Guns N' Roses fez o show da vida de muita gente | Judão

A chuva que caiu durante o show de sábado (12) em São Paulo não foi coincidência. E eu nem digo isso pelo fato de ser Novembro, não… :D

Olha, eu tava lá no Palestra Itália, em Março de 2010, esperando por horas e horas (tipo MUITAS horas e horas) o início do show dos Guns N’ Roses, ainda na Chinese Democracy World Tour, ainda com Axl Rose como único membro da formação original. Por mim, tudo ótimo: assistiria, pela primeira vez, a primeira banda que gostei depois de Balão Mágico e Trem da Alegria e Dominó; a banda que me fez ganhar um concurso no Mappin*, valendo uma fita cassete dos caras, lá no fim dos anos 80, início dos 90.

Era só o Axl Rose? Era. Tinha o tal do Chinese Democracy que, bom, foda-se? Tinha. Mas foi só perguntar se eu sabia onde eu tava (e lembrar que eu tava na selva, baby) que eu passei a funcionar baseado em memórias afetivas.

Mais de seis anos e meio depois, estava eu novamente no Palestra Itália, agora Allianz Parque, no segundo dia de estádio lotado da Not in This Lifetime Tour em São Paulo, pra assistir a um show dos Guns N’ Roses, com a reunião de Axl, Duff McKagan e Slash. Um show que começou pontualmente às 21h30, com as mais diversas armas do logo atirando pra todos os lados e o tema de abertura das Merrie Melodies da Warner.

Show do Guns começando pontualmente, seja lá qual o horário? :O

Foto: Katarina Benzova / Divulgação

Foto: Katarina Benzova / Divulgação

Essa foi não só a grande surpresa da noite, como o que talvez tenha definido esse show, acima de tudo. Porque, veja bem: nem em termos de tempo — foram 2h30 de show exatamente, acabando 00h em ponto — nem em termos de setlist houve exatamente muita diferença entre as duas apresentações.

Começou com It’s So Easy, trazendo pra perto o público que, obviamente, estava lá com um certo APETITE POR DESTRUIÇÃO, seguida por Mr. Brownstone, antes de chegar em Chinese Democracy, aquele álbum e single que só realmente fãs da banda conheciam ou sabiam cantar. Mas foi ao dar boas vindas à selva que, de uma vez por todas (e mais uma vez), a banda conseguiu todas as atenções do público. E foi assim, emendando altos e baixos, que o show foi até o final, passando por solos que às vezes pareciam longos demais, enquanto outros emocionavam, como por exemplo o dueto de Slash e Richard Fortus, o outro guitarrista, tocando Wish you were here, do Pink Floyd, e a chuva que caía na hora de November Rain, colocando um sorrisinho bem no canto da boca de Axl Rose.

Mas, mesmo com o estádio pulando com Sweet Child o’Mine e assobiando juntinho com Patience, a CATARSE COLETIVA era o que menos importava ou o que menos chamava atenção. Veja bem... Slash e Duff McKagan estavam naquele palco. Era uma delícia ouvir o baixo de um, o tempo todo, em cada uma das músicas (ponto pro responsável pelo som) e ainda mais legal ver o guitarrista no palco.

É o Slash quem domina o palco

Talvez eu nunca tenha percebido isso pela TV, talvez eu tivesse uma ideia completamente errada, mas é Slash quem domina o palco. Aos 51 anos e barriga tanquinho, o cara atrai todas as atenções pra si. Não precisava fazer muita coisa além de caminhar tranquilamente de um lado pro outro e tocar suas trocentas guitarras. Era o mais fotografado, o mais aplaudido, o que mais deixava a galera empolgada por estar ali.

Axl Rose, por sua vez, sente o peso da idade e não anda mais de bermuda de lycra e nem tem cabelo suficiente pra ficar de bandana e ela servir como acessório (ainda que a tenha usado junto com um chapéu), nem mesmo saco pra conversar e discutir. Mas isso não é ruim, não. Uma pena, só, que tenham deixado seu microfone (que foi jogado pra plateia no final) tão baixo. É supreendente, na verdade, perceber o quão centrado e esforçado pra fazer o melhor show possível ele está. Não sei se foi isso o que fez com que o Slash e o Duff topassem voltar, mas seja lá a razão, só fez bem. Ainda que os três em nenhum momento tenham tido aquele momento “SOMOS UMA BANDA!”, foi do grande caralho vê-los todos juntos.

Quando essa história de reunião ainda era algo que a boca pequena dizia, questionamos aqui se uma reunião dos Guns N’ Roses era realmente necessária. Talvez não seja, realmente. Talvez seja só um daqueles fan services que eu, como tal, agradeço imensamente, especialmente por ter assistido à principal banda da minha vida, com seus principais membros, a menos de uma semana de completar 33 anos. Tinha uns 5 quando ouvi Sweet Child o’Mine e me impressionei com a quantidade de crianças empolgadíssimas no show — uma menininha do meu lado, de batom preto, pulava o tempo todo, dançava.

Talvez seja essa a razão da reunião: fazer as pazes com o passado — o do Axl, Slash, Duff, o meu e de todos aqueles tiozinhos que falam tanto daquela banda pros seus pequenos, mas nunca tinham conseguido mostrar. Agora deu.

Hora de ir pra casa. ;)

Foto: Katarina Benzova / Divulgação

Foto: Katarina Benzova / Divulgação

Not in This Lifetime Tour: São Paulo, 12 de Novembro de 2016

FORMAÇÃO
Axl Rose (Vocal)
Slash (Guitarra)
Duff McKagan (Baixo)
Richard Fortus (Guitarra)
Frank Ferrer (Bateria)
Melissa Reese (Teclados)
Dizzy Reed (Teclado)

SETLIST
It’s So Easy
Mr. Brownstone
Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
Double Talkin’ Jive
Better
Estranged
Live and Let Die
Rocket Queen
You Could Be Mine
New Rose
This I Love
Civil War
Coma
Speak Softly Love (Poderoso Chefão, solo do Slash)
Sweet Child O’ Mine
Wish You Were Here (Dueto de guitarras de Slash e Richard Fortus)
November Rain (com o final de Layla, tudo tocado pelo Axl no piano)
Knockin’ on Heaven’s Door
Nightrain

BIS
Patience
The Seeker (The Who)
Paradise City