Marvel anuncia um novo recomeço. OUTRA VEZ. | Judão

“Fresh Start”. É assim que a Marvel tá chamando a iniciativa editorial, repleta de “novos começos” e “novas direções”, que começa em Maio. Mas não chama de reboot que eles ficam putos.

Era uma vez um monte de fãs que, por algum motivo que não consigo entender, ficavam acompanhando cifra a cifra dos números de vendas de sua editora favorita e, principalmente, da principal concorrente pra poder dizer “AH, OLHA AÍ, A MINHA VENDEU MAIS DO QUE A SUA, É A CAMPEÃ DO MÊS!”. Na verdade, para estes fãs, virou questão de honra que a sua favorita ultrapassasse a rival — e a competição se tornou mais importante para eles do que, efetivamente, LER as porras dos gibis.

Pois bem. Aí, certo dia, eles sacaram que as vendas de todo mundo começou a cair. E, como num passe de mágica, encontraram de quem é a culpa: da diversidade! CLARO COMO NÃO PENSAMOS NISSO ANTES? As iniciativas para fazer com que MAIS pessoas se enxergassem nos personagens dos gibis seriam responsáveis pela queda de vendas. Obviamente que os trezentos reboots / rebirths / relaunchs / restarts que as duas grandes do mercado americano fazem praticamente todo ano não poderiam, tipo assim, ser a grande complicação, cansando leitores das antigas e complicando ainda mais a vida de potenciais novos leitores que eventualmente cheguem por causa dos filmes/séries e simplesmente não sabem por começar.

E enquanto a gente fica aqui te relembrando da importância deste texto aqui, que rufem os tambores, olha aí a Marvel anunciando mais um recomeço para Maio de 2018, conforme o zum-zum-zum de bastidores e estas primeiras movimentações aqui bem já mostravam.

“Quem disse que isso é um reboot?”, fez questão de deixar claro no Twitter o chief creative officer da Marvel, Joe Quesada. Não, não é. É um FRESH START, como ele afirma no vídeo promocional ali embaixo. Novos times criativos, novas séries, novas direções, novos começos.

“Andando por estes corredores, eu nunca senti tanto entusiasmo ou empolgação pelo caminho que a Marvel Comics vai seguir do que o que tá rolando este ano”, diz o novo editor-chefe CB Cebulski. “Se você nunca leu um gibi na vida, se você é um fã de longa data e tá querendo voltar, esta é a oportunidade perfeita pra isso”, afirma o Quesada.

Pouco depois, em comunicado oficial, o editor-executivo Tom Brevoort deu mais detalhes, dizendo que nas próximas semanas serão anunciadas mais informações a respeito das principais franquias da editora. Mas ele garante que o que tá rolando não é uma limpeza total e completa da casa. “Ah, sim, e não tentem tirar conclusões ao não ver o seu personagem favorito nesta imagem promocional desenhada pelo Jim Cheung. Só podíamos espremer alguns deles aqui sem matar o coitado do Jim na hora de desenhar”.

A tal imagem a qual ele se refere é a que ilustra essa matéria e, mal aí Tom, mas aqui nós não vamos fingir que a escolha dos personagens retratados é aleatória e não completamente estratégica como foi em todos as iniciativas anteriores.

Além do retorno de Peter Parker a um uniforme tradicional, sem as traquitanas tecnológicas e cheias de brilho das suas agora falidas Indústrias Parker, vemos igualmente a volta de Tony Stark como Homem de Ferro, Steve Rogers como Capitão América, Bruce Banner como Hulk e toda a glória (?) de Thor Odinson, com direito a um Mjolnir genérico dourado pra combinar com seu novo braço e sobre o qual devemos saber mais em breve, na conclusão da saga da Morte da Thor. Temos ainda a Jean Grey ressuscitada, o Wolverine original igualmente de volta da terra dos pés juntos (mas sem o uniforme tradicional), o Coisa sem os parças do Quarteto, e um foco obviamente na galera que está em destaque na versão audiovisual, ganhando ou prestes a ganhar filme/série, como Deadpool, Venom, Gambit (?), Homem-Formiga + Vespa, Capitã Marvel e toda a turma do Netflix (à exceção do Punho de Ferro porque, né, noção da realidade) e, claro, a Kamala Khan (ufa!) e o Miles, até o momento usando a sua roupa de Homem-Aranha tradicional (a história de que ele vai abandonar a identidade e deixar o nome apenas para o Peter, no entanto, continua).

Ausências sentidas da imagem? Claro, a Thor Jane Foster, cujo futuro é mesmo incerto. Mas também o Falcão. A Riri Williams. A X-23. Tá sacando um padrão? Claro que sim, você é bem esperto.

Algumas das mudanças editoriais a gente já sabe quais são. Por exemplo, que o Dan Slott vai sair do gibi do Homem-Aranha e passar a escrever o Homem de Ferro; que a Gail Simone vai escrever um novo gibi da Domino; que o Pantera Negra terá um novo gibi escrito por Ta-Nehisi Coates e desenhado pro Daniel Acuña, no qual T’Challa vai descobrir que Wakanda é muito maior do que ele imagina (spoiler: Multiverso); que o Venom também terá seu novo gibi, da dupla Donny Cates (roteiro) e Ryan Stegman (arte), no qual vai voltar à faceta de anti-herói urbano, com Eddie Brock de volta sob a face carrancuda do simbionte; que o Mercúrio terá uma HQ própria, por Saladin Ahmed e Eric Nguyen; e, se levarmos em consideração as solicitações do mês de maio, o gibi do Punho de Ferro sumiu, tanto quanto o do Raio Negro e até o título solo do Thanos.

A grande notícia deste anúncio inicial, no entanto, diz respeito aos Vingadores. Esqueçam todos os múltiplos gibis da equipe, New Avengers, Uncanny Avengers, Secret Avengers, whatever. Dando continuidade direta ao que rolou com o arco semanal No Surrender, que desde o começo do ano mesclou os Maiores Heróis da Terra em um único título, a partir de maio eles terão uma publicação única, que começa a partir do número 1, apenas e tão somente batizada de Avengers. Nos roteiros, Jason Aaron (o que é uma boa notícia, de alguma forma, já que o cara é uma das atuais joias da Marvel), contando com os desenhos de Ed McGuinness (uma escolha inesperada, dada a pegada quase cartunesca do seu traço, mas o resultado tá parecendo bem interessante).

A primeira formação desta nova equipe — que, segundo Aaron revela em entrevista ao IGN, deve ser mais rotativa — traz os três grandes, Thor, Homem de Ferro e Capitão América, ao lado de Capitã Marvel, Pantera Negra, Doutor Estranho, Motoqueiro Fantasma (o Robbie Reyes) e a Mulher-Hulk.

A primeira treta deve girar em torno de uma história diretamente relacionada aos Vingadores pré-históricos que o próprio Aaron apresentou em Marvel Legacy #1 e também aos deuses espaciais chamados Dark Celestials, aparentemente uma versão sombria dos Celestiais, a gigantesca espécie alienígena que tem poderes cósmicos incalculáveis e foi responsável por manipulações de DNA milhões de anos atrás na Terra, dando origem aos Eternos.

“A gente queria se focar numa formação com poucos integrantes, trazendo aqueles personagens grandes e icônicos no coração de tudo”, explica Aaron. “Aí temos Steve, Tony e Thor Odinson no centro, com todo o time que construímos ao redor deles durante este primeiro arco. Meu objetivo aqui é, se você só for ler um gibi da Marvel (não que você deva ler apenas um gibi da Marvel, mas enfim), aqui você vai entender um panorama do universo da editora número após número. Queremos os personagens mais legais, indo às mais exóticas locações do Universo Marvel”.

Além do clima pouco agradável entre Carol Danvers e Tony Stark depois de tudo que aconteceu em Guerra Civil II, teremos Robbie tentando se encaixar aqui (já que ele é o garoto novo do pedaço e ninguém sabe bem quem ele é) e a prometida exploração mais criativa dos poderes da Jen, tentando mostrar que ela é um tipo de Hulk diferente do primo famoso. Ah, sim, claro, e temos o Pantera Negra. Que depois de tudo que tá acontecendo nos cinemas, seria uma burrice (AND uma espécie de suicídio comercial, claro) simplesmente ignorar.

“Eu acho que os Grandes Três dos Vingadores estão, na verdade, bem próximos de serem os Grandes Quatro. Acho que o Pantera definitivamente merece estar no núcleo central de um time dos Vingadores como este, quando estamos falando dos maiores e mais icônicos personagens de sua linhagem”, conta o roteirista. “Ele tem um papel enorme a desempenhar, não só neste arco, mas conforme seguimos adiante. Está sendo muito divertido escrevê-lo novamente”.

Esta é, por enquanto, a GRANDE novidade deste Fresh Start. Que é legal, admito. Maaaaaaaaas é claro que tem muita boataria rolando, coisas que podem se confirmar nas próximas semanas, conforme crava o Bleeding Cool. Segundo eles, muito provavelmente o substituto de Slott à frente do Homem-Aranha será Nick Spencer — uma escolha que, se confirmada, vai vir com uma carga enorme de polêmica, já que estamos falando do sujeito responsável por Secret Empire, da qual, sim, gostamos, mas que não foi exatamente uma unanimidade entre os leitores...

Mas talvez a notícia mais empolgante desta história toda seja a de que Ta-Nehisi Coates pode ser o novo roteirista do gibi do Capitão América. SE isso se confirma, AGORA a coisa começa a ficar mais empolgante DE FATO. Porque basta ler o que ele escreveu à frente do Pantera Negra, com toda aquela carga política. Mas, ainda mais fodástico, basta ler as matérias que ele escreve pra revista The Atlantic ou então algum de seus livros — Entre o Mundo e Eu, já publicado aqui no Brasil, é um estudo emocionante e arrepiante sobre o racismo na América. Talvez seja ESTE o cara que a gente precisa pra escrever um gibi chamado “Capitão América” nos dias de hoje, afinal de contas.

Tá bom, Marvel. Tô por aqui. Vamos lá. Me surpreenda. Mas, principalmente, deixem que estes novos começos se tornem novos “meios” em algum momento da vida antes de serem cancelados e voltarem ao número 1 novamente, né? ENFIM.