Harry McVeigh, do White Lies: "O Brexit será uma tragédia para a música" | JUDAO.com.br

Em entrevista, vocalista da banda britânica falou do processo de composição de FIVE, novo disco de estúdio da banda, e celebrou os dez anos do primeiro álbum

Em uma década, muita coisa aconteceu no Brasil e no mundo. A cada retrospectiva na Globo, a quantidade insana de momentos mostrados espanta, conforta, faz rir e chorar. Nos últimos dez anos, o mundo viu o início da presidência de Barack Obama, o fim dela e o início da era Donald Trump. Também vimos uma Copa do Mundo e uma Olimpíada por aqui, gerando momentos ótimos e outros, principalmente depois, BEM ruins. E estamos aqui, neste momento das nossas vidas em que não sabemos para onde vamos. Mas sabemos pelo menos que não dá para ficar parado.

Nesse movimento todo, a banda britânica White Lies, formada há 15 anos pelo trio Harry McVeigh (vocal e guitarra), Charles Cave (baixo e vocal de apoio) e Jack Lawrence-Brown (bateria), surgiu e lançou cinco discos de inéditas, incluído FIVE — trabalho disponibilizado recentemente nas plataformas digitais. Em entrevista para o JUDAO.com.br, o vocalista admitiu que este tempo todo de estrada ajudou mais a melhorar o processo de composição do que mudou algo na personalidade.

“De alguma forma nós não mudamos nada, eu acho! Nós ainda somos os mesmos garotos que começaram a tocar juntos há 15 anos e, de certa forma, acho que tocar em uma banda e viajar pelo mundo significa que você não cresce tanto”, explicou. “Acho que musicalmente nós crescemos muito. Nós escrevemos e gravamos álbuns melhores agora que temos a experiência de trabalhar na indústria e temos a longevidade para fazer o que quisermos!”, completou.

McVeigh também contou sobre como é conviver com as mesmas pessoas durante um longo tempo e, para ele, é um privilégio estar na estrada com os mesmos dois amigos do início da carreira. “Não [mudou] muito [o relacionamento], para ser honesto. Acho que sempre tivemos muita confiança e respeito um pelo outro, e ainda fazemos um ao outro rir. Me sinto privilegiado por estar trabalhando tão de perto com meus melhores amigos”.

Ajude o JUDAO.com.br continuar desafiando a cultura pop. Assine!
A partir de R$5 por mês.

A experiência de uma década de estrada traz coisas boas para eles. Pela primeira vez, eles trabalharam em toda a feitura do disco: da concepção ao lançamento, o que deixou o vocalista bastante satisfeito com o resultado final. “Foi a primeira vez que administramos todo o processo de fazer um álbum e ficamos muito orgulhosos de entregar o que temos. É também a primeira vez que nos sentimos confortáveis em nossa longevidade, acho que agora entendemos que este é um trabalho que pode durar outros 10 ou 20 anos!”, disse.

Aliás, os dez anos do lançamento do primeiro disco (To Lose My Life..., de 2009) é algo que FIVE celebra e deixa McVeigh envaidecido. “O título é muito nostálgico para nós”, começou. “Queríamos mostrar um ponto do tempo que passamos juntos fazendo música e o que temos agora. Nós nunca esperamos chegar ao ponto de dez anos em nossa carreira e é algo de que realmente nos orgulhamos”.

O entrosamento entre eles é tão grande que o processo de composição foi exatamente o mesmo iniciado no segundo disco de estúdio. Afinal, não se mexe em time que está ganhando. “Charles e eu trabalhamos juntos por algumas semanas, escrevendo um novo material no meu apartamento em Londres. Passamos algumas horas todos os dias ouvindo música e procurando inspiração, e depois tentamos criar algo de que gostamos. Muitas vezes passamos dias, às vezes até semanas, sem escrever nada de bom, mas temos a experiência e a paciência de esperar que a música certa apareça”, explicou.

Com toda discussão envolvendo o Brexit e tudo mais, incluindo o possível aumento das tarifas alfandegárias para bandas britânicas dentro dos países da União Europeia, McVeigh lamentou muito o fato de ver seu país natal dividido nesse tipo impasse. “Oh, meu Deus! [O Brexit é] Terrível! Será uma tragédia para a indústria da música no Reino Unido, aconteça o que acontecer. É muito triste para mim, porque o Reino Unido é um lugar pequeno, mas a música feita aqui chega ao mundo todo”, apontou.

“É algo [a união entre os países] de que devemos nos orgulhar, e o Brexit nos cortará, até certo ponto, dos nossos vizinhos na Europa. Nós amamos viajar pelo mundo e todos nós devemos estar nos esforçando para a unificação e não para a divisão”, complementou.

Por fim, ele mandou um recado aos fãs brasileiros que cobram um show do White Lies por aqui. “Eu realmente espero que possamos ir ao Brasil este ano. Estamos nos esforçando muito! Sabemos que temos muitos fãs e queremos nos apresentar para eles! Estamos apenas tentando encontrar a oportunidade certa!”, finalizou.


Fagner Morais jornalista, santista fanático, fã de Chaves, 24 Horas, Harry Potter, dos Beatles e de biografias. Tirou 9,0 no projeto de rádio que fez com mais três amigos como TCC e comemorou muito. Passou por Fanáticos por Futebol e Amigos da Velocidade até chegar ao Grande Prêmio, site em que ficou até abril de 2013. Também colaborou no ManUnitedBR, Quattro Tratti e no Olheiros no início da carreira, que não faz tanto tempo assim. Criou o Agulha na Vitrola em agosto de 2011, mas precisou fechar para não ser processado. Também criador do Music on the Run, escolheu falar sobre música por gostar muito do tema e até pensa em viver disso. Já plantou uma árvore, então ainda espera escrever um livro. Ou dois.