Tacos, burritos, Heavy Metal y tequila! | Judão

Diretamente do México, a banda Metalachi faz a divertida mistura que seu nome já promete: rock pesado com a sonoridade dos mariachis

Chega a ser engraçado, na verdade. Ao mesmo tempo em que o heavy metal reúne uma imensa massa de fãs conservadores, pouco dispostos a experimentar novas bandas além daqueles velhos clássicos e com um comportamento tradicionalista no que diz respeito à misturas sonoras, este também é um gênero bastante aberto para a zoeira, aquela sacanagem moleque, marota, quase adolescente. O metal é das coisas que atraem a maior quantidade de malucos por metro quadrado, inventando tributos e versões que, ao mesmo tempo que dão vontade de bater cabeça, arrancam gargalhadas.

A bola da vez é um quinteto que, diz a lenda, veio da cidade mexicana de Juarez. Mas não dá pra saber direito, porque eles simplesmente não conseguem falar sério. Vivem fantasiados (brilhos, maquiagem, calças de couro, bandanas, sombreros), nunca mostram a cara, usam nomes fictícios e inventam uma história de origem que mais parece uma mistura de Tenacious D com Cheech & Chong.

O nome é autoexplicativo: Metalachi. Essencialmente, parecem um monte de mariachis que, por algum motivo, se apaixonaram por metaaaaaaaal e começaram a fazer divertidas versões à moda tradicional mexicana de clássicos da música pesada. Você acha que não faz qualquer sentido? É, não faz mesmo. Mas o resultado é sensacional – veja abaixo. Ozzy deve amar esta versão:

Formado pelos irmãos Vega De La Rockha (vocal), Maximilian “Dirty” Sanchez (violino), Poncho Rockafeller (guitarron, o baixo acústico de seis cordas tipicamente tocado pelos mariachis), Ramon Holiday (guitarra) e El Cucuy (trompete), o Metalachi teria surgido, segundo a lenda, quando os cinco teriam tentado atravessar a fronteira para os EUA e encontraram o disco Paranoid, do Black Sabbath. “Foi uma das primeiras coisas que encontramos, quando éramos crianças”, conta Vega, em papo exclusivo com o JUDÃO.

“Aprendemos a falar inglês escutando um britânico muito louco berrando com toda a força de seus pulmões. Mais tarde, descobrimos que as garotas se aproximariam mais fácil se você usasse calça colada e tocasse um pouco de Guns ‘n Roses, o que ajudou com a nossa motivação”, brinca.

A banda afirma que sempre recebe “muito amor” da internet – e que a maior parte dos fãs que passa a seguí-los nas redes sociais, por exemplo, acaba sendo depois de descobrí-los via YouTube... justamente por meio dos vídeos registrados por fãs. “E aí eles piram quando descobrem que estamos indo tocar na cidade deles”, conta o vocalista. “A maior parte dos comentários que recebemos nos vídeos dizem que estes registros online não fazem justiça ao tipo de show que fazemos. Não existe nada como experimentar um show ao vivo do Metalachi”, afirma, mandando a modéstia para Acapulco. “Já ouvimos de pessoas que viram Zeppelin, Slayer e Guns ao vivo que o nosso show foi o melhor que já viram na vida. Isso conta alguma coisa, não?”.

Preconceito por parte dos headbangers mais exaltados? Nem sinal, dizem eles. “Recentemente, estivemos no cast do Welcome to Rockville, um dos maiores festivais para este público nos EUA, que acontece na cidade de Jacksonville, na Flórida – e que este ano reuniu nomes como Korn, Slipknot, Marilyn Manson, Testament, Suicidal Tendencies. E a recepção foi ótima!”, confessa o músico.

“Temos muita sorte e recebemos muito amor da comunidade do metal”. Além dos cabeludos, o Metalachi conta que geralmente vê em seus shows hipsters e indies, modernosos do mundo da arte, lowriders e rappers... “As pessoas vêm nos ver porque nós respeitamos os dois gêneros, metal e mariachi”, afirmou o ótimo violinista Maximilian, em entrevista ao LA Weekly. “Eles não esperam um certo nível de talento vindo dos mariachis e aí... eis a surpresa”.

Entre seus fãs ilustres, estão alguns nomes BEM conhecidos do gênero – como o baterista do Pantera, Vinnie Paul. “Ele nunca perde um show nosso quando tocamos em Dallas ou em Las Vegas (ele tem casas nas duas cidades). Provavelmente, ele já foi em mais de 20 shows da gente”. Outro mestre das baquetas, Dave Lombardo (ex-Slayer), é considerado um grande amigo da banda – e inclusive já se juntou a eles para uma versão bem diferente do clássico do thrash metal Raining Blood. E ninguém menos do que Ozzy Osbourne os convidou para tocarem no mesmo festival que ele no México.

MetalachiEm 2012, o Metalachi lançou seu primeiro álbum, apropriadamente batizado de Uno. São oito versões de canções famosas, indo de Dio (Rainbow in The Dark) a Alice in Chains (Man in The Box), passando por Iron Maiden (Run to The Hills), Scorpions (Winds of Change) e Bon Jovi (Livin’ on a Prayer). Atualmente, o time está em estúdio, cuidando de seu segundo registro, ainda sem nome. Mas soubemos de uma novidade em primeiríssima mão: o disco terá a primeira composição original da trupe. “Será uma música chamada Chon Chon, nossa homenagem ao filme clássico Marcados pelo Sangue”.

A produção B de 1993 é baseada na história real do poeta Jimmy Santiago Baca, mostrando uma gangue de latinos na Los Angeles dos anos 1970. Não por acaso, o nome da gangue é Vatos Locos (Os Caras Malucos), que é a denominação que o próprio Metalachi dá à sua base de fãs. :)

Obviamente, assim que Vega saca que a entrevista está sendo realizada por um brasileiro, bate aquela repentina paixão dos bangers gringos pelo nosso país. “Temos estado muito ocupados pirando a cabeça da galera aqui nos EUA, mas não podemos esperar para conseguir uma chance de tocar na América do Sul. Vocês vatos apreciam um metal bem alto nas suas caras e prometemos que estaremos aí espalhando o evangelho do Metalachi mais cedo ou mais tarde”.

Ay, caramba! \m/