James Beard, o primeiro homem a cozinhar na televisão | Judão

Com TANTOS novos programas culinários atualmente, a gente resolveu contar um pouco sobre quem foi James Beard, primeiro cozinheiro a apresentar um programa culinário na televisão! ;)

Cozinhar é um ato de muitos significados. Comer, veja bem, é algo instintivo. Mas temperar, cortar, marinar, moer, usar fogo e gelo pra transformar alimentos é algo cultural. E não só o ato EM SI, mas também os incontáveis de rituais que existem no mundo todo para o momento da refeição. E como nossa cultura está sempre em transformação, nossa culinária obviamente caminha junto.

No Brasil, a televisão só foi chegar e se popularizar DE VERDADE no final dos anos 1950. Mas ela já tinha um papel importante em lugares como Inglaterra e Estados Unidos bem antes, com programas variados. E foi em 1946, em um talk show chamado Elsie Presents, que o mundo teve o seu primeiro programa de culinária pela TV.

Antes disso, outras pessoas já haviam LIDO receitas em voz alta no ar, como faziam no rádio há muito tempo. Quando muito, explicavam um passo-a-passo. Mas em um segmento chamado I Love To Eat! (do qual não temos nenhum registro além de um único áudio), um cozinheiro chamado James Beard mostrou que um veículo daqueles merecia uma linguagem diferente. E que pessoas em casa precisavam assistir não só pelas informações, mas também porque achavam divertido!

Mas James Bay não foi só o primeiro ~cozinheiro da TV mundial.

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Ele nasceu em 1903, em Oregon, e foi exposto à culinária desde muito cedo.
Segundo ele, sua primeira lembrança relacionada à comida é de 1905, quando foi levado ao Festival Lewis & Clark. “A maior lembrança que tenho — e que marcou minha vida — foi ver biscoitos e cereal matinal sendo feitos. Não é maluco? Isso aconteceu quando eu tinha 2 anos. E aquilo me deixou muito intrigado.”

Sua mãe era dona do Hotel Gladstone e isso fez com que James visse frequentemente cozinheiros trabalhando avidamente nos mais variados pratos. Durante as férias da família, eles também costumavam preparar suas refeições com o que conseguiam colher, caçar e pescar, e isso foi moldando um GOSTO pela coisa. Mas até aí, nada de MUITO grande havia acontecido…

Até que, em 1923, James foi EXPULSO da faculdade que frequentava, a Reed College. O motivo? “Má performance acadêmica”, segundo a instituição. Mas Beard sabia que talvez o buraco fosse mais embaixo e sempre sustentou e contou que sua expulsão tinha a ver com ooooutro fato: o de ele ser um homem gay.

Em seu livro de memórias, Delights and Prejudices, ele conta que “quando eu tinha sete anos, já sabia que era gay”. E, POR MAIS que o pessoal da Reed atualmente negue SUPER essa situação, a gente sabe bem que isso é algo altamente provável, ESPECIALMENTE porque em Oregon, “atos de homossexualidade” eram crime até 1972. ¯\_(ツ)_/¯

Tentando criar uma nova fase de vida, James resolveu ser ator. Ele entrou para uma companhia de teatro itinerante e foi para lugares como a França, grande CAPITAL da culinária, e ganhou algumas lições sobre cozinha do preparador vocal da trupe, um italianão que sabia bem dessas coisas. Quando voltou pros Estados Unidos, em 1937, decidiu não seguir na dramaturgia e criou um serviço de buffet. Em 1940, lançou seu primeiro livro, Hors D’Oeuvre and Canapés (Aperitivos e você sabe o resto). Com essa publicação, ele foi visto, pela primeira vez, como um cozinheiro respeitado e tudo parecia ir bem... Até que um cara meio estranho chamado Adolf resolver invadir a Polônia.

Em 1942, o racionamento de comida causado pela guerra fez com que seu negócio fosse extinto. Beard precisou parar tudo o que estava fazendo para servir ao exército americano. Lá, ele trabalhou com criptografia e ajudou a organizar a força marinha. Ao voltar, em 1945, ele resolver mergulhar FUNDO na cozinha e nunca mais saiu. Publicou mais um livro e, então, foi chamado pra fazer o I Love To Eat!.

Nove anos depois de sua estreia na televisão, ele abriu sua própria escola, a James Beard Cooking School. Ali, ele ensinava essencialmente sobre a cozinha americana que ele sempre amou tanto. O jornalista culinário Mark Bittman, certa vez, afirmou que “em uma época em que apenas as comidas francesas eram respeitadas, James era americano por excelência. Aquele homem cresceu com panquecas com salmão e bolo de carne em seu sangue.”

Beard também foi um dos primeiros a falar sobre a importância de se respeitar ingredientes, preparar alimentos com cuidado e sempre do jeito menos industrializado possível. Beard foi o pioneiro do movimento conhecido como “da fazenda para a mesa” e SEMPRE fez questão de frisar a importância de se comer alimentos reais e frescos.

Depois de abrir caminhos, cozinhar na TV virou um NEGOCIÃO. Imagine que só em 1958, DOZE ANOS depois da estreia de Beard na TV, que rolou algo assim por aqui. Naquele ano, os brasileiros assistiram uma mulher chamada Ofélia Anunciato fazer MAGIA com panelas em um quadro dentro do programa Revista Feminina, da TV Tupi. Beard morreu em 1985, por conta de problemas cardíacos, aos 81 anos, com 19 livros publicados.

Se hoje a gente vê a Ana Maria Braga, Bela Gil e Rita Lobo, se amamos chefs famosos como Nigella Lawson ou Paola Carosella, se assistimos a Masterchef, Top Chef, Hell’s Kitchen ou canais de YouTube EXTREMAMENTE bem produzidos, é por conta de James. Ele não só mudou o jeito de fazer TV. Mudou também o NOSSO jeito de pensar em comida e, principalmente, de pesquisar novas receitas PRAQUELE almoço de domingo. ;)