Mulheres, representação e representatividade | JUDAO.com.br

O ano é 2019 e nós ainda precisamos lutar MUITO pelo tipo de mulher que a mídia quer que sejamos.

“Eu nem sempre consigo explicar a exata diferença entre os olhares feminino e masculino, mas consigo reconhecê-los quando os vejo”. Essa frase foi dita pela jornalista Joanna Robinson em seu Twitter, acompanhada de uma imagem comparativa da Arlequina de Margot Robbie em Esquadrão Suicida, quando foi dirigida por um homem, e no teaser de Aves de Rapina, filme que tem direção de Cathy Yan, uma mulher. O de sempre aconteceu, né? Chororô nas respostas, “mas nem todo homem”, coisas assim. Incomoda bastante perceber que, por mais que estejamos em 2019, AINDA estamos lutando contra uma espécie de RAIO OBJETIFICADOR e que não há Aquaman sem camisa que se iguale a essa situação abusiva.

A imagem da mulher na mídia ainda segue muito os velhos padrões. Com algumas novas desculpas, é verdade: agora, há um discurso de que sexualização pode ser empoderadora, que mostra pros outros que você está confortável com o seu corpo. Mas você só terá sua liberdade defendida se tiver uns 24 anos e usar um vestido até tamanho 40, tá? Porque se for de outro jeito, pode ser que ninguém queira ver isso. Ou pode ser que, como aconteceu com a cantora Bebe Rexha, você tenha marcas IGNORANDO seus pedidos de figurino para o Grammy porque seu corpo não é do tamanho “padrão de passarelas”. Bebe usa tamanho 8, o que equivale ao nosso 42. TAMANHO QUA-REN-TA E DOIS. Se apropriar do discurso feminista de autoaceitação e distorcê-lo para que ainda caiba naquilo tudo que a mídia quer nos vender sobre seu uma mulher já virou um arroz com feijão de Hollywood. Quer ser feminista? Ai, ótimo. Eis aqui o padrão de como ser uma feminista PALATÁVEL.

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Por essas e outras, a Time’s Up, organização criada pra dar apoio, segurança e visibilidade às mulheres da indústria, criou um projeto: o 4% Challenge, ou Desafio dos 4%. Junto com a Escola de Comunicação e Jornalismo Annenberg e seu projeto de inclusão, bolaram a seguinte regra: que artistas se comprometam a trabalhar em um projeto com uma DIRETORA nos próximos 18 meses, a partir de janeiro deste ano. Essa ação foi lançada no Globo de Ouro juntinho com a campanha Time’s Up X2, que tem esse “vezes dois” aí do lado pra simbolizar a intensificação de seu discurso e ações pra contribuir para um cenário mais justo e diverso.

Até agora, uma galera MUITO FODA se comprometeu com o Desafio dos 4%. Os destaques são: Adam Scott, Alex Saks e a Page Fifty-Four Pictures, Amy Schumer, Brie Larson, Bryce Dallas Howard, Constance Wu, Eva Longoria, Gina Rodriguez, J.J. Abrams e a Bad Robot, Jennifer Lopez, Jess Wu Calder, John Legend, Jordan Peele, Kerry Washington, Kumail Nanjiani, Lena Waithe, Liz Hannah, Olivia Wilde, Paul Feig, Rachel Brosnahan, Rashida Jones, Reese Witherspoon, Rosie Perez, Susan Sarandon, Teri Weinberg, Tessa Thompson, Tracee Ellis Ross, Warren Leight, Zoe Kazan... e isso não é nem a metade.

Ações como essa são importantes para criar um NOVO modelo de trabalho e representação feminina. O nome dessa campanha nasceu do fato de que apenas 4 dos 100 maiores filmes da última DÉCADA foram dirigidos por mulheres. A falta de uma visão que não sexualiza ou fragiliza é preocupante e o modelo que vende um certo tipo de comportamento e aparência ainda é lucrativo DEMAIS pra ser derrubado só com consciência social. É preciso agir, priorizar trabalhos, sabotar obras tóxicas, jogar com números. Ser representada de uma maneira diversa, humana e não como um prêmio a ser conquistado não é só a coisa certa a se fazer – é questão de saúde mental e segurança de mulheres ao redor do mundo que não aguentam mais se odiarem o dia inteiro por serem quem são.