Haverá futuro para a franquia Mad Max? | Judão

Se você está esperando outra sequência de Mad Max dirigida por George Miller, é bom se sentar…

Depois de tanto tempo consumindo refilmagens e blockbusters parecidos, Mad Max: Estrada da Fúria foi um sopro de ar fresco para o público e para a indústria, que viram o quarto filme desta franquia sobre um mundo distópico arrecadar mais de US$ 370 milhões em todo o mundo e ainda conseguir ganhar seis estatuetas em dez indicações no Oscar em 2016. O sonho de todo grande estúdio: arrecadar muito e ainda ganhar prestígio com a crítica especializada.

Como era esperado, as conversas sobre uma continuação logo começaram com a própria Charlize Theron afirmando que já existiam dois roteiros prontos para os próximos filmes da franquia, ambos sobre o passado de Max e Furiosa.

Então, se a franquia já tem dois roteiros prontos, podemos esperar um novo filme em um futuro próximo, certo? Errado.

Segundo o site do jornal The Sidney Morning Herald, o diretor George Miller está envolvido em uma batalha judicial com a Warner Bros. na Austrália. A produtora do diretor, a Kennedy Miller Mitchel, afirmou em um documento que o estúdio agiu de uma maneira “arrogante, insultante ou repreensível” e destruiu a relação de confiança entre a produtora e o estúdio.

Nesse documento, a produtora afirma que a Warner Bros. teria se recusado a pagar um bônus para a Kennedy Miller Mitchel por entregar o filme abaixo do orçamento previsto e, com isso, o estúdio violou um acordo de cofinanciamento estabelecido entre as partes. Por isso, eles não puderam trabalhar para fazer qualquer outra sequência.

E a situação tornou-se ainda mais problemática quando a Justiça australiana decidiu que essa disputa deveria ser ouvida na Austrália e não na Califórnia, “casa” do estúdio.

Uma das principais questões do processo envolve o desacordo da Warner Bros. e da Kennedy Miller Mitchel em relação ao custo líquido do filme. Enquanto o estúdio afirma que a produção custou US$185,1 milhões, a produtora discorda, afirmando que custou US$ 154,6 milhões. Essa diferença custaria U$9 milhões de bônus para os bolsos da produtora.

Diferenças criativas também causaram alguns problemas. A produtora afirma que a Warner Bros. insistiu em um novo final, além de cortar certas cenas do roteiro. Com isso, o próprio estúdio tomou decisões que causaram “mudanças substanciais e atrasos” na produção de Mad Max: Estrada da Fúria.

Outro problema apontado pela produtora é que o estúdio solicitou dez projeções do filme e pediu modificações após todas essas exibições. Além disso, eles afirmam que não sabiam que a RatPac-Dune Entertainment tinha sido contratada como co-financiadora da produção, descobrindo apenas após o estúdio solicitar que o nome de Steve Mnuchin – atual secretário do Tesouro dos Estados Unidos – fosse creditado como produtor executivo.

Hoje em dia praticamente todos os grandes portais e grupos de mídia do Brasil cobram pra que você possa ler seus conteúdos. O JUDAO.com.br continua produzindo conteúdo de graça pra todos, de forma independente, em diversas mídias, e vai fazer isso pra sempre. Mas não tá fácil pra ninguém.

Nunca o JUDAO.com.br foi tão lido em toda sua história, mas anúncios estão desaparecendo, o Facebook não deixa ninguém sair de lá e nós dependemos cada dia mais dos nossos leitores, ouvintes e espectadores pra financiar a produção de todo esse conteúdo sobre cultura pop que é bem raro na internet Brasileira. Se todo mundo que gosta, compartilha e/ou comenta contribuir, o nosso futuro estará garantido. Vamo?

Conheça nosso projeto e assine a partir de R$10 / mês. :)

Claro que a Warner Bros. tem sua versão do caso. De acordo com a matéria, o estúdio diz que a produção desse filme “excedeu significativamente o orçamento aprovado”, subindo para US$ 185,1 milhões, parcialmente por conta de mudanças que não tiveram a aprovação do estúdio. Portanto, o aumento do orçamento seria culpa da própria produtora.

O estúdio também afirma que a data de lançamento de Mad Max: Estrada da Fúria foi adiada em 14 meses e que, segundo eles, não houve uma exigência de um novo final, e sim apenas um pedido.

Até a classificação foi uma questão abordada nesse processo já que, segundo a Warner Bros., o contrato exigia que o filme tivesse 100 minutos e classificação PG-13, mas a produtora entregou 120 minutos e uma classificação R, que aqui no Brasil restringe o público para maiores de 16 anos.

Mad Max: Estrada da Fúria não foi uma produção fácil de filmar. Os problemas envolvendo esse filme começaram ainda na sua pré-produção, que teve que retirar as filmagens da Austrália e enviar para a África do Sul e a Namíbia, após fortes chuvas inundarem Broken Hill, o local original. Além de atrasar o cronograma original, essa mudança também acrescentou alguns cifrões à produção.

Orçamento em Hollywood é um assunto bastante complexo, porque existem diversos exemplos de filmes que ganharam milhares de dólares no mundo inteiro, mas não arrecadaram o suficiente para DAR LUCRO. Assim como para todo mundo, boletos precisam ser pagos e filmes são produções muito caras. Os acordos firmados entre todas as partes são essenciais para que tudo fique claro quando as montanhas de dinheiro – ou não – forem divididas.

Charlize Theron e George Miller no set de Mad Max: Estrada da Fúria

Durante uma conversa com estudantes do National Institute of Dramatic Art realizada em Abril, Miller afirmou que passou esses últimos anos escrevendo roteiros e que, honestamente, ele não sabe quando sairão os próximos tão aguardados filmes de Mad Max.

“Eles estão lá, mas isso é tudo o que posso dizer. Isso é no futuro.” Agora é acompanhar até onde esse processo irá e ver se esse realmente poderá ser o fim dessa parceria e, quem sabe, dessa franquia.

Mas é curioso pensar que a Warner Bros. não quer pagar “apenas” US$ 9 milhões de bônus para a produtora para ter uma sequência de Mad Max: Estrada da Fúria. Esse dinheiro pode significar mais um sucesso para o estúdio... Aguardemos.