Infamous Iron Man: Von Doom quer ser muito mais | Judão

Primeiro número do novo gibi do Homem de Ferro, só que agora estrelado pelo homem outrora conhecido como Doutor Destino, mostra que teremos uma análise bem interessante do maior vilão da Marvel

SPOILER! Thanos pode ser a grande ameaça à vida do Universo, Galactus pode ser o faminto devorador de mundos, mas vamos combinar: eles são inimigos maiores do que a vida. É, basicamente, todo mundo contra eles e salve-se quem puder. No quesito “vilão”, na melhor ACEPÇÃO da palavra, o maior antagonista da Marvel sempre foi o Doutor Destino.

Reed Richards que nos perdoe, mas ele não era apenas aquele bandidinho do Quarteto Fantástico. Ele era uma ameaça viva e real a todo o Universo Marvel. As Guerras Secretas, as duas, que o digam. Victor Von Doom teve as manhas de se tornar um deus não uma, mas DUAS vezes. E ainda refez a criação à sua imagem e semelhança sem pensar duas vezes.

As primeiras páginas do número de lançamento de Infamous Iron Man, que acaba de ser publicada, trazem um flashback que o roteirista Brian Michael Bendis inteligentemente resgatou da época da Cabala, quando as principais lideranças vilanescas se reuniram para traçar alianças (ou quase isso) com Norman Osborn, considerado herói nacional pós Invasão Secreta e alçado ao cargo que outrora foi de Nick Fury.

O Capuz, um recém-chegado e sem muitas papas na língua, sai na frente de figuras como Loki, Namor e Rainha Branca e faz aquela pergunta que quase todo mundo já se fez um dia. Destino é um gênio científico, tecnológico e uma das mentes mais brilhantes do planeta; é um mago de poderes supremos que quase rivaliza com o Doutor Estranho; tem tanto dinheiro na conta bancária quanto Tony Stark; é dono de seu próprio país; tem imunidade diplomática. Ou seja, ele tem todo o poder e toda a grana que poderia querer. Pelo menos, a gente acha. Portanto, qual é o seu segredo? O que ele quer, afinal, além de poder e dinheiro? Qual seria o real objetivo do Doutor Destino em sua jornada? A vingança contra Richards é pouco, muito pouco. Deve existir algo mais.

Este é um mote BEM interessante a se trabalhar, considerando que a resposta que vamos descobrir agora, com um Von Doom aparentemente em busca de redenção, tem grandes chances de ser “honra”. Ser reconhecido, ser admirado, ser a melhor versão de si mesmo. Ser mais do que apenas um vilão, um herói. Melhor do que todos eles. Do tipo que não precisa dominar o mundo, mas sim mudá-lo. Ajudá-lo a evoluir. Pode ser apenas isso. Ou talvez não.

Qual seria o real objetivo do Doutor Destino em sua jornada? Deve existir algo mais além da vingança contra Reed Richards

De qualquer maneira, o caminho, na verdade, faz todo o sentido para quem tem acompanhado a trajetória de Von Doom ao longo dos últimos anos nos gibis da Marvel. Sozinho, ele descobriu as incursões que ameaçavam a Terra e que os Illuminati de Richards, Stark e cia tentavam combater. Moldou seu próprio plano com o objetivo de salvar a nossa realidade e encarou os Beyonders de frente, sem medo de ser mais uma vez fulminado. Venceu. Se não fosse pelo Doutor Destino, neste momento a maior parte dos heróis da Marvel estaria oficialmente morta (ainda que morte signifiquem bem pouco na cronologia da Casa das Ideias). Tudo bem que o que ele fez depois é beeeeeem questionável, mas...

O ponto aqui é que, com o rosto recuperado e sem precisar recorrer à armadura para esconder suas cicatrizes, Von Doom busca uma nova chance, um novo ponto de partida. Inesperadamente, ele salva Maria Hill, diretora da SHIELD, das mãos do criminoso Diablo. Claro, estamos falando de alguém cujo passado é repleto de atentados terroristas e outros atos bastante questionáveis — e, portanto, seu ato de heroísmo desprendido chama bem a atenção das autoridades.

Mas Victor tem um esconderijo secreto bem interessante: no caso, o mesmo esconderijo onde Tony Stark guardava suas armaduras e onde uma inteligência artificial com os padrões de pensamento do próprio Homem de Ferro promete ser um coadjuvante bastante pentelho e divertido, um grilo falante que também não acredita muito nas boas intenções deste senhor. Um baita acerto dar uma espécie de Alfred para a cruzada de um Batman metálico e com severas doses de megalomania. Ele ajudou o Homem de Ferro a prevenir, como diz o recordatório inicial, “catástrofes que poderiam dar fim ao nosso mundo”.

Ah, sim, tem isso. Importante é perceber que a Marvel colocou esta revista na rua ANTES do fim de Guerra Civil II. Isso significa que não sabemos, em momento algum, o destino (entendeu o que eu fiz aqui?) do Toninho assim que o conflito com a Capitã Marvel chegar ao fim. Tudo que dá pra saber é que: 1) não é nada bom; 2) Von Doom o ajudou, de alguma forma, no fim das contas; e 3) o desfecho reservado para Tony acabou tornando-se bem público.

Infamous Iron Man

Além dos diálogos inteligentes e ágeis de Bendis, Infamous Iron Man reúne novamente a dupla de uma das melhores fases do Demolidor e coloca Alex Maleev na arte. Com um estilo simples e refinado, ele sabe trabalhar bem as expressões faciais e as caracterizações físicas. O seu Victor Von Doom não é o herói bombadinho. Na verdade, é bem magro, elegante e com uma FLEUMA europeia. Dá para imaginar imediatamente um cara como Vincent Cassel no papel e TOMARA QUE A FOX ESTEJA LENDO ISSO. OI FÓ!

Infamous Iron Man #1 não apenas cumpre o que promete como vai direto ao ponto, sem frescuras. Você sabe exatamente do que se trata a história. E Bendis sabe muito bem construí-la, de maneira que você queira voltar no mês seguinte. Veja, o Doutor Destino é o meu personagem favorito da Marvel depois do Homem-Aranha, o meu vilão favorito da cultura pop ali, empatado com o Darth Vader. Era inevitável que eu tivesse curiosidade de ler este gibi e Bendis e Maleev conseguiram me fazer querer voltar pro #2. Objetivo atingido. Falta agora a gente descobrir qual é a FODA do real objetivo do Von Doom... ;)

PS. Uma pequena frustração — apesar de continuar deliciosamente arrogante (ainda bem!), Von Doom não está mais falando de si mesmo em terceira pessoa. Uma pena. Vou sentir saudades.