A festa da Céu | Judão

Única mulher brasileira como atração no Lolla 2017, Céu esquentou um início de domingo lento com sua voz nada menos que apaixonante e um dos melhores shows do festival

Na chegada ao Autódromo de Interlagos, já fica claro que o Lollapalooza tem uma dinâmica diferente, nas primeiras horas do domingo, que no sábado. Menos gente pela rua, menos gente pelo festival, menos gente nos shows. Talvez pelo término mais tardio da apresentação principal no dia anterior, a galera fique com preguiça. Sei lá.

O fato é que o público dos shows de abertura no domingo é menor que o de abertura no sábado (e a própria organização costuma esperar menos gente pro segundo dia), o que dá a impressão que a coisa engrena pelo menos uma, duas horas depois.

Foi mais ou menos no início dessa engrenada, às 13h15, que Céu subiu ao Palco Skol. A galera que assistia era minguada, mas foi só a compositora e cantora começar a flutuar de um lado ao outro com sua voz apaixonante, passos de dança irreverentes e um carinho palpável por aqueles poucos que reuniam-se ali, que rolou um milagre divino: a multiplicação.

Por volta das 13h35, uma GRANDE MASSA composta principalmente por jovens, dançava, sorria, cantava junto e batia palmas por quase todo o terreno livre do palco, deixando difícil a tarefa de quem quisesse arrumar um espaço mais próximo à artista.

Enquanto isso, Céu mesclava antigos hits com músicas de seu novo álbum, Tropix, lançado no ano passado. Sempre MUITO eclética (ela é a primeira a contestar o a nomenclatura MPB e o quão vaga ela é, com razão) ela colocava synthpop, hard rock, samba, jazz, blues e outros dos mais variados gêneros pra jogo, fazendo um som irresistível cujo resultado era um só: corpo mexendo e sorriso no rosto.

Com um roupa colorida repleta de fitas metalizadas em diversas cores, ela abria os braços e parecia que ia alçar voo. Mas que bom que só parecia — aí o show pôde continuar. Com uma musicalidade natural, ela cativava cada um do público, e agradecia a cada duas ou três do repertório. Parecia surpresa com o crescente da galera. Não deveria.

Filha do maestro Edgar Poças, responsável pelos arranjos musicais do grupo Balão Mágico entre outros célebres trampos, Céu tem música correndo nas veias. E deu o sangue no palco do Lolla como a única mulher brasileira a ENCABEÇAR uma atração (pois é).

Num começo meio sonolento de domingo, Céu botou todo mundo pra dançar. Deu um dos melhores shows que já vi na vida, mesmo sem muita pompa e num horário marromenos, e foi mais uma representante da música brasileira a fazer mais bonito que muito gringo.

Merecia mais. E o público, que ficou pedindo bis conforme ela deixava o palco, aceitaria com sorriso no rosto. E samba no pé. ;)