San Andreas: o mais absurdo da franquia mais absurda | Judão

Uma carta de amor aos códigos insanos, cafezinhos e mods hilários do MAIOR título da MELHOR franquia da Rockstar Games :D

Se vamos falar de absurdos AND joguinhos, vamos falar de Rockstar Games, a casa de títulos pra lá de politicamente incorretos como Bully ou totalmente depravados como Manhunt. E, se vamos falar de Rockstar Games, logo, vamos falar de Grand Theft Auto – a sua JOIA DA COROA e, arrisco dizer, a franquia de games mais CÉLEBRE dos últimos 15 anos.

Porque, vamos lá, qual outra série de jogos te permite embarcar num envolvente mundo aberto – com personagens realmente interessantes, histórias envolventes, referências pop e críticas sociais de baciada –, ao mesmo tempo em que te proporciona a experiência de virar Michael Douglas em um Dia de Fúria, frequentar strip clubs, usar drogas e virar um chefão do submundo do crime? :D

Não me faltavam espinhas na cara quando coloquei as mãos, pela primeira vez, num GTA. E justamente naquele que é, até hoje, o rei dos absurdos da franquia: o MITOLÓGICO Grand Theft Auto: San Andreas.

Lançado em 2004 para o saudoso Playstation 2 e concorrência™, San Andreas é o sétimo título da série, um dos mais bem avaliados por público e crítica até hoje (quem não pirou em poder nadar, andar de bike..?) e o primeiro a trazer um protagonista negro, a cidade fictícia de Los Santos, e, mais importante que isso, uma infinidade dos mais bizarros, insanos e LOLÍSTICOS cheat codes – os famigerados CÓDIGOS.

Aliás, pesquisa sobre eles no Google. Como eu descobri escrevendo este texto, você vai trombar com 1 milhão de páginas que oferecem listas e mais listas dessas trapaças café com leite feitas pelos próprios desenvolvedores dos mais diversos jogos puramente pela ZOEIRA, antes de trombar com algo conclusivo sobre o assunto. Até a Wikipedia vai te dar, basicamente, essa definição pra parada. E te referenciar alguns artigos que nem estão mais disponíveis on-line. ¯\_(ツ)_/¯

Mas a real é que os cheats fazem parte dos JOGUINHOS há quase tanto tempo quanto os games fazem parte da nossa vida – seja com GTA, seja com The Sims, Doom, ou com um dos precursores desse negócio que nas Lan Houses a galera chamava (ou ainda chama?) de CHIT, o game Gradius da Konami, de 1986. Para testá-lo de cabo a rabo, seu desenvolvedor, Kazuhisa Hashimoto, desenvolveu um código que tirava a dificuldade do jogo. “A versão arcade é muito difícil, né? Não tinha como eu conseguir terminá-lo, então inseri o código”, explicou o cara. Que bonito, hein?

A tal sequência de comandos (cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A) foi logo batizada de Código Konami (duh), mas não ficou só no Gradius – tampouco na marca de Solid Snake. Adaptado, o cheat foi incorporado pelos mais diversos games ao longo dos anos, normalmente conferindo benefícios como vida extra ou invencibilidade.

Quase 30 anos depois e, veja só, ele era um dos códigos disponíveis para a curtição desenfreada de GTA: San Andreas – e um dos que eu tinha anotado nas minhas mais de oito páginas, frente e verso e escritas à mão, de cheats compilados da internet.

Foi basicamente só por causa dos códigos que eu quis jogar GTA: San Andreas. Como só ganhei um PS2 em meados de 2006, perdi totalmente o timing (e o interesse) pela história do jogo. Só que, vidrado nas possibilidades infinitas de zoeira das quais meus amigos sempre falavam, descolei um memory card dum amigo que já tinha zerado tudo (e, consequentemente, tinha grana e tudo mais INFINITOS) e mergulhei na parada com um só objetivo: causar.
E eu causei. :D

GTA: San Andreas trazia muito mais do que os cheat codes que, até então, eram ~esperáveis da Rockstar – aquela vista grossa da polícia, colete à prova de balas, veículos selecionados, mais vida, invulnerabilidade...


Ele permitia que você alterasse, num piscar de olhos, a composição física do seu protagonista. Que conferisse a ele superpoderes, invocasse MOCHILAS A JATO a la Sean Connery e alterasse o clima/tempo da cidade à vontade. Talvez mais sensacionalmente que tudo isso, aliás, deixava que você transformasse TODOS OS HABITANTES DE LOS SANTOS em membros da Yakuza!!! Isso para não falar no código que te transformava num go-go boy lubrificado, insistentemente perseguido por infinitas prostitutas armadas com enormes PENES de borracha. Nada muito absurdo, não... ;D

Sem nenhuma missão disponível pra fazer no game, mas com um universo de possibilidades insanas à minha frente, eu criava minhas próprias histórias, enquanto brincava de ASLAN no mundinho digital da Rockstar. Aliás, não só eu – até hoje, quando menciono San Andreas em uma roda de amigos CONTEMPORÂNEOS, quase todo mundo que jogou fala das zoeiras provenientes dos mais variados movimentos de controle, e não da história do jogo.

Como se tudo isso não fosse o bastante, San Andreas ainda teve uma polêmica (e um absurdo) mor materializada no infame Hot Coffee – um mini game permitia que se controlasse CJ durante um quente e explícito (dentro dos padrões gráficos da época) GRATINO com uma de suas seis potenciais namoradas. Inicialmente inacessível, ele foi descoberto em PCs no ano de 2005, prontificando uma defesa da Rockstar, que afirmou se tratar duma modificação feita por fãs. Uma MENTIRAÇA que caiu por terra quando jogadores conseguiram liberar o cafezinho também nas versões do game para Playstation e Xbox.

Ficou claro, então, que a Rockstar tinha, de fato, feito o ~joguinception e escondido depois. A revelação levou a uma reação raivosa de lojistas, políticos e outras figuras públicas. Cópias do jogo foram tiradas das prateleiras, Hillary Clinton e outros senadores estadunidenses pressionaram os órgãos censores do país e, logo, San Andreas teve sua classificação indicativa elevada para AO (Adults Only). Mas só por um tempo.

A Rockstar logo relançou o game numa versão livre do modo pornográfico, produzindo ainda um patch que o bloqueava nos PCs e recuperando a classificação Mature 17+ inicial do game – tudo enquanto, no fundo, agradecia a divulgação que a polêmica garantiu. E que BAITA divulgação.


Aqui, em Terra Brasilis, eu, no alto da adolescência, evidentemente PIREI de inveja com o que li sobre o Hot Coffee. Mas aceitei numa boa. Enquanto lá fora alguns hackers conseguiram aproveitar mais esse absurdo da Rockstar, por aqui eu pude deleitar meus olhos com alguns dos melhores mods feitos por populares como eu e você. Disponíveis na barraquinha de DVD pirata mais próxima, o destaque era sempre o já lendário GTA: Rio de Janeiro e sua variação mais coxinha, São Paulo – com CJ sempre acompanhado duma AK-47 e camisa do Flamengo ou Corinthians.

Desde GTA IV, a Rockstar nunca mais mergulhou de cabeça na zoeira como fez com San Andreas, reservando seus cheat codes a vantagens físicas básicas para os personagens ou SUMMONAÇÃO de itens. Zoeiras insanas, como ter Hulk trocando porradas com Trevor Phillips, ficaram por conta dos PC gamers desocupados, que se prestam a mexer no código dos jogos e adicionar esses momentos de puro LULz.

Mas como a esperança é a última que morre, fica aqui registrada a minha saudade por esses absurdos mais absurdos que o GTA de OUTRORA trazia – e meu pedido pelo seu retorno, quem sabe. Êta tempo bom que não volta mais. :’)

Ao menos ainda temos Saints Row!