RESENHA! John Wick: Um Novo Dia para Matar

Capítulo 2 da história de John Wick estreia essa semana e, bom, é tudo isso mesmo. :)

Você assistiu à John Wick? Talvez você conheça como De Volta ao Jogo, o que é uma das maiores cagadas em termos de adaptação de título gringo pro Brasil, um dos melhores filmes de 2016, o ano em que eu o assisti pela primeira vez.

Se você viu em 2015, ou em 2014 quando estreou, tenho certeza que é um dos melhores desses anos também, assim como será de qualquer ano em que você o assistir porque John Wick é simplesmente do caralho. Assim, do grosso, veiudo, RIJO caralho.

A história é bem simples: Keanu Reeves é o tal do John Wick, um mercenário que resolveu se aposentar dessa vida de matar pessoas por dinheiro e está ENLUTADO por conta da morte da sua esposa que, como um último ato de amor, deu pra ele uma Beagle, Daisy, que é tipo um dos mais fofildos cachorros do universo. A ideia era que ele pudesse manter a cabeça ocupada, continuar com o coração recheado de coisas boas e, enfim, tudo aquilo que filhotinhos fazem com a gente.

Só que MELIANTES russos resolveram invadir sua casa, roubar seu carro, moer o cara na porrada e... Matar a pequena Daisy. E como eu e, espero, você faríamos, John Wick vai atrás de vingança. E... Bom, é isso. Ou seria só isso se não fosse um dos melhores filmes de ação já produzidos.

Por que é tão bom assim? Bom, uma das coisas que mais gosto em John Wick é ele começar do final, o que tira de você o peso de tentar adivinhar se ele se deu bem ou não — você sabe como vai terminar e sua preocupação precisa ser apenas e tão somente curtir aquela viagem maluca.

Além de ser bom cinema, isso também ajuda na construção do mito do personagem, e é aqui que o título nacional do filme joga contra ele: quem ouve as palavras “John” e “Wick” juntas fica automaticamente com medo. O cara pode ser tipo o Rei do Crime que ele ainda vai se cagar todo só de saber que John Wick está... de volta ao jogo.

Se você assistir ao Honest Trailer de John Wick, além de perceber que o que deveria ser uma “tradução literal” do filme, uma piada, um CHISTE, poderia acabar sendo usado como peça de marketing REAL OFICIAL, provando o quão bom John Wick é, vai enxergar esses momentos com mais clareza. Galera ouve o nome e dá aquela borrada.

Isso tem muito a ver com uma outra coisa que faz desse uma coisa além de “só mais um filme de ação e vingança”: há toda uma mitologia cercando não só o próprio John Wick, como o mundo em que ele existe. Muito pouca coisa é mostrada — vemos que existe uma sociedade secreta de mercenários, cheio dos códigos de ética e conduta, eles se encontram no tal do hotel Continental onde tem acesso a basicamente tudo o que precisam pra realizar o seu trabalho, tudo devidamente pago com umas moedas que só funcionam nesse mundo... E meio que só.

Ao mesmo tempo, sabemos que existe muito mais coisa por trás, e esse texto escrito pela Priscilla Page, no Birth.Movies.Death, mostra um pouco mais sobre essa profundidade, ajudando o filme a ficar AINDA MELHOR, já que você pode enxergar coisas que nem sequer tinha pensado — não só o filme como a sua ideia sobre cinema, em geral. ;)

Aí agora em Fevereiro de 2017 estreou John Wick: Chapter 2 ou, no Brasil, John Wick: Um Novo Dia para Matar, fazendo um trocadilho desnecessário com James Bond e focando mais no “matar” do que no próprio John Wick — outra cagada, já que ele só mata por ser, ou ter sido, John Wick.

Aliás, TER SIDO é importante aqui, porque depois de terminar sua vingança — o filme começa com ele resolvendo uma última treta do primeiro — ele tá numas de “agora acabou”, “agora eu vou curtir a aposentadoria”, “agora eu não vou fazer mais nada”, só mesmo enfrentar, enfim, o luto pelas mortes porque, afinal, ele mal teve tempo de passar por isso, já que o Capítulo 2 começa tipo quatro dias depois que sua esposa morreu.

É nesse ponto que o filme começa a não ser tão bom quanto o primeiro. AINDA é sensacional, AINDA é pra você ir assistir, AINDA é bom cinema sendo feito. Mas, por exemplo, a motivação de John Wick agora é um pouco mais... dispersa. Na verdade, ele só volta a matar por conta de uma PROMISSÓRIA, que o fez conseguir se aposentar da primeira vez mas, agora, o faz ter de ir até a Itália para matar a nova líder da Comorra e, portanto, uma das líderes de toda aquela sociedade secreta.

É LEGAL, mas não é tão legal. Nem mesmo a segunda motivação — que é, ao final disso tudo, foder com o cara que destruiu não só a sua casa como sua chance de paz ou, em outras palavras, John Wick se vingar de quem mexeu com o John — parece ser tão empolgante, PELO MENOS nesse segundo filme. Porque vai rolar um terceiro e é muito provável que tenhamos um payoff satisfatório... Mas se é só no terceiro, né? ¯\_(ツ)_/¯

John Wick é foda e você não só precisa assistir ao filme como ter medo dele

Outra questão com o filme — que eu não vou chamar de problema porque eu tou mesmo é comparando com o que o primeiro mostra — é que agora o nome do cara não mete mais tanto medo. Ou melhor: não mete mais medo nenhum. Qualquer violinista de metrô agora o encara sem pensar nem uma vez direito... E isso é um pouco decepcionante, já que esse era o grande TCHANS desse universo.

E cara... Ainda que eu entenda — e ache sensacional — o fato de ele não dar um nome ao novo cachorrito, precisava mesmo deixá-lo no hotel, que nem sequer aceitava cachorros pra começo de conversa, durante todo o filme? Isso sim é um erro, porque parece que não sabiam o que fazer com uma das coisas mais legais do primeiro filme e inventaram a solução mais fácil, noooooooovamente preparando para o terceiro.

Vamo combiná também que já deu de colocar a Ruby Rose pra interpretar o mesmo personagem sempre? Não sei se ela não é boa e só usam o estereótipo que ela representa, ou se não tem ninguém melhor, mas… Né?

Ok, esse também é um dos grandes momentos do filme ;D

John Wick: Capítulo 2 também não é tão bonito, tão bem escrito e tão bem dirigido quanto o primeiro. O estilo é mais aleatório — compare as cenas da balada (LINDA DEMAIS) com a do museu pra você entender –, mas, olha, tem pelo menos três momentos dourados.

O primeiro é a cena da banheira, no fim do primeiro ato. Diz muito sobre quem é esse John Wick que está trabalhando agora, mas o que chama a atenção é a fotografia. Sinceramente, uma das coisas mais bonitas que já vi no cinema.

A segunda coisa é o esquema das telefonistas. Elas já tinham aparecido no primeiro filme, mas agora conhecemos um pouco mais sobre o trabalho e, até mesmo, o estilo. É uma ideia interessante que dá mais uma aprofundada nesse universo todo, sem precisar explicar nada — a gente só vê e acha legal.

Falando em aprofundamento nesse universo, o Sommelier, cara. Que momento. Que ideia sensacional. Quando você ouvir esse termo no cinema, de verdade, se ajeita na poltrona pra poder curtir melhor porque é GENIAL.

Aí tem a última coisa — eu falei que eram três, né? Bom, foda-se — que pode ser o grande momento do filme, o ÁPICE desse universo no capítulo dois: John Wick e Common no metrô. É pra rir, pra achar sem absolutamente nenhuma noção e perceber que, naquele universo, não é nada absurdo. E mais: é SENSACIONAL. :D

Comparando filme a filme, em resumo, o primeiro é bem mais tudo que o segundo mas, se analisarmos individualmente, John Wick: Um Novo Dia para Matar ainda é muito bom. Se quiser juntar tudo numa coisa só, é até melhor e mais fácil: John Wick é do caralho. Assista.