O Renascimento do Arqueiro Verde e outras histórias para ler durante o hiato da série | Judão

Enquanto você fica aí esperando o retorno das aventuras de Oliver Queen nas telinhas, a gente te dá umas dicas de grandes HQs do herói pra ler, incluindo o atual relançamento da DC

E eis que, em mais um dos capítulos semanais do seu Renascimento, a DC Comics coloca na rua Green Arrow: Rebirth #1, gibi que pretende mostrar as novas bases da jornada heroica de Oliver Queen para acomodar uma nova leva de leitores, enfim, aquela coisa toda.

Assim como fez com o Flash, dá pra dizer sem errar que a Distinta Concorrência entregou um ótimo trabalho, divertido, coeso e instigante o bastante para fazer com que a gente queira ler um pouquinho mais. Resumindo: acertaram no alvo.

Mas olha só, sejamos justos aqui: para errar no caso do Arqueiro Verde, o roteirista Benjamin Percy teria que se esforçar bastante. Porque, dentre todos os títulos da fase Novos 52, talvez o do homem das flechas esmeralda tenha sido um dos que mais manteve alguma regularidade, entregando boas histórias roteirista após roteirista, mesmo que com um começo um tanto errático (falamos sobre isso mais pra frente).

Em Rebirth, temos uma interessante mistura de climas, com um tantinho da série Arrow aqui, um pouco dos temas clássicos da versão setentista ACOLÁ, para agradar tanto aos fãs antigos quanto aos que se interessaram pela revista depois de ver a produção do CW.

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Oliver está em Seattle, distribuindo porrada na bandidagem nas sombras e com um uniforme que é idêntico ao que o Stephen Amell usou na quarta temporada. Eis que, quando surge um grupo que anda sumindo com moradores de rua, o seu caminho se cruza com o de ninguém menos do que Dinah Lance, a Canário Negro. Importante dizer: pós-reboot, este é o primeiro encontro do casal, que nunca tinha se visto na vida, apesar de um ter ouvido falar do outro.

Claro que rola, de imediato, uma química, umas FAÍSCAS. Mas o que melhor funciona aqui são as provocações da Canário. Vejam, Oliver é o paladino da justiça de esquerda, se define abertamente como um guerreiro da justiça social... Mas, apesar do combate ao crime e de todo o trabalho social que a sua empresa faz em prol dos desamparados, quando Oliver volta pra casa e tira seu uniforme, ele enxerga a cidade do alto de sua cobertura milionária, com uma taça de champanhe na mão. “Como você pode ser hipócrita e criticar um tipo de cara... se você É este cara?”. A moça do grito supersônico tem um ponto interessante aqui, e que tem jeito de que vai ser bem explorado de agora em diante.

Outra coisa que é preciso dizer é, porra, que arte deliciosa esta do Otto Schmidt. Um traço limpo, ágil, dinâmico, cheio de estilo, ideal para cenas de ação mas que consegue carregar bem nos rostos, por exemplo, tornando todo mundo bastante expressivo – em especial um Oliver careteiro e que, também pela 1a vez pós-reboot, voltou a usar o seu cavanhaque característico (que, segundo consta, deve ser ENVERGADO também pelo ator na 5a temporada de Arrow).

POR FALAR EM ARROW, se você tem a sorte de não depender da boa vontade do Warner Channel aqui no Brasil e já está com saudades da série, separamos aqui algumas sugestões de histórias protagonizadas pelo Arqueiro Verde para você correr atrás e se divertir enquanto aguarda o retorno da série. Como por exemplo...

Grandes Clássicos DC - Lanterna Verde / Arqueiro Verde

Grandes Clássicos DC – Lanterna Verde / Arqueiro Verde

Não tem como não começar por aqui, né? No início dos anos 1970, a dupla Dennis O’Neil (roteiro) e Neal Adams (arte) pegou a dupla de amigos Oliver Queen e Hal Jordan e revitalizou os camaradas, injetando uma dose de maturidade numa espécie de road movie, com os dois viajando para meio que redescobrir os EUA. De um lado, o Lanterna todo quadradão e certinho. Do outro, o Arqueiro porra louca e contestador. Direita e esquerda. Com discussões fodásticas sobre sexo, drogas, racismo, religião e política. Recentemente, a Panini soltou por aqui em dois volumes, compilando a revista Green Lantern dos números #76 ao #89.

Os Caçadores

Publicada no Brasil pela Editora Abril em 1989, a minissérie em três edições escrita e desenhada por Mike Grell em 87 foi um divisor de águas para o herói tão grande quanto a fase de O’Neil e Adams e é, sem sombra de dúvidas, a principal inspiração das duas primeiras temporadas de Arrow. A violência e o tráfico de drogas se tornam em temas cotidianos de suas histórias, enquanto Oliver abandona Star City e vai morar em Seattle, terra natal de sua amada Canário Negro. Aos 43 anos, Oliver resolve deixar as flechas cheias de efeitos especiais e truques de lado para “retornar às suas origens”, relembrando os seus anos difíceis na ilha. Shado, a arqueira oriental que também já ESTEVE LÁ na série, aparece aqui, ao mesmo tempo em que Dinah é capturada pela máfia local, despertando um instinto assassino há muito desaparecido da alma de Oliver. A mini fez tanto sucesso que Grell foi convidado a escrever o primeiro gibi solo da história do Arqueiro Verde, cargo que ocupou durante longas 80 edições – parte delas saíram por aqui nas revistas Super Powers e DC 2000.

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O Espírito da Flecha

No final dos anos 1990, a DC matou o Arqueiro Verde, numa tentativa de desarmar uma bomba que fazia referência ao seu destino na futurista Batman: O Cavaleiro das Trevas. Mas no ano 2000, o cineasta Kevin Smith (que já tinha escrito a ótima Diabo da Guarda, do Demolidor) foi convocado para escrever o seu retorno do mundo dos mortos, no melhor estilo dos gibis de super-heróis. Neste arco em 10 edições, publicado aqui no Brasil entre novembro de 2002 e julho de 2003, ele recebe a ajuda do amigo Hal Jordan, na época também morto e sob a identidade (e capuz) da entidade conhecida como Espectro. Mas estranhamente, Oliver volta da terra dos pés juntos com as memórias anteriores à fase Caçadores. E agora? Será que deu alguma treta, digamos, sobrenatural no meio do caminho? Sempre dá pra ficar pior, né?

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O Som da Violência

A continuação do trabalho de Kevin Smith à frente do título do Arqueiro, novamente com a linda arte de Phil Hester & Ande Parks. Aqui é que surge o maníaco Onomatopeia, serial killer que ameaça apenas heróis sem poderes e que, conforme o nome sugere, imita os sons das onomatopeias dos gibis. Enquanto Mia arrisca os primeiros passos como a nova Speedy (inspiração, obviamente, para a fase heroína de Thea Queen na TV) e Oliver volta a se aproximar romanticamente da Canário, o Onomatopeia surge e enfia uma bala no segundo Arqueiro Verde, Connor Hawke, o filho do Sr.Queen. Em tempo: é uma leitura duplamente recomendada, já que Kevin Smith está em negociações abertas com os produtores de Arrow para dirigir um episódio da série e que, inclusive, teria o Onomatopeia como vilão.

A Busca

Antes de escrever a brilhante e brutal série Crise de Identidade, que mudaria drasticamente os rumos da DC Comics nos anos que se seguiriam, o escritor Brad Meltzer, que nunca tinha escrito um gibi na vida, teve uma estreia espinhosa ao assumir o gibi do Arqueiro Verde assim que Kevin Smith saiu. Mas ele teve as manhas de escrever um arco com tamanha sutileza e delicadeza que tornou esta história, de longe, uma das mais emocionantes e tristes do personagem. Não vou contar o final porque, sério, vai estragar E MUITO a experiência, mas a trama é uma espécie de jornada de Oliver Queen rumo ao passado, em busca de itens que tem muito valor sentimental pra ele, sendo que um destes itens guarda um segredo importantíssimo a respeito de sua relação com um de seus ENTES queridos.

Archer's Quest

Arqueiro Verde: Ano Um

Outra inspiração clara para Arrow, em especial nos flashbacks da segunda e da quarta temporadas, apresentando personagens como China White e Taiana. É basicamente uma variação (muito bem estruturada, aliás) da história de origem que quem acompanha a trajetória de Oliver Queen semanalmente na televisão já conhece. O playboyzinho babaca que não se importa com ninguém parte numa viagem de navio, acaba numa ilha misteriosa, descobre que a vida é mais importante do que dinheiro e bebida, aprende a usar um arco e um punhado de flechas e faz uma promessa de ajudar aqueles que precisam... Fato divertido aqui: o sobrenome do melhor amigo de Oliver Queen na série de TV, John Diggle, veio do autor desta minissérie publicada em 2007 – no caso, Andy Diggle. ;)

Arqueiro Verde

A Máquina de Matar

O começo dos Novos 52 foi mesmo osso para o Arqueiro Verde. Nomes como Ann Nocenti estiveram à frente do título do personagem e tudo que conseguiram foi fazê-lo tornar-se uma cópia do Batman com arco e flecha (pecado cometido também no começo de Arrow, mas isso é assunto pra outra hora). Aí, no número 17, mudou tudo. Jeff Lemire segurou a bronca dos roteiros, o italiano Andrea Sorrentino ficou responsável pelos desenhos e a decisão foi meio que ignorar tudo que rolou antes e começar praticamente do zero. Assim sendo, tivemos um segundo reboot para Oliver Queen, sendo que este deu certo MESMO. A dupla acerta lindamente ao contar a verdade sobre a ilha na qual o arqueiro aprendeu suas habilidades, além de apresentar personagens como Shado, Komodo, o Conde Vertigo e a versão HQ de John Diggle, trazida diretamente da TV.

Pássaros da Noite

A Panini acaba de cancelar o gibi mensal do Arqueiro Verde, que vinha sendo publicado por aqui com regularidade desde 2013, mas vai continuar soltando suas histórias no Brasil em pequenos encadernados. É o caso deste Pássaros da Noite, nova fase que reúne Green Arrow # 41-44 e mais Green Arrow Annual 1 para mostrar justamente o retorno de Oliver Queen para Seattle, com o objetivo de tomar conta de sua meio-irmã Emiko. É o começo do bom trabalho do roteirista Benjamin Percy.