Lin-Manuel Miranda faz Moana ficar ainda mais legal | Judão

Shiny, uma das canções do filme, é um dos principais exemplos não só do trabalho do cara, mas de quão legal a nova animação da Disney é

No cinema, musical costuma ser aquela coisa recheada de vergonha alheia onde os personagens, se não PARAM o que tão fazendo, se preparam talvez demais pra preencher espaços cantando e dançando, até parar quase que do nada e seguir a história, sem que ninguém, em momento algum, ache estranho esse tipo de coisa.

No teatro tem mais essa coisa de ESPETÁCULO, show mesmo, funciona melhor... Mas no cinema não dá. Ou, pelo menos, não dava até o ADVENTO de Lin-Manuel Miranda na cultura pop — uma das coisas boas a se lembrar de 2016, ainda que Hamilton esteja fazendo barulho há um pouco mais de tempo.

Moana só estreia no Brasil em Janeiro e, como toda boa animação da Disney (e essa é ótima), é musical. Não tão musical quanto um musical de fato, mas mesmo assim: em se tratando das coisas que o Mickey faz, apesar de tudo, eu já me acostumei e até já nem deixo isso me incomodar. Eu let it go, como cantaria a Elsa.

Só que as músicas de Moana foram compostas por Lin-Manuel Miranda, em colaboração com os roteiristas do filme, Mark Mancina e Opetaia Foa’i e... Porra, não é que musicais podem ser realmente legais? Podem REALMENTE funcionar?

Moana é uma das melhores coisas que assisti esse ano, tecnicamente falando, além de ser uma das grandes animações da casa do Pato Donald, pelos mais diversos motivos — a “princesa”, melhor da Disney em milhões de anos, história que se passa bem longe dos castelos gelados Europeus e, entre diversas outras coisas e mais surpreendente de tudo, seus NÚMEROS MUSICAIS.

Eles são tão bem escritos e encaixados com o texto que começam e terminam sem que você exatamente perceba o momento exato. São como ondas, que simplesmente aparecem e somem e você fica lá, admirando a beleza da coisa toda, enquanto alguma frase ou palavra gruda na sua cabeça... Tipo Shiny, que o Tamatoa canta lá pro meio do filme e cujo CLIPE a Disney liberou essa semana.

Interpretada por Jemaine Clement, essa talvez seja a música que melhor EXEMPLIFICA a fodacidade do trabalho de Lin-Manuel Miranda em Moana — e até mesmo do filme como um todo. Porque não é só cantoria, não tem dança, nada disso. A ação do filme não para, a história segue e a música segue bem o ritmo do que está sendo mostrado. É, de fato, uma interpretação.

Aliás, quem para é a música, pra um diálogo... E é tudo lindo. Seus olhos se enchem, você acompanha a história e de repente tá lá “XAINÊ!”, ou “BRILHÍ!”, se assistir dublado — porque funciona também, acredite. Não tão quanto na versão original, claro, mas funciona.

Porque além de lindo, é tudo sensacional. Lin-Manuel Miranda, obrigado por tudo!