagem negra que recentemente se tornou parte integrante também das histórias da turminha pequenina — e que aqui é fanática por cristais, querendo se tornar especialista nestes materiais e encontrar novas aplicações para eles.

Na real, a edição zero só te dá este tanto aí de informação, já que não estamos falando de uma história completa MESMO, mas de pedaços do que vem por aí. Habemus um instrumento ancestral chamado voguel, um bastão que quando se conecta com um cristal de doze lados, pode reagir com qualquer substância. Numa loja misteriosa, uma feiticeira com o rosto oculto faz uma magia que dá vida ao Sansão, transformado imediatamente no mascote falante da Mônica. E já sabe, beeeeeeeeeem por cima, que vai rolar uma “ameaça terrível que pode colocar o universo inteiro em risco”, o que vai levar a turminha a conhecer alienígenas e viajar pelo espaço sideral, numa mistura de magia e ficção científica bem típica dos mangás de aventura.

No entanto, pra quem prestou atenção de fato na arte desta edição especial, dá pra sacar o que realmente mudou aqui. Diferente do que aconteceu com a Turma da Mônica Jovem, que principalmente no início absorvia um pouco da referência artística e narrativa dos mangás mas acabou nos dias de hoje chegando num traço próprio, mais limpo e adaptado ao gosto brasileiro, a Geração 12 é 100% mangá pra valer. Basta perceber os tons de cinza, principalmente nos cabelos, muito mais multifacetados. No olhar, nas expressões faciais, nas onomatopeias, nos elementos gráficos ao redor do rosto indicam raiva ou vergonha... Tudo é, de fato, um mergulho completo no jeito oriental de fazer gibis.

Mas, mais do que isso, tem a coisa da narrativa, do tipo de história. Apesar de ter referências pulando para todos os lados, de levar os personagens para viagens ao espaço, outras dimensões e mundos riquíssimos de fantasia, na Turma da Mônica Jovem tudo gira em torno dos relacionamentos entre os personagens, que são essencialmente estudantes crescidos numa versão mais cosmopolita e contemporânea do Bairro do Limoeiro. Aqui na Geração 12, temos um clima mais fantasioso na essência, mais aventureiro — e se isso não ficou claro pra você na sequência em que a Mônica se transforma, no maior climão Sailor Moon, e passa a vestir um uniforme que é totalmente Sakura Card Captors ou Guerreiras Mágicas de Rayearth, talvez seja bom reler estas páginas aí, tá? ;)

São aquelas carinhas que a gente conhece, mas numa ambientação totalmente diferente, que os tira daquele bairro, das travessuras no quintal ou dos dilemas adolescentes da praça de alimentação do shopping. Gosto da ideia. Curioso pra ver como se desdobra.