Mesmo em um ano ruim, Marvel consegue o melhor mês em vendas desde junho/16 | Judão

Porém, no mês menos pior do ano – e que iniciou o mais novo relançamento da Marvel –, foi a CAUDA LONGA que surpreendeu

O ano de 2017 não tá muito bom pro mercado direto de quadrinhos dos EUA, aquele das comic shops e que serve de termômetro para toda a indústria. Isso, claro, você já leu algumas vezes aqui no JUDÃO. Porém, os números de setembro, divulgados pela distribuidora Diamond e analisados pelo Comichron, indicam algumas nuances nessa jogada – revelando mais tons de cinza do que algo, exatamente, preto e branco.

Veja: muita gente (incluindo os donos das comic shops, que representam aquele famoso leitor padrão homem-branco-classe média americano) criticou as iniciativas de diversidade que existiram nos últimos anos, principalmente da Marvel. O Renascimento da DC, que começou em setembro de 2016, seria um exemplo disso, já que “retomaria” alguns conceitos perdidos com as mudanças. A Marvel, que se esforçou mais em outro campo, estaria sofrendo agora em 2017 justamente porque a iniciativa “fracassou”.

Já falamos algumas vezes por aqui desmistificando isso mas, num primeiro momento, os números de setembro parecem corroborar essa visão dos críticos. Com o Marvel Legacy, espécie de “Renascimento” da Casa das Ideias e que pretende também retomar conceitos dos personagens da editora, o mercado deu uma reagida. Marvel Legacy #1 foi o gibi mais vendido, com 298 mil exemplares, enquanto o mercado como todo vendeu, em unidades “apenas” 5% a menos que setembro de 2016 – um mês extremamente forte justamente por causa do Rebirth. Em dólares, a queda foi de 3%.

Como aponta o Comichron, setembro foi o mês com a menor queda em 2017, quando comparado com o mesmo mês do ano passado. Isso lembrando que setembro de 2016 foi um mês de vendas espetaculares.

Na velha disputa entre editoras, tudo mais ou menos equilibrado: a Marvel teve 38% das unidades vendidas, contra 36% da DC – que foi ajudada pelo Batman, ocupando cinco posições do Top 10 com a saga Dark Nights Metal. Já em dólares, a Casa das Ideias abocanhou 38%, contra 30% da Distinta Concorrência. O motivo dessa última diferença é que Marvel Legacy #1 custou dois dólares a mais que o resto da linha, enquanto outro campeão de venda – Venomverse #1 – foi um dólar mais caro.

Aliás, o pessoal da Marvel tem ainda mais motivos pra sorrir: este foi o melhor mês da editora desde junho do ano passado. Eles aumentaram o faturamento em US$ 2 milhões, um crescimento de 14% pra setembro de 2016.

Isso tudo, claro, lembrando que estamos falando das vendas das editoras para os lojistas. Nos EUA não há retorno de encalhe, com as comic shops encomendando quantos exemplares querem e assumindo mais riscos. Por isso, a posição do revendedor é tão importante por lá.

No entanto, esta é apenas metade da história. Os títulos da parte de cima dos mais vendidos são aqueles blockbusters, os que chamam a atenção. Porém, lá no meio do bolo, aparecem números AINDA MAIS interessantes.

Também de acordo com a análise do Comichron, o 50º gibi na lista de mais vendidos, Saga #47, alcançou o patamar de 40 mil cópias. É o melhor resultado para uma revista nesta posição desde janeiro. Isso significa que as publicações nesta parte da tabela cresceram, diminuindo o gap para quem tá mais na frente.

“Tá, não entendi”. Bom, vamos lá: essa galera do “meio da tabela” traz muitos gibis que, olha só, são mais diversos. Além de Saga, temos a Thor (40º), Miss Marvel (43º), Mulher-Maravilha (46º e 49º), Capitã Marvel (51º), Arlequina (53º e 56º) e Spider-Gwen (54º). É essa galera que, no coletivo, subiu.

As publicações do “meio da tabela” tiveram uma recuperação em setembro.

Outro dado importante é que, na média do ano até agora, a publicação que ocupa a 100ª posição está vendendo 25 mil exemplares. Apesar de alguns meses realmente excepcionais, esse número médio anual não era alcançado desde 1999. E ali, usando como exemplo o mês passado, temos títulos de personagens ou equipes como os Campeões (97º), Jean Grey (103º) e Batgirl (106º).

Na prática, quando esse pessoal cresce, o mercado como um todo também cresce. Foi assim nos anos recentes de bonança, nos quais a galera “dos 50” fez os melhores números desde 2007.

Há ainda muito o que evoluir – e, como os números gerais de 2016 entregam, muita gente está migrando para as livrarias e encadernados, incluindo aqueles que compram personagens como Batgirl e Miss Marvel. Ainda assim, os dados deixam claro que, na soma geral, são esses personagens mais de nicho, diversos, que dão uma bela força no geral das vendas. Para quem trabalha com o pessoal de varejo, é a tal da “cauda longa”.

No final, 2017 tá sendo um ano ruim, sim – seja por causa de estratégias passadas, do desgaste dos grandes relançamentos e até pelo sucesso dos últimos anos. Mas tá começando a aparecer uma luz no fim do túnel...