Marvel vai MESMO voltar ao passado em Legacy | Judão

Casa das Ideias começou a mostrar o que tem na manga para Marvel Legacy, a nova fase da editora que começa em Setembro

Como você leu aqui no JUDÃO, a palavra-chave da Casa das Ideias no final de 2017 será “Legado”. É que a editora vai lançar Marvel Legacy, onde eles prometem “mudar tudo na indústria dos quadrinhos”, mas que, de certa forma, está soando bastante como o Rebirth da DC Comics. Nos últimos dias, a Marvel anunciou os primeiros detalhes e equipes criativas desse “relançamento” – palavra, aliás, que eles estão evitando usar.

O que chama a atenção, na verdade, é o que “mudar tudo” pode significar. Veja: fazer inúmeros relançamentos, com diversos números 1 por ano, é uma estratégia já desgastada – por isso, a editora irá investir em numerações “legadas”, que serão a soma de todos os volumes com o mesmo personagem. Como já tinha sido adiantado pelo Bleeding Cool, Amazing Spider-Man deve pular para a edição 788, a Spider-Gwen chegar no #28 e Iron Man ressurgir com o número #593, entre outros. Algo que, vale lembrar, a DC ACABOU de fazer com Detective Comics e Action Comics.

Dessa forma, fica o palpite – numa bola levantada pelo CBR – de que as mudanças podem ser sim mais estruturais. Talvez no modelo de distribuição, que tem o seu mercado direto mais ou menos estático há 20 anos, quando a Marvel desistiu da distribuidora própria e a Diamond conquistou o monopólio desse mercado.

Editorialmente, o que parece ter mudado, mesmo, é que os mutantes estão voltando ao protagonismo do Universo Marvel, como indica a nova capa variante de Marvel Legacy #1, o especial que inicia a nova fase e será publicado em Setembro.

Outra pedra no sapato que parece ao menos estar incomodando menos é a do Quarteto Fantástico. Depois de anos e anos de rumores sobre a editora boicotar a equipe para prejudicar a Fox – e de tirar a família de cena após os acontecimentos de Secret Wars – o Coisa e o Tocha-Humana vão voltar a lutar juntos na revivida versão da clássica Marvel Two-in-One. E a capa ainda faz uma homenagem a Fantastic Four #159 — bem conveniente, se você lembrar que Fox e Marvel Entertainment parecem ter alcançado um novo estágio de seu ~relacionamento, com as séries de TV. Será que podemos esperar, para o futuro próximo, um RETORNO do Quarteto? Diria que as vendas da nova Marvel Two-in-One terão um papel importante nisso.

E se a tradicional equipe não ganha um gibi pra chamar de seu, outra equipe vai ressurgir: Spirits of Vegeance, com uma capa que homenageia Giant-Size X-Men #1 e traz o retorno do Motoqueiro Fantasma original.

Por “Legado”, entenda também que a editora irá retomar o status quo mais tradicional de alguns personagens depois dos eventos de Secret Empire. Nas capas das novas publicações reveladas pela editora, já podemos ver Sam Wilson de volta ao manto de Falcão (algo já esperado, pensando no desenrolar de Secret Empire).

Mas nem tudo é perfeito, não. Uma das capas reveladas é a de The Death of The Mighty Thor, com a Thor de Jane Foster nos braços da Morte – tal qual a morte do Capitão Marvel original. Vale lembrar que Jane tem câncer (assim como o Mar-Vell) e usar os poderes do Deus do Trovão ao EMPUNHAR Mjölnir atrapalha no tratamento. Por outro lado, a Thor é um dos grandes exemplos da atual fase de diversidade da Marvel, tem dado certo e ajudado a mostrar que diversidade é sim importante. Matá-la seria um duro golpe nisso.

Ao menos a X-23 continuará como a Wolverine, Carol Danvers ainda será a Capitã Marvel e a Garota-Esquilo continuará com título próprio e a Iron Heart seguirá como protagonista do gibi do Homem de Ferro, entre outras coisas já confirmadas como parte do Marvel Legacy.

As outras capas e seus comparativos você ver clickando aqui.

E, se você reparou bem, todas essas capas resgatam um estilo de arte que era bem comum nos anos 1970 e 1980. Naquela época o visual tinha uma justificativa: ajudava a ver de longe os gibis nas bancas, não importando se eles estavam distribuídos em prateleiras na horizontal ou em gondolas verticais. Só que, com as comic shops e as suas separações por publicação nas prateleiras, esse visual se perdeu – e, por isso, as editoras (principalmente a própria Marvel) passaram a inovar nos visuais de capa.

Na prática, a Casa das Ideias quer apelar para a nostalgia dos tiozões – que, é bom que se diga, são os donos das comic shops, que têm papel importantíssimo nesse mercado. Um caminho bem parecido também com o da DC no Rebirth, mas a editora soube manter coisas interessantes e apostar em mais diversidade – como a Superwoman e o Super-Man chinês.

É bom sempre lembrar que o mercado de quadrinhos voltou a vender bem e sair da crise há seis ou sete anos, quando justamente desistiu do leitor de sempre e passou a investir em novos fãs. Afinal, uma coisa é certa: quem reclama não leu, nem nunca irá ler.