Mais enxuto, crossover 2018 do Arrowverse diminuiu pra se preparar pra algo infinitamente maior | JUDAO.com.br

Focado quase que completamente na relação entre Oliver Queen e Barry Allen, evento anual das séries DC do canal CW é divertido, funciona, mas acaba servindo mais como um trampolim pra um futuro BEM interessante

SPOILER! Pra quem acompanhou as últimas edições do agora já tradicional crossover entre as séries do Arrowverse, o combinado de programas estrelados por personagens DC do canal CW enfrentando tanto alienígenas quanto nazistas, talvez a edição DESTE ano surpreenda um pouco justamente por se tornar algo MENOR. E não, não tamos falando apenas por ter menos episódios (três ao invés de quatro) e portanto menos personagens (vamos combinar que, neste sentido, os Legends of Tomorrow enquanto equipe dão naturalmente uma enchida no elenco). Mas por ser TAMBÉM uma história mais concisa, enxuta, menos épica e monstruosa.

Apesar da presença do Monitor e do Pirata Psíquico ter direcionado os pensamentos dos leitores antigos dos gibis para OUTRA COISA (sobre a qual falaremos alguns parágrafos adiante), a verdade é que este crossover ser chamado de Elseworlds foi um batismo certeiro. John Deegan (Jeremy Davies), um psiquiatra do Asilo Arkham, quer usar eugenia para transformar pessoas comuns em metahumanos. Eis que o cara ganha, como parte de um teste sobre o quão forte seria a nossa realidade, um artefato chamado Livro do Destino, que lhe permite manipular a realidade. E aí o cara começa a mudar tudo e surge uma nova realidade, um elseworld, no qual Barry Allen assume o corpo de Oliver Queen e vice-versa.

E é NISSO que a história se foca de verdade: no relacionamento entre Oliver Queen e Barry Allen. Na amizade entre eles, na relação de confiança que construíram e, principalmente, do tanto que acabam aprendendo sobre o outro e sobre si mesmos ao fazerem esta troca e se verem obrigados a usar seus uniformes, habilidades e vidas particulares. Sim, aparece muita gente ao redor, do Team Flash, do Team Arrow, do Team Supergirl. Mas todos sem exagero, sem atropelo, sem a necessidade de terem 10 ou 15 minutos contratuais em tela. Todos estão lá só pra ajudar a dar ainda mais densidade à relação agora totalmente conturbada destes dois caras.

Um caminho MUITO legal que conseguiu, SETE TEMPORADAS DEPOIS, ter um Stephen Amell mais leve, mais solto, se divertindo claramente com a loucura ao seu redor... e rindo. É simplesmente maravilhoso.

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Superman e Lois Lane? Também tão ali só pra mostrar que existe uma química maravilhosa entre ambos e que eles mereciam MAIS espaço neste universo (uma nova série de Lois & Clark, por favor, nunca te pedi nada, dona CW), ainda que o final do crossover anuncie uma aproximação da atual fase do casal nos gibis (aka com um rebento a caminho) e um peso enorme nas costas da Kara com a decisão de seu primo kryptoniano de voar pra Argo City e pendurar a capa por um tempinho.

A respeito da Batwoman, que acabou virando a grande peça de publicidade deste crossover, não apenas a Ruby Rose tá incrível como o visual em movimento funciona tão bem quanto nas fotos. Mas não se enganem: ela dá as caras pra botar uma pressão no trio quando eles chegam em Gotham City e depois desaparece tão rápido quanto surgiu, durante no máximo meio episódio. Sabe aquele esquema de quando o Barry apareceu lááááááá atrás, no meio de um episódio de Arrow, apenas pra divulgar a sua própria série? Pois é, bem isso. De qualquer forma, o gostinho de curiosidade que fica é bem grande.

Importante ressaltar ainda a relação divertida que se cria entre ela e a Supergirl, começando por “ah, você é prima do Bruce? Meu primo era amigo do seu. Ou quase isso”, passando por uma cantada envolvendo tatuagens e terminando com uma sacadinha que amarra a expressão “World’s Finest”, que define os seus dois correlatos masculinos. Tomara que eles aproveitem a dobradinha apenas das duas tanto na série de uma quanto na da outra.

A Batwoman dá as caras pra botar uma pressão no trio quando eles chegam em Gotham City e depois desaparece tão rápido quanto surgiu, durante no máximo meio episódio. E não apenas a Ruby Rose tá incrível como o visual em movimento funciona tão bem quanto nas fotos

Aliás, tomara também que as descobertas do Arqueiro Verde e do Flash e sobre eles impactem seus respectivos comportamentos em suas respectivas séries — e que os puxões de orelha que ambos tomam da Supergirl, que é  convocada pra ajudá-los, também lhes sirvam de lição. Com algum destaque relativamente maior no episódio que seria o correspondente ao de sua própria série, o último, a Kara vira uma espécie de equilíbrio entre os dois, incluindo na maravilhosa luta contra o robô Amazo, aquele mesmo que replica os poderes de todos os metahumanos que enfrenta. Só mesmo com uma Garota de Aço servindo de pêndulo da balança entre os dois pra eles entenderem que precisam, bom, se entender.

E sobre a cidade do Homem-Morcego, o sonho molhado dos produtores e roteiristas do Arrowverse desde sempre, estamos falando de um lugar abandonado há três anos pelo Batman, por algum motivo que ninguém sabe muito bem. Oliver Queen, que já cruzou com Bruce Wayne nas rodinhas de milionários, acredita piamente que o Cavaleiro das Trevas é uma lenda urbana e Barry fica indignado. De qualquer forma, tamos falando de uma passagem relativamente curta, que dura parte do segundo episódio, mas que tá ali repleta de easter eggs. No Asilo Arkham, é só se ligar nos nomes nas portas (O. Cobblepot, E. Nigma) e nos pequenos e grandes acessórios na sala de depósito, tais quais a máscara do Bane e a arma congelante de um certo V. Fries, utilizada com sucesso contra a Nevasca.

Crise nas Infinitas Terras

Quem acompanha qualquer coisa minimamente ligada ao universo da DC Comics já sabe que tudo que vem com o nome “Crise” na frente representa uma mudança considerável de status... e tudo começou justamente com a minissérie que leva ESTE nome. Uma minissérie icônica que tem uma participação fundamental do Flash nos gibis e que vem sendo mencionada, na capa daquele jornal futurista que o Flash Reverso contemplava como um troféu, desde a PRIMEIRA temporada da série do velocista.

O Monitor já tinha cantado a bola: “tem algo muito mais poderoso do que eu se aproximando”, o que pode ser um indicativo de que tem um Antimonitor chegando pra tocar o terror. Junte a isso o fato de que John Deegan (que, conforme se imaginava, ficou mesmo a cara do vilão Doutor Destino — favor não confundir com o da Marvel) acaba preso em Arkham e então se aproximando justamente do Pirata Psíquico, aquele que é de fato o grande ARAUTO da Crise, pra sacar que alguma merda muito grande tá querendo dar as caras.

E, então, esse crossover se encerra anunciando o nome do PRÓXIMO, o do ano que vem. Assim mesmo, com esta antecedência toda. E o nome, ah, este você já deve imaginar.

Crise nas Infinitas Terras, nas HQs, é aquele momento em que a DC Comics faz a limpa em suas múltiplas e complicadas realidades paralelas e torna tudo parte de um universo único e integrado. O que isso quer dizer pro Arrowverse, portanto? Talvez a possibilidade de um recomeço. De fazer a Terra-38 deixar de existir e levar National City pra mesma Terra-1 de Arrow e The Flash. Quem sabe incorporar alguns personagens da Terra-X ao seu elenco, como o casal Capitão Frio e Ray? Esta seria a chance de fazer o Raio Negro se juntar ao time de vez? Talvez até mesmo os Titãs e as demais séries do DC Universe? Talvez... Gotham? Tudo, claro, totalmente no campo das especulações.

As possibilidades são... infinitas.

A participação de John Wesley Shipp como o Flash, usando o uniforme da série da década de 90, meio que torna de maneira marota este seriado como parte do CANON, ainda que em outra Terra (uma na qual o John Diggle usa um anel — você adivinha qual?). Seria possível até mesmo realizar o sonho recorrente dos atores originais e colocar como parte de uma única cronologia também Smallville (que, aliás, rende uma piada MARAVILHOSA logo no primeiro episódio do crossover).

Além disso, vamos passar praticamente um ano igualmente especulando que diabo de acordo Oliver Queen fez com o Monitor, para impedir que os destinos traçados para o Flash e a Supergirl, ambos numa estratégia meio Christopher Reeve de correr em altíssima velocidade ao redor do planeta, se concretizassem de fato. Afinal, eles estavam programados para MORRER exatamente como rola com os dois na Crise original dos gibis. E Oliver, ao dizer que ele carrega as trevas dentro de si mas que seus dois colegas são exemplos de luz e esperança dos quais a humanidade necessita para se espelhar, faz uma troca e entrega ALGO para o Monitor.

Ao final da Crise no ano que vem, o Arqueiro Verde vai se sacrificar tal qual o Flash nos quadrinhos? Tamos falando de um cara que estrela uma série que tá na sétima temporada, vai que Arrow tá com o destino cravado pra se encerrar... Ou quem sabe ele sacrificou o seu amor pela Felicity? Ou então sacrificou as trevas dentro de si mesmo e vai se tornar um OUTRO Arqueiro Verde, ainda mais próximo de sua contraparte nas HQs?

Pode ser tudo, uma parte ou nada disso. O que importa é que este prólogo da Crise nas Infinitas Terras foi gostoso o suficiente por conta própria e deixa uma lição: talvez faça sentido investir em mais pequenos encontros entre Oliver e Barry, sem precisar carregar uma Liga da Justiça inteira nas costas, só pra variar.