A ideia da Disney comprar a Fox assusta mais do que empolga | Judão

Fossem só os direitos dos X-Men e Quarteto Fantástico de volta, vá lá. MAS…

“(...) nós sempre temos planos de contingência, de qualquer maneira. Vamos poder fazer outro filme com esse ator? Se sim, faremos isso, se não, faremos aquilo. Se recuperarmos os direitos pra um personagem que seria ótimo, faremos isso, se não, aquilo outro”, disse Kevin Feige, na época do lançamento do Blu-ray de Vingadores: Era de Ultron, ao comentar sobre a chegada do Homem-Aranha ao Universo Cinematográfico da Marvel. “A gente sempre opera com essas timelines alternativas e estamos prontos pra mudar caso alguma coisa aconteça”.

Foi por isso que o Cabeça de Teia se encaixou tão perfeitamente em uma história construída, até aquele momento, durante outros 14 filmes — mesmo que, logo na sequência, tenha dado uma CAUSADA na timeline. E é por isso que a história revelada no início dessa semana, de que a Fox chegou a negociar com a Disney pra vender boa parte das suas propriedades para o Pateta deixou tanta gente EXCITADA.

Entre as operações de cinema e TV que seriam adquiridas pela Disney, como o FX e National Geographic, The Simpsons e Avatar, essa seria a única maneira dos personagens da Marvel que moram no número 10201 da West Pico Blvd., em Los Angeles, voltarem pra casa da mamãe em Burbank e, de uma maneira ou de outra, os X-Men e o Quarteto Fantástico teriam lugares garantidos a partir da chamada Fase 4 dessa história — justamente uma em que, dizem e esperam, boa parte dos principais nomes dessa festa irão pra casa descansar. Imagina só?

Não que as últimas coisas que a Fox fez sem o Bryan Singer tenham sido ruins, como Logan, Deadpool e X-Men: Primeira Classe não nos deixam esquecer (Quarteto Fantástico é o desastre que confirma a regra), mas o que fizeram em PARCERIA com a Marvel na TV, como Legion e The Gifted, mostra todo o potencial que essa história teria em termos CRIATIVOS.

A questão é que a história não se resume à Marvel readquirindo os direitos dos Mutantes e da Família Fantástica.

Num mundo em que Netflix e Amazon não param de crescer, a Fox percebeu que poderia ter muito mais vantagem COMPETITIVA se pudesse se focar mais em “notícias” e esportes — o que, aliás, o tal do Mercado concorda, já que as ações da empresa subiram quase 10% depois que a CNBC divulgou a história da negociação. Pelo lado da Disney, ter mais propriedades significa um poder ainda maior de ganhar o dinheiro de quem quer ver o que produz e, claro, competição também. Porque agora é assim: ou você cresce e domina o máximo que puder, ou foca no que outros não podem focar. Não foi à toa, por exemplo, que tanto a Disney quanto a Fox tentaram comprar a Time Warner — e também não foi à toa que a Disney comprou a Marvel e a LucasFilm.

Só que se é perigoso imaginar um mundo com ainda mais investimento na Fox News, você consegue imaginar um mundo em que a Disney é dona da grande maioria das coisas que você gosta e quer ver?

No já longínquo ano de 2015, a Disney tentou fazer com que os cinemas pagassem mais pra exibir Vingadores: Era de Ultron, lá nos EUA. Eles se uniram e o Pato Donald acabou recuando. Agora em 2017, eles estão forçando não só que os cinemas paguem mais como que exibam Star Wars: Os Últimos Jedis* por no mínimo quatro semanas em suas maiores salas — um movimento que não deve incomodar muito as grandes redes de cinema, mas que pode foder e BASTANTE os donos de cinemas com poucas salas, em cidades menores.

Como se não bastasse, por conta de reportagens (essa e essa) que mostram que a Disney estaria se aproveitando de todo o poder que tem pra lucrar mais com seus parques na cidade de Anaheim, sem pagar o que deveria para a cidade, a empresa resolveu cortar o Los Angeles Times das exibições dos seus filmes para a imprensa — em outras palavras, os leitores do jornal só poderiam ler críticas e reportagens sobre os filmes do estúdio (e da Pixar, Marvel e LucasFilm) depois da estreia.

Uma decisão tão ridícula quanto a do “dono da bola” que sai do jogo levando a redonda pra casa se não gostou de alguma coisa que fez com que outros veículos como o AV Club e The Guardian e críticos de jornais como The Washington Post anunciassem que não iriam publicar críticas e/ou assistir a filmes antes da estreia até que o Los Angeles time possa.

I will start my operations here, and pull the rebels apart piece by piece. They will be the architects of their own destruction

Além disso, a associação de críticos de cinema de Los Angeles, o círculo de críticos de cinema de Nova York, sociedade de críticos de cinema de Boston e a sociedade nacional de críticos de cinema divulgaram uma nota em que afirmam que, até que o “blackout” seja derrubado, eles não irão considerar nenhum filme da Disney / Pixar / Marvel / LucasFilm pra premiações. “É extraordinário que um grupo de críticos, o que dirá quatro grupos, tomar uma decisão que penalize artistas por decisões além do seu controle. Mas a Disney nos fez tomar essa decisão quando decidiu punir o Los Angeles Times ao invés de expressar sua discordância através de discussão pública. A resposta da Disney deveria preocupar gravemente todos que acreditam na importância de uma imprensa livre, artistas inclusive”.

Ava DuVernay, diretora de Uma Dobra no Tempo, filme da Disney que estreia no Brasil em 29 de Março, expressou o seu apoio aos jornalistas no seu twitter. ATUALIZADO! Depois do New York Times se juntar ao time, a Disney resolveu derrubar o “blackout”. Porém, como diriam os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas, “malfeito, feito”.

A reportagem original já dizia que as negociações para a compra, NESSE MOMENTO, não estavam mais acontecendo mas, de acordo com a Bloomberg, as conversas estão mortas — não que o aumento do valor das ações da Fox não possam fazer as coisas voltarem, mas, por enquanto isso só nos restar imaginar.

Seria legal pra caralho ver os X-Men no Universo Cinematográfico da Marvel? Sim, seria. Imagina um possível Vingadores VS. X-Men, ou uma crossover entre Os Incríveis e Quarteto Fantástico? As possibilidades seriam infinitas, tanto nos cinemas quanto entre as séries de TV.

O único problema é o preço a ser pago por nós pra que isso acontecesse. Não me parece que valeria a pena...

* Sério, quem foi o filhodamãe que chegou e decidiu que Jedi não tem plural? Os Últimos Jedi NÃO DÁ. NÃO DÁ!