HQs pra ler DEPOIS de ver Homem-Aranha: Longe de Casa | JUDAO.com.br

Gibis que, de alguma forma, inspiraram o que você viu no cinema ou que se relacionam com o que foi contado no filme. Um guia pra você que não sabe por onde começar a ler as HQs do Cabeça de Teia. :)

SPOILER! Já é tradição: estreia um filme baseado em histórias em quadrinhos, lá vem o JUDAO.com.br fazendo AQUELA lista de gibis pra você ler depois de assistir ao filme, com uma pesquisa de décadas de cronologia pro que é que pode ter inspirado os roteiristas e os diretores, além de algumas outras que ajudam a entender melhor algo ou alguém.

E aí que então o Amigão da Vizinhança, o herói mais nível das ruas da Marvel, mais gente como a gente, foi o escolhido para servir como protagonista do epílogo pra esta fase do Universo Cinematográfico da Marvel e como ponto de conexão para mostrar o que aconteceu com as pessoas sem uniformes multicoloridos entre um estalar de dedos e outro. Da mesma forma que em Homem-Aranha: De Volta pra Casa, aqui não temos a adaptação de uma HQ em particular, mas digamos que esta é uma produção que tem diversos RECORTES possíveis enquanto produção focada em ajudar no desenvolvimento do MCU.

Tal qual Vingadores: Ultimato, várias de suas pequenas partes já foram, de um jeito ou de outro, retratadas nas HQs da editora. Então, o que a gente fez aqui foi justamente analisar não a íntegra da trama mas sim seus pedaços, vindos dos mais diferentes RECÔNDITOS do Universo Marvel. Por isso, colocamos até cronologicamente de acordo com o que rola no filme e não com a data de publicação original da história, tá?

E CASO você nunca tenha lido nada e chegou agora empolgadaça com tudo, temos listas de HQs pra ler depois de assistir à Vingadores: Ultimato, Capitã Marvel, Vingadores: Guerra Infinita, Pantera Negra, Thor: Ragnarok, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Doutor Estranho, Capitão América: Guerra Civil e, por que não?, Homem-Formiga.

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Tia May trabalhando como voluntária

No começo do filme, vemos May Parker atuando pra ajudar um centro de desabrigados. Mas no caso do MCU, claro, estamos falando principalmente de uma enorme quantidade de pessoas que ressurgiram cinco anos depois, depois do “Blip”, em casas que não necessariamente eram mais as suas, por exemplo.

Nos quadrinhos, no entanto, isso TAMBÉM já aconteceu. Quer dizer, pelo menos a parte do trabalho voluntário. No começo do arco Um Novo Dia, May — que curiosamente voltou a não saber mais a identidade secreta do sobrinho graças a um OUTRO estalar de dedos, desta vez de um certo demônio de nome Mefisto — trabalha para o Projeto F.E.S.T.A., um abrigo para desabrigados mantido por um ricaço de nome Martin Li.

O grande caso é que o caminho do Cabeça de Teia passou a se cruzar frequentemente com o desta entidade quando se descobriu que Li é, na verdade, o novo supervilão Senhor Negativo. É isso mesmo, jogadores do recente game do herói para PS4 vão sacar de imediato que este pedaço de trama também foi usado na história.

A fase pode começar a ser acompanhada a partir de Homem-Aranha #83, que a Panini publicou por aqui no final de 2008.

Homem-Aranha viajando pela Europa

A viagem do Cabeça de Teia pelo Velho Continente em Longe de Casa se dá graças a uma excursão escolar. Mas nos gibis, a primeira vez que Parker carimbou o passaporte e levou o uniforme azul e vermelho na mala rolou em abril de 1971 — e também teve muito a ver com amor. Mas, no caso, não pela Mary Jane/MJ, e sim por sua eterna Gwen Stacy.

A garota não estava muito bem em Nova York, tendo que encarar não apenas a trágica morte de seu pai (em circunstâncias que, claro, envolveram o Homem-Aranha de alguma forma) e a culpa que ela colocava nas costas do herói mais famoso da cidade, mas também por esperar com todas as forças que Peter a pedisse em casamento e a convencesse a ficar. Mas a culpa, sempre ela, que Parker sentia pela morte do Capitão Stacy o impediu de seguir em frente. Então, ela partiu (tem toda uma história, esquecida depois, sobre ela ter partido também para esconder a gravidez depois de uma relação com Norman Osborn/Duende Verde). Só que Peter foi atrás.

Claro que, uma vez em Londres, justamente o cenário da batalha final contra o Mysterio nos cinemas, ele acaba se envolvendo em problemas e o Aranha têm que impedir sequestradores / terroristas que têm uma bomba em mãos e igualmente um bando de reféns em localidades como a Tower Bridge e o Big Ben.

Dá pra ler esta história em A Teia do Aranha #15, que a Abril colocou nas bancas por aqui em Dezembro de 1990.

Ned <3 Betty

O Ned do MCU, como já falamos por aqui algumas vezes, é definitivamente muito mais o Ganke dos gibis Ultimate, o melhor amigo do Miles, do que essencialmente o Ned Leeds dos quadrinhos. Nos gibis, o personagem que atende pelo nome de Ned é na verdade um repórter investigativo do Clarim Diário que, eventualmente, se torna o terceiro Duende Macabro e acaba morrendo na Alemanha, numa clássica história conjunta do Homem-Aranha com o Wolverine.

Nas revistas originais, Ned e Peter acabam disputando o amor de ninguém menos do que Betty Brant, a mesma garota que Ned namora ao longo da viagem pela Europa nos cinemas. Só que ela TAMBÉM é uma personagem diferente nos gibis, o primeiro amor de Peter Parker, que ele conhece quando começa a vender suas fotos do Homem-Aranha pro Clarim Diário.

Sim, pra quem tem só a referência dos cinemas, ela era inicialmente a secretária do irascível editor J.Jonah Jameson, da mesma forma que vemos Elizabeth Banks interpretando na trilogia dirigida por Sam Raimi.

No fim, quando Ned pede Betty em casamento, Peter percebe realmente que não tem chances, já que sua vida de aventuras como o Amigão da Vizinhança jamais lhe permitiria dar a tranquilidade que a amada gostaria de ter num relacionamento. E eis que o casal Ned e Betty até se casa pra valer, numa edição que inclusive conta com a proteção do Homem-Aranha contra um novo vilão chamado Miragem (que tem um quê de Mysterio genérico).

O ápice do relacionamento entre os dois rola em A Teia do Aranha #32, outra que saiu por aqui via Editora Abril.

Primeiro encontro do Homem-Aranha com Nick Fury

Não faz lá muuuuito sentido relembrar os primeiros encontros do Nick Fury da cronologia regular da Marvel com o Homem-Aranha 616, já que sabemos bem que, além deste Fury do MCU ter sido total e completamente inspirado na versão Ultimate (a que tem a cara de Samuel L. Jackson), o próprio Peter Parker desta versão Tom Holland tem todo o espírito dos roteiros de Brian Michael Bendis. A relação entre os dois, portanto, tem muito DESTE MOMENTO em particular dos quadrinhos, dentro do mundinho que ficou conhecido principalmente por ter dado o Miles ao Olimpo da cultura pop.

Nestas histórias, a dinâmica dos dois têm muito do tom de desconfiança inicial que Fury sente pelo garoto que, vamos lá, é mesmo só um garoto. O agente secreto, na época diretor da SHIELD, descobre logo de primeira que Peter é o Homem-Aranha, já que vê os vídeos da aranha picando o moleque — e, bom, ajuda ter um Doutor Octopus descontrolado na cadeia, gritando pra quem quiser ouvir que Peter é o Homem-Aranha.

Ele observa o garoto em silêncio durante muitos meses e chega inclusive a querer que ele faça parte dos Supremos, a versão Ultimate dos Vingadores. O diretor resolve treiná-lo, tornando-se primeiro uma espécie de babá e depois ambos desenvolvem entre eles um respeito tamanho que acaba se transformando numa relação meio de pai e filho. Pra quem assistiu ao desenho animado Ultimate Spider-Man, a parada acabou sendo bem por ali.

O início desta história entre eles rolou entre as edições 18 e 19 de Marvel Millennium – Homem-Aranha, já pela Panini.

A origem do Mysterio

A data da primeira aparição OFICIAL do Mysterio é Junho de 1964, na revista The Amazing Spider-Man #13, cortesia da dupla Stan Lee e Steve Ditko. Nesta história, somos apresentados a Quentin Beck, um especialista em efeitos especiais e dublê que trabalha para um estúdio de cinema em Hollywood, aspirando ser o próximo grande nome na sua área. Mas ele acaba, como muitos, se deparando com a falta de chances para dar o pulo rumo aos blockbusters. O sujeito até tenta virar ator,mas percebe que sua especialidade no ramo das ilusões pode fazer com que ele consiga tirar uma grana em OUTRO ramo...

Usando uma série de truques de luz, som, fumaça (incluindo gases que confundem o Sentido de Aranha de Peter e que também dissolvem as suas teias) e diversos mecatrônicos, ele rouba o Midtown Museum e faz parecer que foi o Homem-Aranha o responsável pelo delito, tentando posar como herói (sacou aqui?).

Em termos PRÁTICOS, ainda que não tenha sido diretamente identificado, Beck já tinha aparecido no gibi do Aranha — em The Amazing Spider-Man #2, que saiu mais de um ano antes. Na segunda história do gibi, The Uncanny Threat of the Terrible Tinkerer!, temos a primeira aparição do Consertador, que teria se aliado a um grupo de alienígenas, coisa e tal — e o final, com uma máscara no formato do rosto do vilão, dá a entender que ele também era um ET.

Só que, muito tempo depois (mais especificamente em Peter Parker, The Spectacular Spider-Man #51, de 1981), rolou um daqueles clássicos retcons e descobriu-se que os tais aliens na verdade eram um bando de gente fantasiada, com a ajuda de uma pancada de efeitos visuais práticos... e que Beck era o líder da galera, devidamente contratado pelo Consertador para roubar segredos militares e industriais.

Ambas as histórias podem ser lidas na edição 1 do recente encadernadão O Espetacular Homem-Aranha – Edição Definitiva, que a Panini lançou ainda este ano.

Quem é Morris Bench, aka o Homem-Hídrico?

O nome é citado de relance no filme, como um easter egg: depois do ataque do monstro feito de água em Veneza, quando Peter vê o Mysterio pela primeira vez, os estudantes estão no hotel discutindo quem seria a criatura — e aí que Flash Thompson afirma que uma matéria do Buzzfeed diria que a criatura é na verdade Morris Bench, um marinheiro que caiu num gerador experimental... “É, você realmente deve acreditar em tudo que lê na internet”, retruca a MJ.

Pra quem lê os gibis do Homem-Aranha, a piada faz total sentido porque, bom, esta é basicamente a descrição do vilão conhecido como Homem-Hídrico, cuja identidade secreta é SIM Morris Bench. Nascido e criado no Bronx, ele trabalhava como empregado num navio de carga que estava levando um poderoso gerador energético para testes em pleno oceano. Um acidente acaba fazendo com que o Aranha empurre Bench, que estava fora de serviço, jogando cartas, direto pra água, perto do gerador em atividade.

Inicialmente sem que ninguém perceba, a conversão de energia gerada ali se combina com os gases aquáticos e modifica completamente a estrutura celular do sujeito. Resgatado milagrosamente, logo ele descobre que seu corpo pode se converter em água, da mesma forma que pode fazer com areia um tal Flint Marko, aka Homem-Areia. Adivinha só se ele não se transforma então num vilão, inicialmente buscando vingança contra o aracnídeo mas depois querendo usar seus poderes em causa própria?

A adição de mais um item esquisito à galeria de vilões do herói rolou aqui nas nossas bancas em 1985, no número 23 da revista do Homem-Aranha publicada pela Editora Abril.

O Uniforme Stealth

Visualmente, claro, o uniforme do Macaco Noturno que Peter usa durante a luta com o monstrengo de fogo em Praga lembra imediatamente o do Homem-Aranha Noir, aquele mesmo que apareceu na animação do Aranhaverso. Tira o chapéu e o sobretudo e é o mesmo esquema, incluindo o das lentes quase como óculos meio steampunk. Mas digamos que o objetivo da roupa e o fato de ela ser um presente de Nick Fury para uma missão secreta têm origens mais profundas nos gibis.

Em 2004, durante a série Guerra Secreta (assim mesmo, no singular, porque é algo diferente daquelas outras duas), o Aranha é um dos heróis convocados pelo chefão da SHIELD para uma intervenção na Latvéria, o país do Doutor Destino. A ideia seria interceptar uma carga de armas e tecnologias bélicas que estariam sendo vendidas ilegalmente para supervilões classe B nos EUA, ajudando a dar-lhes mais força nas lutas contra os heróis de sempre.

O caso é que a Latvéria é um outro país com seus laços diplomáticos devidamente estabelecidos e esta seria uma missão absolutamente ilegal de acordo com os tratados internacionais. Portanto, os heróis acabaram usando versões mais escuras e camufláveis de seus uniformes originais, tentando justamente evitar um incidente internacional. Esta seria um pouco a ideia da roupa do Macaco Noturno: evitar que as pessoas identificassem que o Homem-Aranha está na Europa, lutando contra os tais Elementais, ligando-o diretamente a Peter Parker.

A saga completa foi publicada aqui na edição 33 dos encadernados da Salvat.

Mary Jane descobre que Peter é o Homem-Aranha

Tá bom, ninguém disse que a Zendaya é a Mary Jane DE FATO, assim, com todas as letras. Mas ela se tornar, desde o final do filme anterior, alguém que passou a ser chamada de MJ é, digamos, uma passagem de bastão que é mais do que suficiente para bom entendedor — se bem que eu gostaria que eles dissessem isso mais abertamente e COM TODAS AS LETRAS e foda-se o bando de pentelhos que iam aparecer enchendo o saco nas redes sociais, buá, ela não é ruiva, buá, estragou a minha infância. Ela é a Mary Jane e foda-se. E da mesma forma que nos gibis, ela JÁ SABIA que Peter Parker é o Homem-Aranha antes mesmo do moço sequer resolver que ia contar pra ela. Mas a revelação, na versão impressa, é um pouco menos tranquila e bem mais dramática.

Na edição 257 de Amazing Spider-Man, temos os momentos finais da batalha do herói contra o selvagem Puma, na qual Parker contava com a ajuda da Gata Negra. Ao final do quebra-pau, quando finalmente consegue voltar pro seu apartamento e encontra Mary Jane lá, originalmente empolgada para contar sobre um trampo como modelo em sua volta pra NY mas depois bastante chateada com os desdobramentos e desaparecimentos do alter-ego do herói (na época, ainda usando o uniforme preto, versão simbionte, pré-criação do Venom), ele começa a inventar uma desculpa e acaba sendo interrompido.

MJ diz que sabe que ele é o Homem-Aranha. E já sabe faz um bom tempo, aliás. O sujeito fica chocado. E a chance de que eles retomem o relacionamento depois do rompimento anterior parece ir por água abaixo.

Esta história pode ser lida no volume 17 da Coleção Definitiva do Homem-Aranha, aquela mesma que a Salvat interrompeu sem nunca completar...

EM TEMPO: a edição 11 do hoje extinto título Untold Tales of Spider-Man conta a história do dia EXATO em que MJ descobriu, ao ver o Homem-Aranha saindo pela janela do quarto de Peter, ainda quando ele morava na casa da Tia May. Isso foi mostrado em Homem-Aranha Anual #8, que saiu pela Abril em 1998. ;)

A morte do Mysterio

Por ser Quentin Beck quem ele é, um mestre dos disfarces, das mentiras, e este é mesmo o seu grande superpoder (e sua grande graça enquanto vilão, aliás), não dá nem pra acreditar muito que ele esteja morto de fato depois do que rolou com o encerramento daquele plano maquiavélico final simplesmente maravilhoso. Acabar com a credibilidade do Homem-Aranha sempre foi a especialidade do homem com o aquário na cabeça.

Mas existe nos gibis uma GRANDE história da morte do Mysterio. Só que curiosamente esta história não envolve o Homem-Aranha, mas sim o Demolidor. No maravilhoso arco O Diabo da Guarda, escrito por ninguém menos do que Kevin Smith, o vilão é libertado da cadeia e, diagnosticado com um tumor cerebral e câncer no pulmão, causados pelos elementos químicos e pela radiação de seu equipamento, ele está obcecado por obter um vingança final contra o seu grande inimigo.

Só que aí ele descobre que o Cabeça de Teia em atividade na época é uma cópia e não o original (Saga dos Clones, né) e resolve se focar no Demolidor. De posse de uma série de informações sobre o seu passado, obtidas com o Rei do Crime, Mysterio desenvolve um plano para enlouquecer Matt Murdock, criando uma trama intrincada sobre uma bebê e uma estranha história sobre ela ser o próximo Messias... ou talvez o Anticristo.

Karen Page é morta pelo Mercenário ao ser convencida de que é portadora do vírus HIV; Foggy Nelson é preso por assassinato. Tudo dá errado pro cara, que chega a achar que está sendo tentado pelas forças do inferno. Mas quando seu plano é descoberto e o Demolidor o trata como um grande copiador, um vilão B tentando usar tudo que outros já usaram contra ele, Quentin Beck afirma que vai roubar uma ideia do Kraven e se matar. E acaba MESMO dando um tiro em si mesmo.

Gibis são gibis e o Mysterio é o Mysterio — e, anos depois, ele ressurge com histórias conflitantes a respeito de seu retorno. Seria mais uma mentira muito bem elaborada? Ou ele teria sido mesmo mandado de volta do inferno por um demônio cujo nome nem sabe dizer? Tudo parece parte de uma lenda que faz sentido um personagem como ele tentar incentivar, aliás.

Em março deste ano, a Panini lançou O Diabo da Guarda num encadernado completo. Quem não tem, deveria ter.

A família de Flash Thompson

No final da viagem, quando os alunos descem do avião, Flash vai de encontro ao motorista da família que o espera com a plaquinha. Quando se aproxima, pergunta: “minha mãe veio?”. E o homem de terno balança a cabeça negativamente, deixando o garoto bastante frustrado.

Além disso, quando Peter usa o óculos EDITH pela primeira vez na van e tem acesso às informações dos celulares dos colegas e professores, ele descobre que Flash não recebe informações da família há muitos dias. São detalhes bastante sutis mas que, de alguma forma, tem a ver com a relação tumultuada que Flash tem com a família nos quadrinhos.

Nos quadrinhos, Flash era o VALENTÃO clássico das escolas americanas da década de 1960, o fortão que praticava esportes, era o favorito das garotas e vivia tirando sarro dos moleques estudiosos, tipo o próprio Peter.

Mas nos filmes, Flash é um bully diferente. Cheio da grana, ele sacaneia o Parker usando justamente destes recursos financeiros, da ostentação, enfim. Está o tempo todo nas redes sociais, fazendo vídeos pra sua base (?) de fãs no #flashmob. Pura compensação, conforme diz ele dentro do cofre, num momento em que todos compartilham um pouco de suas vidas com medo de que o drone assassino adentre a porta.

Nos gibis contemporâneos, conhecemos um pouco mais do passado de Flash, igualmente um fanático pelo Cabeça de Teia, e igualmente em busca de compensação. Seu comportamento violento na escola é reflexo de uma infância violenta dentro de casa. Filho do policial Harrison Thompson, que se tornou alcoólatra e começou a descontar na família, Flash cresce e se torna militar, mas as marcas do comportamento abusivo ele acaba carregando pra sempre, tendo inclusive um episódio em que ameaça se entregar à bebida também.

Um pouco do passado turbulento do personagem pode ser lido em Amazing Spider-Man #574 de 2008, que saiu por aqui em Homem-Aranha #95, da Panini, em 2009.

Tia May namorando

Embora a Tia May vivida por Marisa Tomei tenha muito mais da Tia May Ultimate, mais jovem e moderna, com uma vida ativa e independente, do que da Tia May clássica, a senhorinha de idade com uma saúde frágil desde sempre, dá pra dizer que a vitalidade de uma acabou influenciando diretamente o retrato que os roteiristas fizeram da outra nos últimos anos.

A May do Universo 616 já namorou homens como o jogador inveterado Nathan Lubensky, o simpático carteiro Willie Lumpkin e até mesmo um cientista de nome Otto Octavius (JURO). Maaaaaaas um de seus relacionamentos mais recentes e intensos foi justamente com John Jameson Sr., apelidado de Jay, justamente o PAI de J.Jonah Jameson.

A situação, bastante divertida, transformou Peter e JJJ em “irmãos”, já que May e Jay levaram o relacionamento tão a sério que acabaram se casando eventualmente. E o mais bizarro? O paizão era apoiador total do Homem-Aranha, que conheceu pessoalmente assim que voltou a morar em Nova York, a despeito dos sentimentos de seu filho pelo Cabeça de Teia. Vítima de uma doença rara e sem cura, o patriarca dos Jameson acabou falecendo e tornou May viúva mais uma vez.

O casamento de May e Jay pode ser lido na enorme edição comemorativa Amazing Spider-Man #600, que aqui no Brasil teve diversas de suas histórias divididas nas edições 104, 105, 108 e 110 do gibi do Homem-Aranha publicado pela Panini.

J.Jonah Jameson trabalhando num site

Talvez um dos momentos mais legais de Longe de Casa tenha mesmo sido o JK Simmons retornando ao papel de JJJ — ainda que numa pegada diferente e mais assustadoramente atual.

Não estamos falando do lendário editor-chefe de um dos maiores jornais de Nova York, alguém que representa o jornalismo clássico, tal e coisa. Mas sim de um Jonah mais na pegada Alex Jones, o que transforma o site TheDailyBugle.Net não apenas numa versão online do jornal, o que por si só já faria sentido já que estamos em 2019, mas também num site mais conservador e sem medo de espalhar notícias de procedência duvidosa como o próprio InfoWars.

Para ser manipulado por um sujeito como um Quentin Beck da vida, nada que faça mais sentido. E obviamente eu consigo imaginar ainda mais um JJJ com esta abordagem sendo responsável pela criação de um Escorpião, por exemplo, mais até do que o Jameson na linha fina entre a inveja da máscara e o heroísmo inato que vemos nas HQs.

De qualquer forma, não é a primeira experiência do sujeito com o mundinho da internet, porque isso TAMBÉM rolou nos gibis. Depois de abandonar o cargo de prefeito de Nova York (sim, sim, isso aconteceu) e depois de ser demitido de um canal televisivo no qual tinha uma coluna meio sensacionalista, sem possibilidade de retornar ao cargo que outrora ocupou no Clarim, o jornalista resolveu agir por conta própria e montou um blog, chamado Threats & Menaces (obviamente inspirado em sua clássica manchete do Clarim, “Spider-Man: Threat or Menace?”). Qual era o seu assunto favorito? ADIVINHA SÓ se não começa com H e termina com omem-Aranha?

A estreia do homem do cabelo escovinha neste mundinho digital aconteceu na edição 3 de Peter Parker: The Spectacular Spider-Man (2017), que por aqui rolou no recente gibi O Espetacular Homem-Aranha #23.

A revelação da identidade secreta do Homem-Aranha

Este papo de contar aos quatro ventos que o Homem-Aranha é na verdade Peter Parker já aconteceu muitas vezes nos quadrinhos, na real. Em sua grande maioria, na verdade, dentro de grupos fechados, tornando-se emergências que ele conseguiria abafar de maneiras mais tranquilas. JJJ viu uma foto, ele finge que aquela foto era uma montagem; um vilão tira sua máscara, ele pede ajuda a um amigo super-herói pra poder colocar Peter e Homem-Aranha num mesmo lugar; ele é secretamente filmado trocando de roupa, tá tudo bem, é só inventar uma máscara de látex do Peter que ajuda a fingir que o rosto dele TAMBÉM é um disfarce.

A grande treta aqui, no fim, acabou sendo quando a identidade do Cabeça de Teia foi revelada GLOBALMENTE, na frente das câmeras, pra todo mundo ver, bem no espírito do que aconteceu naquela cena pós-créditos de Longe de Casa. Mas nas HQs, quem revelou isso PRA GERAL foi ninguém menos do que O PRÓPRIO HOMEM-ARANHA. E que depois que deu merda, teve que contar com demônios e magos para apagar as memórias de um planeta inteiro.

Parte da trama você deve conhecer do filme de mesmo nome: após um desastre envolvendo os Novos Guerreiros em Stamford, que matou mais de 600 pessoas (incluindo aí uma escola cheia de crianças), ganhou força no Congresso dos EUA a tal Lei de Registro de Super-Humanos. O projeto, aprovado em tempo recorde, passou a exigir que todos os superpoderosos da Marvel fossem registrados e revelassem a sua identidade secreta para a SHIELD, passando assim a ser responsabilizados por seus atos, recebendo um treinamento e sendo reagrupados em equipes para proteger cada um dos 50 estados americanos — trabalho pelo qual receberiam um SALÁRIO. Homem de Ferro ficou a favor da lei. O Capitão América ficou contra a lei. E rolou um RACHA entre os heróis.

Na época, o Homem-Aranha morava na cobertura da Torre Stark e tinha um relacionamento bem próximo de Tony Stark, a quem passou a enxergar meio como uma figura paterna e de quem inclusive recebeu um novo e avançado uniforme, o Aranha de Ferro. Ele é manipulado pelo Latinha, que realmente acredita que o Escalador de Paredes poderia ser alguém pra influenciar outros heróis, e força o cara a revelar a sua identidade de forma pública – mesmo que, pela lei, isso não seja necessário. A atitude tem efeito inverso: Parker passa a ser perseguido por seus principais inimigos, assim como Mary Jane e a Tia May. Quase morto, o Aranha é levado pelo Justiceiro aos Vingadores Secretos e passa a integrar as fileiras contra o Registro – e a se tornar um herói ilegal, afinal ele NÃO chega a fazer a parte burocrática do registro.

Uma das mais importantes e influentes sagas da história recente da Marvel, Guerra Civil também foi publicada na íntegra dentro da coleção oficial de graphic novels Marvel da Salvat, no número 50.

E a E.S.P.A.D.A., o que é mesmo?

Bom, isso aqui é um bônus, porque se trata de um exercício de especulação da nossa parte. Vivemos num MCU que agora ignora solenemente a SHIELD, aquela mesma que retornou, ainda que de maneira bastante contida, na série de TV dos agentes do Coulson. Mas Nick Fury e Maria Hill ainda tão por aí. Não na Terra, ajudando o Homem-Aranha — aqueles eram skrulls disfarçados, tá? Mas sim no cosmos, numa gigantesca estação espacial repleta de alienígenas.

Obviamente que todo bom leitor de gibis já cravou que aquela ali é a semente de uma NOVA organização comandada pelo homem do tapa-olho, a ESPADA. Quer dizer, E.S.P.A.D.A., que também é uma sigla — se em inglês a tal S.W.O.R.D. ficou como Sentient World Observation and Response Department, na versão em português tornou-se Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena.

A ideia é que esta seja uma organização secreta de inteligência e contraterrorismo que, ao contrário da SHIELD, esteja focada em ameaças vindas de outros planetas. Sob comando da agente especial Abigail Brand, o quartel-general deles é justamente a estação espacial orbital chamada Peak.

A história da primeira aparição da ESPADA pode ser lida no encadernado Marvel Deluxe: Vingadores – Os Vingadores do Amanhã.