Matt Groening, criador d'Os Simpsons, perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto | Judão

É aquela coisa: desapontada, mas não surpresa.

No último domingo (29), Os Simpsons tornou-se a série roteirizada mais longa da televisão, com 636 episódios (estamos falando de TV ocidental, ok? Tem anime que já passou esse número faz TEMPO), tirando o posto de Gunsmoke (1955-1975), que teve 635 capítulos. Eles até fizeram uma versão da abertura na qual Maggie vence Matt Dilon (protagonista de Gunsmoke) em um duelo pelo recorde e tal... Enfim.

Matt Groening, criador da série, deu uma entrevista ao USA Today sobre esse grande marco, momentos importantes e, em um certo momento, foi questionado sobre aqueeeeela história com o Apu.

Em 2017, um documentário chamado O Problema com Apu foi lançado, questionando o estereótipo indiano carregado pelo personagem e suas consequências sociais. Bem depois, em um episódio do começo desse mês, roteiristas fizeram alusão ao caso e mostraram sua opinião ~oficial através da Lisa que, depois de se entediar com uma história sem “partes problemáticas”, disse que “algo que começou há décadas, foi aplaudido e inofensivo agora é politicamente incorreto. O que você pode fazer?”.

Quando perguntado sobre o assunto (por alguém que não tava envolvido com o documentário, é bom deixar claro), Hank Azaria, que interpreta do Apu, chegou a dizer que aceitaria “perfeitamente me afastar ou fazer algo novo. Pra mim, parece o certo a ser feito”.

É uma pena, porém, que o criador da série não pense nem sequer parecido.

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“Na verdade, nada” disse Groening ao ser perguntado o qu eele pensava sobre as críticas ao personagem e seu estereótipo. “Tenho orgulho daquilo que fazemos no programa. E acho que estamos em um momento em nossa cultura em que as pessoas amam fingir que estão ofendidas.”

É triste perceber, com essa fala, que o criador de um programa tão importante para a cultura pop permanece irredutível. Nós sabemos SIM o quão polarizada e imediatista a internet pode ser – especialmente falando sobre problematizações. Negar-se a ouvir, a discutir e propor um diálogo aberto é, no entanto, também fazer parte desses extremismos todos. Se recusar a ouvir várias pessoas que foram insultadas por pessoas que usaram os trejeitos, a voz e a história de Apu como ferramentas é negar que exista um problema em normatizar esse tipo de representação ofensiva.

Não precisa tirá-lo da série, nem mudá-lo de uma maneira incoerente. Apenas ter os ouvidos abertos para escutar pessoas e tentar atualizar esse personagem que, depois de 28 anos, precisa MUITO de uma repaginada. A cultura se transforma junto com o mundo, Seu Matt. E o mundo tá mudando bastante.

Ainda bem.