HQ vai contar a origem mitológica do Babymetal | JUDAO.com.br

Graphic novel que serve de pontapé inicial pra nova turnê da banda não vai contar só a história das três vocalistas, mas também dos ESPÍRITOS DO METAL ao seu redor

O heavy metal sempre foi um gênero bastante TEATRAL — e esta é, antes de tudo, a sua maior graça, a fina arte do exagero. Dos figurinos com couro, espinhos e correntes aos gritos complementados com toda a sorte de caras e bocas, passando pelos shows de luzes, fogo e explosões e chegando até mesmo ao malabarismo das letras (sejam elas políticas ou fantasiosas, sociais ou demoníacas) e toda a verdadeira mitologia criada por trás de cada banda, é tudo parte de um grande espetáculo. E de espetáculo, goste você ou não, as meninas do Babymetal entendem muito bem.

Seu último disco de inéditas, o ótimo Metal Resistance, saiu em 2016 e elas estão se preparando para embarcar numa nova fase de sua turnê mundial. Mas lááááááá no primeiro semestre, entre Maio e Abril, a banda já começou a construir uma nova narrativa, que parece ir além do kawaii metal, fofo porém pesado, de sempre.

Além de anunciar sua própria gravadora, a Babymetal Records, as redes sociais do CONJUNTO começaram aos poucos a explicar, por meio de postagens misteriosas e vídeos enigmáticos, que existe um “lado sombrio” do Babymetal. “Uma nova era vai começar, com sete espíritos do metal. Ninguém sabe quem, quando, onde ou como, os Sete Escolhidos serão apresentados”, era o recado para anunciar esta mudança de narrativa, um novo futuro para uma banda que estaria “em constante evolução”.

E aí que pintou o novo single, Distortion, igualmente pesado, com este clima meio sombrio, tipo uma abertura de anime de terror — e que apresenta, ainda que sem muitos detalhes, sete diferentes seres, que a gente não sabe muito bem se são malignos ou não. Talvez sejam as duas coisas. :)

Pois eis que, agora em Outubro, quando se iniciam os primeiros shows no Japão, esta mitologia toda se expande, já que elas também vão lançar a graphic novel Apocrypha: The Legend of Babymetal.

“Descubra o mito por trás da sensação mundial Babymetal”, diz a sinopse oficial. “Com a missão de derrotar as forças do mal e da divisão, os espíritos do metal devem viajar por uma variedade de eras pelo tempo, assumindo diferentes formas e identidades. O que veremos aqui não é o Babymetal atual. É uma história original baseada num Babymetal que vocês nunca viram antes. Os apócrifos da Resistência do Metal, há muito escondidos, vão surgir”.

Embora a expressão “apócrifo” signifique, lá nas páginas do dicionário, algo que é falso, suspeito, uma obra duvidosa, o título do gibi muito possivelmente faz referência aos chamados Livros Apócrifos, também conhecidos como Livros Pseudocanônicos, aquele conjunto de cartas, coletâneas de frases, narrativas da criação e profecias escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs que não foram incluídos no CANON bíblico (o que é apócrifo ou não varia de religião pra religião, já que judeus e protestantes podem considerar canônico algo que os católicos não aceitam desta forma, por exemplo. MAS ENFIM).

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O fato é que Apocrypha, a HQ, vai sair numa versão comum e também numa edição especial para colecionadores, só 500 cópias, que vai vir numa caixa clamshell customizada com uma edição assinada e ainda três prints originais, tudo por US$ 199,99.

Um lançamento conjunto da Amuse Group USA (subsidiária da empresa japonesa de talentos que cuida da carreira do Babymetal) e da pequena editora Z2 Comics (surgida com o lançamento de Cleveland, clássico dos gibis independentes de Harvey Pekar, e que desde então se especializou em quadrinhos que de alguma forma se misturam com música), Apocrypha é essencialmente uma obra do ilustrador GMB Chomichuk (The Imagination Manifesto, Midnight City), mas que obviamente tem intensa participação de Key Kobayashi, o homem conhecido pelo pseudônimo de Kobametal.

Aqui cabe o parênteses da coisa toda, porque Kobametal é não apenas o produtor/empresário do Babymetal como também o criador de todo o conceito por trás da banda — e sua suposta inspiração divina que viria do chamado Deus Raposa. “Cada ação do Babymetal é revelada a elas por meio de mensagens divinas que chegam por meio do deus do metal chamado Deus Raposa”, disse ele, em 2015, numa piradíssima entrevista pra Fuse. “Nós dizemos que elas são as escolhidas pelo Deus Raposa. E sabe o que faz delas tão especiais? Elas não faziam ideia do que era o metal antes do Babymetal. Elas não tinha preconceitos sobre o que o metal é ou teria que ser. Isso significava que a possibilidade de trazerem algo novo e nunca ouvido antes era enorme”.

Se você reparar bem nos vídeos e nas fotos de divulgação das meninas, ao invés de fazerem o já clássico chifrinho do metal com as mãos, elas fazem um símbolo japonês tradicional relacionado ao kitsune — palavra japonesa que referencia a raposa, um animal bastante presente no folclore da Terra do Sol Nascente como seres sobrenaturais inteligentes e que inclusive podem assumir formas humanas — basta lembrar, por exemplo, da raposa de nove caudas, variação comum do mito que vemos em diferentes produtos da cultura pop contemporânea como Naruto, Pokémon e até entre os personagens de League of Legends. Tudo indica, portanto, que Apocrypha deva seguir por este caminho.

CHUPA GENE SIMMONS!

Há quem aposte, no entanto, que toda esta coisa de “os sete escolhidos” vá ser mais do que um tema recorrente ao longo da turnê e que vá acabar desembocando no próximo álbum das garotas, mas que também seja um indicativo de uma mudança na formação do time.

Atualmente, o line-up do Babymetal consiste de Suzuka Nakamoto (Su-metal), Yui Mizuno (Yuimetal) e Moa Kikuchi (Moametal). A principal cantora é Suzuka. É dela que vêm os vocais, de fato, já que as outras duas ficam responsáveis basicamente pelos backing vocals e pelos “gritos complementares”, digamos assim.

No entanto, apesar dos comunicados oficiais dizerem que ela ainda faz parte do grupo, Yuimetal esteve ausente dos últimos shows da banda no Japão em dezembro, alegando uma doença. Mas aí que ela também não esteve nas apresentações americanas em maio e nem na perna europeia da turnê, que rolou no último mês de junho. E nada foi dito até o momento. A tal “nova narrativa” poderia incluir, conforme alguns fãs especulam, uma nova formação? Talvez uma formação que se amplie de três para SETE integrantes?

A saber nos próximos capítulos da saga, conforme a vontade do Deus Raposa.