John Carpenter está de volta ao universo de Halloween | Judão

Lendário diretor será produtor e consultor criativo do mais novo reboot da saga do maníaco mascarado Michael Myers

“A gente sempre fala sobre desigualdades no cinema. E podemos adicionar mais uma: desigualdade de gênero”, soltou dia destes, em uma verdadeira tempestade de tweets, o diretor Guillermo Del Toro. Essencialmente, ele estava falando sobre o quanto gosta do cineasta John Carpenter e o quanto acha que ele é subestimado em Hollywood, em especial por ser diretor de filmes de terror, considerado por si só um gênero cinematográfico menor. “O horror sempre vai ser punk rock”, brincou, lembrando justamente de um gênero musical eternamente relegado ao undergound.

Em um de seus tweets sobre Carpenter, Del Toro ainda diz que o primeiro Halloween (1978), filme inaugural da saga do psicopata mascarado Michael Myers, é uma “supernova” para o gênero de terror, com “precisão implacável, simplicidade e elegância”. Bom, tanto o Del Toro quanto os outros fãs de Carpenter podem se segurar na cadeira, porque é oficial: John Carpenter está de volta ao universo que ajudou a criar quase 40 anos atrás. Ele será o produtor executivo e consultor criativo, trabalhando bem próximo do próprio diretor, de mais um filme da franquia Halloween. E detalhe: Jason Blum, o todo-poderoso da produtora Blumhouse, ainda está negociando para que Carpenter também faça a trilha sonora.

“38 anos depois do Halloween original, eu vou ajudar a fazer com que este filme seja o mais assustador de todos”, afirmou Carpenter, 68 anos, em comunicado publicado em um site oficial dedicado à série de filmes, totalmente renovado.

Ainda em “estágios iniciais de pré-produção”, o filme será uma produção da Miramax (que assumiu os direitos depois que foram perdidos pela Dimension Films) e da Blumhouse – produtora de filmes de terror especializada em produções com orçamento mais modesto mas que tem dominado o mercado com títulos que andaram dando bons resultados de bilheteria como os recentes Atividade Paranormal, Sobrenatural (Insidous) e A Entidade. E o próprio Blum, aliás, faz questão de deixar claro que o ESMO deste novo filme, ainda sem título, também deve ser bem contido, exatamente como aconteceu no caso do original. “Halloween é um daqueles filmes que inspiraram todo mundo na nossa empresa a fazer filmes de terror”, disse ele.

Outro que também está envolvido é o produtor Malek Akkad, via Trancas International. Ele é filho de Moustapha Akkad, produtor do 1º Halloween, e chegou a trabalhar na produção de outros três filmes da saga: Halloween H20 (1998) e os dois filmes dirigidos por Rob Zombie, de 2007 e 2009.

Por sinal, a palavra “reboot” é mencionada pelo menos duas vezes no comunicado oficial justamente porque eles querem recomeçar do zero, fingindo que os dois filmes dirigidos por Zombie (que, por sua vez, já eram reboots) não existiram. “Halloween precisa voltar às suas origens”, opina Carpenter. “Eu sinto que os filmes se afastaram disso. Michael não é apenas um ser humano. Ele é uma força da natureza, como o vento. É isso que o faz tão assustador”. E o veterano ainda dá dica para quem vai se sentar na cadeira de diretor desta nova produção: “Seja fiel ao espírito original do filme. Não se empolgue tanto. Conte uma história simples. Conte uma história assustadora”.

John Carpenter e Jamie Lee Curtis no set de Halloween (1978)

John Carpenter e Jamie Lee Curtis no set de Halloween (1978)

A trama do primeiro Halloween, escrita pelo próprio Carpenter, conta a história de um garotinho de seis anos de idade chamado Michael, que mata sua irmã adolescente Judith no Dia das Bruxas de 1963, na pequena cidadezinha de Haddonfield, Illinois. Considerado psicologicamente instável, ele é internado durante 15 anos num sanatório, do qual acaba fugindo na época do Halloween (UAU). Usando uma máscara branca de expressão impassível, ele é caçado por seu psiquiatra, o Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence), enquanto comete uma série de assassinatos em sua cidade natal, tendo como alvos preferenciais um bando de adolescentes – incluindo Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que trabalha como babá. John Carpenter não apenas não chegou a dirigir mas também não teve qualquer envolvimento com nenhuma das continuações, que foram ficando cada vez piores e mais forçadas.

Com lançamento previsto para o Halloween de 2017 (ah, vá), este novo Halloween terá, segundo Blum, um diretor com alguma experiência. “Mas o acordo é tão novo que ninguém sabe ainda quem poderia ser”. Olha só, agora é aquele momento no qual eu peço pra você voltar ao começo deste texto. Sacou? Bom, fica a dica aí, Blumhouse. ;)