Jimmy Eat World no Lollapalooza: nostalgia a quem é de nostalgia

Pode ser eu, pode ser a apresentação, mas o show do Jimmy Eat World é meio… nhé

Nostalgia é foda. Tem aquela bem legal que te faz valorizar e se emocionar com coisa incríveis do passado, tipo chocolate Surpresa, a série clássica de Star Trek, ou aquele desenho do Homem-Aranha dos anos 90. Mas tem também aquela que te faz achar super legal umas paradas meio ruins, tipo Rocky IV, aquele chocolate guarda-chuva e Dadinho.

Pois eu suspeito que esse segundo caso se aplique a Jimmy Eat Word, banda americana de punk pop/emocore/rock de colegial que tocou no segundo dia de Lollapalooza 2017 no palco Skol. A primeira vez deles no Brasil, aliás.

Não me leve a mal, os caras começaram bem. As coisas tavam meio paradas pelo MEIÃO do festival, após o show lindo da Céu, e o bumbo frenético do baterista Zach Lind, marcando fortemente o ritmo da banda, começou a chamar atenção de quem passava por ali.

Noventista, a banda é composta por caras que regulam por volta dos seus 40 anos, mas o som é parecido com aquele de bandas como Blink 182 e, em momentos, até Green Day. Só que bem menos pesado.

Quando li sobre a Jimmy, antes do show, imaginei que fosse encontrar um produto final um pouco diferente — talvez mais distinto. Na primeira ouvida, a comparação com as bandas acima foi bem. Mas conforme o repertório do grupo foi seguindo no show, fui começando a olhá-la dum ângulo mais negativo.

Blink tem músicos excelentes e uma atitude meio punk rock de colégio que se reflete nos caras — um lance meio skate, maconha e gatas. Green Day tem as letras politizadas, as pirações com drogas e um passado de respeito. Já caras da Jimmy... sei lá... ficam parecendo nada além de precursores do Fall Out Boy.

Não sei se um pessoal que acompanhava o show comigo pensou o mesmo, mas o fato é que, na quarta música, muita gente começou a sair. Num certo momento, vi uma garota brigando com seus amigos porque não aguentava mais ficar ali. Sério.

Pra minha surpresa, os momentos de maior agito da galera foram durante baladas da banda, o que me fez pensar que, talvez, eu devesse encará-la mais como um grupo Emo. Mas isso também não funcionou. Eu amo a teatralidade de Panic! At The Disco e toda toda a pegada soturna-romântica de My Chemical Romance. Até Fresno e o NX0 do início de carreira têm espaço no meu coração.

Conforme fui encarando a realidade que, comigo, aquele som não ia funfar, e foi se aproximando o horário do show da Duran Duran no distante palco Ônix, decidi dar as costas e deixar a César o que é de César. Ou a quem tem nostalgia, a curtição da nostalgia. ;)

Achei o som das guitarras da banda — alias, todos os agudos — num volume baixo demais também. Cipá, isso influenciou meu desgosto. Ou foi só eu mesmo. Acontece. :)