Marvel traz Jonathan Hickman de volta para cuidar dos X-Men | JUDAO.com.br

Títulos escritos pelo roteirista significam, como a editora apresenta, uma NOVA ERA pros mutantes — e que é, sim, parte de algo bem maior. Ou parte de DOIS ALGOS bem maiores, por assim dizer.

Veja, não era como se fosse lá um grande segredo, daqueles muito bem guardados — porque, depois de semanas de especulação, digamos que a Marvel soltar uns teasers com o nome “Hickman” em destaque foi bem pouco sutil da parte da Casa das Ideias. De qualquer maneira, sim, senhoras e senhores, depois de três anos, a editora anunciou durante a C2E2 (Chicago Comic & Entertainment Expo), neste último final de semana, que o roteirista Jonathan Hickman está de volta ao seu elenco.

A partir de Julho, o cara vai comandar não apenas um, mas DOIS títulos, ambos focados nos mutantes — mas estamos falando de HQs inéditas, em teoria NÃO ligadas ao que está rolando atualmente, a tal da saga Age of X-Man. Basicamente, temos Nate Grey, o X-Man surgida em Era de Apocalipse, em uma cruzada maluca pra salvar o mundo de uma tal ameaça. Aí, o cara se funde com o Legião e, como você pode imaginar, se transforma numa criatura com poderes quase divinos, que reescreve a realidade e joga os X-Men e demais camaradas mutantes num mundinho só deles, utópico e idílico, no qual todos são mutantes, tudo é lindo, todos são aceitos.

Quem fica pra trás? Uma dupla e tanto: ninguém menos do que o Wolverine, que acabou de voltar do mundo dos pés juntos, e o Ciclope adulto, que... TAMBÉM retornou de sete palmos abaixo da Terra. A dupla não andava se dando lá muito bem (ainda mais pela postura de líder ~extremista assumida por Scott Summers) mas vão ter que tentar fazer acontecer se quiserem encontrar basicamente TODOS os seus amigos. E também inimigos, né.

Este é o cenário que Hickman vai assumir, embora a Marvel faça questão de não revelar um detalhe que seja da história destes novos gibis, House of X e Powers of X, o primeiro com arte do espanhol Pepe Larraz, o segundo com traço do brasileiro (e #Familia013) R.B.Silva. “Embora não possamos falar muito a respeito, estas novas histórias vão redefinir os X-Men e o seu lugar no Universo Marvel. Este é um momento histórico que novos e antigos fãs não vão querer perder”, afirmou, em comunicado oficial, o editor-chefe C.B. Cebulski. “Não poderíamos ter um time criativo melhor para ajudar a levar os X-Men para uma nova era”.

Uma nova era que inclui, inclusive, um novo design para o tradicional X dos x-títulos, cortesia do designer gráfico Tom Muller.

Junte a isso o fato de que o comunicado oficial da Marvel ainda compara este momento com o surgimento dos X-Men em 1963, pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby, com a aparição dos novos mutantes como Wolverine, Tempestade, Noturno e Colossus em Giant-Size X-Men, com a reinvenção dos anos 90 sob a pena de Jim Lee e ainda com paradas como a própria Era de Apocalipse e os Novos X-Men do Grant Morrison. Pesado, né?

O máximo que a gente pode ESPECULAR aqui é a partir da frase que vinha sendo usada nos teasers ANTES da Marvel começar a falar no sobrenome de Hickman: “quando duas espécies agressivas compartilham o mesmo ambiente, a evolução demanda adaptação ou dominação”. Uma das espécies são os mutantes, ok. Mas e a outra? Os Inumanos, com quem os homens e mulheres x vêm tretando consideravelmente nos últimos anos? Ou talvez uma NOVA geração de homo superior?

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Para quem sabe somar 2 + 2, tá claro que a vinda de Hickman não é por acaso. Estamos falando de um fanático por cronologia e organização, que passou ANOS construindo e costurando pedaço a pedaço de uma longa e complicada história envolvendo as incursões entre diferentes Terras paralelas e que, por fim, culminou nas recentes Guerras Secretas, aquelas mesmas que acabaram com o Universo Ultimate e trouxeram para a mesma realidade de Peter Parker o seu pupilo Miles Morales, por exemplo. Ou seja: Hickman foi o arquiteto que a Marvel precisava para colocar a casa em ordem e reorganizar as muitas terras e versões paralelas com as quais trabalhara ao longo da última década, meio na mesma pegada que a Distinta Concorrência faz vez por outra com suas Crises.

Em 2018, a Marvel foi lá e recrutou Dan Slott, que passou uma década tomando conta do Homem-Aranha, para ENFIM trazer de volta em grande estilo o Quarteto Fantástico, que passou anos sendo chutado de lá pra cá no Universo Marvel e andava totalmente desaparecido desde as tais Guerras Secretas do Hickman. Agora, a editora chama outro medalhão, outro especialista em cronologia como o próprio Slott, para dar um jeito nos X-Men. Vamos lá, caro leitor, a conta não é difícil de fechar. Que estúdio tinha os direitos de adaptação cinematográfica de ambos os universos? E que estúdio foi COMPRADO pela Disney recentemente? Bingo.

A gente já tinha falado aqui que fazer esta conexão nem sempre é fácil, que as vendas do Quarteto andavam bem baixas há anos. Mas sabe quem disse, pro Newsarama, que era de conhecimento comum que a Marvel não estava publicando o Quarteto por discordar do que a Fox fazia com a família superpoderosa nos cinemas? Jonathan Hickman, ora ora. “Isso me tira do sério, mas eu entendo completamente porque não é como se fosse uma coisa inesperada. A Fox precisa fazer um trabalho melhor aqui”.

Mas eis que, lá em 2017, quando perguntado sobre o que precisaria acontecer pra Marvel trazer o Quarteto Fantástico de volta aos gibis, Hickman mandou: “A Disney provavelmente vai precisar comprar a Fox”. E o que foi que aconteceu depois? ;)

O caso dos X-Men, obviamente, é bem mais complexo. A Marvel tinha lá quase uma dezena de títulos mutantes em circulação, a franquia dos X-Men nos cinemas é muito mais forte e muito mais estabelecida... Mas qualquer um que acompanhasse as histórias dos pupilos do Professor X na última década ia sacar a queda brutal de foco que eles tiveram. Tamos falando da grande ponta de lança da Marvel durante os anos 90, percebe? Muito mais do que qualquer gibi dos Vingadores. Só que, de uns anos pra cá, a balança nitidamente se inverteu. Os Maiores Heróis da Terra enfim assumiram papel de destaque e os mutantes se tornaram coadjuvantes. Em grandes sagas/crossovers da editora, ou eles não participavam ativamente (tipo em Guerra Civil) ou então estavam condicionados aos Vingadores (tipo, bom, Vingadores vs X-Men).

Mas em setembro do ano passado, Rob Liefeld talvez tenha falado mais do que devia durante um painel da Wizard World Comic Con. “Eis o ponto aqui. Desde que os filmes dos X-Men começaram a sair a Disney não tinha controle sobre eles, não sei se vocês prestaram atenção, mas a Marvel meio que abaixou o volume dos X-Men nos gibis por quase 20 anos”, afirmou o quadrinista. “Agora que eles têm mais controle sobre eles, o que fiquei sabendo foi algo do tipo ‘ah, nossos orçamentos pros gibis dos X-Men aumentaram bastante com relação ao que eram porque agora tudo pertence a nós de novo'”.

Deu pra tentar somar 2 + 2 agora? ;)

Além disso, durante a C2E2, a Marvel foi além e também soltou que estes dois gibis do Hickman são parte de uma costura ainda maior que vai levar a uma daquelas grandes histórias, ainda a ser revelada, que rola em dezembro. Novo mega crossover seguido de “relançamento suave” (já que a palavra “reboot” parece proibida na Marvel) mais uma vez? Tudo indica que sim. Mas deixando, ao que parece, o terreno suave para quem vem dos cinemas pros gibis.

As outras duas sagas que vão ajudar a pavimentar este caminho até dezembro são War of Realms, de Jason Aaron e Russell Dauterman, que é o ápice da batalha que o elfo negro Malekith vinha germinando nas HQs do/da Thor tem uns bons anos e que agora escapou para atingir todo mundo que mora em Midgard; e a também recém-anunciada saga, que deve se espalhar por múltiplos gibis, batizada de Absolute Carnage.

Com roteiro de Donny Cates e desenhos de Ryan Stegman, tamos falando, conforme o nome já entrega, do retorno de Cletus Kasady, o Carnificina, aquele mesmo que apareceu na cena pós-créditos do filme do Venom (tá me acompanhando aqui no que parece ser um padrão?). Com o seu simbionte, outrora roubado por Norman Osborn na tentativa de se tornar o Duende Vermelho, o serial killer está mais letal do que nunca e inicia uma caçada a qualquer um no Universo Marvel que já vestiu/foi possuído por um simbionte antes. Pra quem acompanha a Marvel desde sempre, isso significa não apenas Eddie Brock e Peter Parker, mas também o Escorpião, o Deadpool e até a Capitã Marvel.

“O Universo Marvel é uma tapeçaria de conexões, com pistas escondidas e detalhes incríveis costurados em cada história”, diz Cebulski. “Estes novos destaques do calendário de publicações são os grandes momentos do ano para nós... e acreditamos que vocês todos ficarão empolgados com a próxima revelação do que temos planejado para dezembro”.